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Altas doses diárias de insulina no diabetes tipo 1 podem aumentar o risco de câncer anos depois

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Estudos anteriores entre pessoas com diabetes tipo 11 encontraram uma maior incidência2 de certos tipos de câncer3 nessa população em comparação com a população geral. No entanto, nenhum estudo avaliou os fatores de risco de incidência2 de câncer3 no diabetes tipo 11.

No presente estudo, publicado no JAMA Oncology, usando dados do Diabetes4 Control and Complications Trial e do estudo Epidemiology of Diabetes4 Interventions and Complications, os pesquisadores exploraram as associações de fatores de risco com a incidência2 de câncer3 em pacientes com diabetes tipo 11 ao longo de um período de 28 anos de acompanhamento.

Os resultados demonstram que pessoas com diabetes tipo 11 tomando doses diárias mais altas de insulina5 enfrentaram um risco maior de câncer3.

A dose diária de insulina5 foi significativamente associada a um risco maior de câncer3 (HR 4,13, IC 95% 1,13-15,17) após ajuste para fatores como colesterol6 HDL7 e hábitos de exercício em uma coorte8 de 1.303 pacientes com diabetes tipo 11 acompanhados por 28 anos.

Leia sobre "O papel da insulina5 no corpo" e "Diabetes Mellitus9".

A incidência2 de cânceres recém-diagnosticados foi de 2,8 (IC 95% 2,2-3,3) por 1.000 pessoas-ano no geral, com 7% dos participantes recebendo um diagnóstico10.

Essa incidência2 aumentou com a dose média diária de insulina5 que esses indivíduos estavam tomando:

  • Insulina5 em baixa dose (<0,5 unidades/kg): 2,11 por 1.000 pessoas-ano
  • Insulina5 em dose média (≥0,5 e <0,8 unidades/kg): 2,87 por 1.000 pessoas-ano
  • Insulina5 em alta dose (≥0,8 unidades/kg): 2,91 por 1.000 pessoas-ano

Embora não tão fortemente associados ao risco de câncer3 quanto a dose diária de insulina5, outros fatores que também foram significativamente associados incluíram idade (HR 1,09, IC 95% 1,06-1,13) e sexo feminino (HR 2,02, IC 95% 1,28-3,19).

Entre os indivíduos com diabetes tipo 11 que receberam um novo diagnóstico10 de câncer3, a maioria era do sexo feminino (61%).

No modelo ajustado, praticar exercícios moderados ou extenuantes versus um estilo de vida sedentário parecia proteger contra o câncer3 (HR 0,31, IC 95% 0,16-0,59). O mesmo modelo não encontrou nenhuma associação entre o colesterol6 HDL7, no entanto.

O câncer3 de pele11 foi o novo diagnóstico10 de câncer3 mais comum entre essa população de pacientes, com 27 novos casos registrados. A categoria de “outros cânceres” foi responsável por 21 casos, câncer3 de mama12 por 15, câncer3 do aparelho reprodutivo por 8, do aparelho digestivo13 por 6, de cabeça14 e pescoço15 por 5, câncer3 ósseo ou do sangue16 por 4, de próstata17 por 4, do sistema urinário18 por 2 e torácico por 2. Dois cânceres eram de tipo desconhecido.

Um total de 58% dos cânceres foram diagnosticados no final do acompanhamento de quase 3 décadas – diagnosticados entre os anos 21 e 28 de acompanhamento. Um terço desenvolveu-se entre 11 e 20 anos de acompanhamento, e apenas 9% desenvolveu-se dentro de 10 anos.

No momento do primeiro diagnóstico10 de câncer3, a idade média dos pacientes era de 50 anos, com duração do diabetes4 de 25 anos.

Os pesquisadores apontaram que houve evidências anteriores conflitantes sobre a associação entre insulina5 e câncer3, referenciando uma metanálise de 2016 que não encontrou associação significativa entre o tratamento com insulina5 exógena e o risco de câncer3 em 13 dos 16 estudos.

Eles explicaram que isso pode ter sido devido ao fato de que a dose diária de insulina5 nessas coortes estava no lado baixo – em média, geralmente inferior a 0,3 unidades/kg por dia. Além disso, eles disseram que muitos desses pacientes interromperam o uso de insulina5 durante o acompanhamento.

Por causa disso, os pesquisadores sugeriram que estudos futuros devem ter como objetivo descobrir mais sobre a associação entre a dose diária de insulina5 e tipos específicos de câncer3.

Veja também sobre "Câncer3 - informações importantes" e "Opções de tratamentos para o diabetes4".

 

Fontes:
JAMA Oncology, publicação em 28 de julho de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 28 de julho de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Altas doses diárias de insulina no diabetes tipo 1 podem aumentar o risco de câncer anos depois. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1422010/altas-doses-diarias-de-insulina-no-diabetes-tipo-1-podem-aumentar-o-risco-de-cancer-anos-depois.htm>. Acesso em: 2 out. 2022.

Complementos

1 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
5 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
6 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
7 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
8 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
9 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
10 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
11 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
12 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
13 Aparelho digestivo: O aparelho digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
14 Cabeça:
15 Pescoço:
16 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
17 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
18 Sistema urinário: O sistema urinário é constituído pelos rins, pelos ureteres e pela bexiga. Ele remove os resíduos do sangue, mantêm o equilíbrio de água e eletrólitos, armazena e transporta a urina.
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