Gostou do artigo? Compartilhe!

Estudo aponta consequências não tão leves da hipertensão leve na gravidez

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

A hipertensão1 é um importante fator de risco2 modificável para doença cardiovascular na população em geral e é um dos principais fatores de risco para desfechos adversos na gravidez3. A frequência de hipertensão1 crônica dobrou em gestantes na última década. Além disso, existem disparidades significativas nas taxas de hipertensão1 crônica por raça e etnia, geografia e status socioeconômico.

Assim, compreender os padrões longitudinais de progressão da hipertensão1 antes, durante e após a gravidez3 é necessário para informar as estratégias de interceptação da doença, particularmente entre o subgrupo de alto risco de indivíduos que entram na gravidez3 com hipertensão1 crônica.

Indo além do bem estabelecido risco aumentado de complicações maternas ou perinatais que indivíduos com hipertensão1 crônica experimentam durante a gravidez3, um novo estudo publicado na revista Obstetrics & Gynecology demonstra substancial risco materno pós-parto de longo prazo para hipertensão1 grave, e deve levantar uma bandeira vermelha de que a hipertensão1 crônica leve é tudo menos “leve”.

Leia sobre "Hipertensão1 da gravidez3" e "Hipertensão Arterial4".

Os pesquisadores fornecem novos dados importantes sobre a frequência de complicações cardiovasculares pós-parto que ocorrem 12 semanas ou mais após o parto entre pacientes com hipertensão1 crônica leve durante a gravidez3. Foram examinados dados de indivíduos que receberam cuidados pré-natais de 2012 a 2014 na Universidade do Alabama em Birmingham. Entre 979 pacientes grávidas com dados de parto, quase um terço foi excluído da análise atual devido à presença de hipertensão1 grave no início do estudo (pressão arterial5 sistólica 160 mmHg ou superior, pressão arterial diastólica6 110 mmHg ou superior, ou ambas).

Entre a amostra elegível de 647 gestantes com hipertensão1 leve, 36,5% desenvolveram o desfecho primário de hipertensão1 grave ou complicações cardiovasculares em 5-7 anos de acompanhamento após a gravidez3 índice. Os componentes cardiovasculares do desfecho primário (acidente vascular cerebral7, tromboembolismo8, cardiomiopatia, angina9, lesão10 renal11 [definida como nível de creatinina12 sérica maior que 1,1 mg/dL13] ou morte materna ocorrendo 12 semanas ou mais após o parto) foram raros e ocorreram em menos de 1% das pacientes.

Pacientes que se autoidentificaram como negras representaram 66% da amostra e tiveram mais de duas vezes mais chances de progredir para hipertensão1 grave no acompanhamento em comparação com pacientes brancas. Elas também progrediram mais rápido.

No artigo, os pesquisadores relatam que o objetivo do estudo foi estimar a incidência14 de hipertensão1 crônica (HTNc) grave dentro de 5-7 anos após uma gravidez3 complicada por HTNc leve.

Este foi um estudo de coorte15 retrospectivo16 de mulheres com HTNc leve durante uma gravidez3 índice entre 2012 e 2014. Foram incluídas mulheres que fizeram pré-natal em um único centro acadêmico e tiveram HTNc leve durante a gravidez3.

Mulheres com HTNc grave, diabetes tipo 117, lúpus18 eritematoso19 sistêmico20, cardiomiopatia, proteinúria21 ou nível de creatinina12 maior que 1,1 mg/dL13 antes de 23 semanas de gestação no início do estudo foram excluídas.

O desfecho primário foi um composto de HTNc grave (definida como novo início de duas ou mais pressões arteriais graves) ou complicações de doenças cardiovasculares22 de início recente mais de 12 semanas após o parto índice.

Um total de 647 mulheres com HTNc leve preencheram os critérios de inclusão. Destas, 236 (36,5%, IC 95% 32,8-40,2%) mulheres experimentaram o desfecho primário composto de HTNc grave dentro de 5-7 anos da gravidez3 índice.

As mulheres negras progrediram mais rapidamente do que as mulheres brancas (taxa de risco ajustada [aHR] 1,99, IC 95% 1,43-2,76). Fumar tabaco também foi associado a uma progressão mais rápida para HTNc grave (aHR 1,47, IC 95% 1,13-1,90).

Nesta coorte23, uma em cada três mulheres com hipertensão1 crônica leve em uma gravidez3 índice progrediu para hipertensão1 crônica grave em 5 a 7 anos. Estudos prospectivos para validar esse achado são necessários.

Veja também sobre "Doenças cardiovasculares22" e "Sinais24 de doenças cardíacas em mulheres".

 

Fonte: Obstetrics & Gynecology, Vol. 140, Nº 4, em outubro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Estudo aponta consequências não tão leves da hipertensão leve na gravidez. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1426800/estudo-aponta-consequencias-nao-tao-leves-da-hipertensao-leve-na-gravidez.htm>. Acesso em: 1 dez. 2022.

Complementos

1 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
2 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
5 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
6 Pressão arterial diastólica: É a pressão mais baixa detectada no sistema arterial sistêmico, observada durante a fase de diástole do ciclo cardíaco. É também denominada de pressão mínima.
7 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
8 Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.
9 Angina: Inflamação dos elementos linfáticos da garganta (amígdalas, úvula). Também é um termo utilizado para se referir à sensação opressiva que decorre da isquemia (falta de oxigênio) do músculo cardíaco (angina do peito).
10 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
11 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
12 Creatinina: Produto residual das proteínas da dieta e dos músculos do corpo. É excretada do organismo pelos rins. Uma vez que as doenças renais progridem, o nível de creatinina aumenta no sangue.
13 Mg/dL: Miligramas por decilitro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
14 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
15 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
16 Retrospectivo: Relativo a fatos passados, que se volta para o passado.
17 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
18 Lúpus: 1. É uma inflamação crônica da pele, caracterizada por ulcerações ou manchas, conforme o tipo específico. 2. Doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico. Nesta patologia, a defesa imunológica do indivíduo se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico. Lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especializados no assunto.
19 Eritematoso: Relativo a ou próprio de eritema. Que apresenta eritema. Eritema é uma vermelhidão da pele, devido à vasodilatação dos capilares cutâneos.
20 Sistêmico: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
21 Proteinúria: Presença de proteínas na urina, indicando que os rins não estão trabalhando apropriadamente.
22 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
23 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
24 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
Gostou do artigo? Compartilhe!