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Intervenção interdisciplinar de perda de peso e estilo de vida pode melhorar a gravidade da apneia obstrutiva do sono

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A obesidade1 é a principal causa de apneia obstrutiva do sono2 (AOS); no entanto, os efeitos de intervenções de perda de peso e estilo de vida na AOS e comorbidades3 permanecem incertos.

O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Network Open, foi avaliar o efeito de uma intervenção interdisciplinar de perda de peso e estilo de vida na AOS e comorbidades3 entre adultos com AOS moderada a grave e sobrepeso4 ou obesidade1.

O estudo Interdisciplinary Weight Loss and Lifestyle Intervention for OSA (INTERAPNEA) foi um ensaio clínico randomizado5 aberto de grupos paralelos, realizado em um centro de referência hospitalar em Granada, Espanha, de 1º de abril de 2019 a 23 de outubro de 2020.

Leia sobre "Apneia6 do sono", "Obesidade1" e "Distúrbios respiratórios do sono".

O estudo envolveu 89 homens espanhóis com idades entre 18 e 65 anos com AOS moderada a grave e índice de massa corporal7 de 25 kg/m² ou mais que estavam recebendo terapia com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). A inclusão exclusiva de homens foi baseada na maior incidência8 e prevalência9 de AOS nessa população, nas diferenças nos fenótipos de AOS entre homens e mulheres e na conhecida eficácia das intervenções para perda de peso entre homens versus mulheres.

Os participantes foram randomizados para receber cuidados usuais (terapia CPAP) ou uma intervenção de 8 semanas de perda de peso e estilo de vida, envolvendo mudança de comportamento nutricional, exercícios aeróbicos, higiene do sono e cessação de álcool e tabaco, combinada com cuidados usuais.

O desfecho primário foi a mudança no índice de apneia-hipopneia10 (IAH) desde o início até o desfecho da intervenção (8 semanas) e 6 meses após a intervenção. Os desfechos secundários incluíram mudanças em outros desfechos relacionados ao sono da AOS, peso e composição corporal, risco cardiometabólico e qualidade de vida relacionada à saúde11.

Entre 89 homens (média [DP] idade, 54,1 [8,0] anos; todos de etnia espanhola; média [DP] do IAH, 41,3 [22,2] eventos/h), 49 foram randomizados para o grupo controle e 40 foram randomizados para o grupo de intervenção.

O grupo de intervenção teve uma redução maior no IAH (redução de 51%; alteração, -21,2 eventos/h; IC 95%, -25,4 a -16,9 eventos/h) do que o grupo controle (alteração, 2,5 eventos/h; IC 95% , -2,0 a 6,9 eventos/h) no final da intervenção, com uma diferença média entre os grupos de -23,6 eventos/h (IC 95%, -28,7 a -18,5 eventos/h).

Aos 6 meses após a intervenção, a redução no IAH foi de 57% no grupo de intervenção, com uma diferença média entre os grupos de -23,8 eventos/h (IC 95%, -28,3 a -19,3 eventos/h).

No grupo de intervenção, 18 de 40 participantes (45,0%) não necessitaram mais de terapia CPAP no final da intervenção, e 6 de 40 participantes (15,0%) alcançaram remissão completa da AOS. Aos 6 meses após a intervenção, 21 de 34 participantes (61,8%) não necessitavam mais de terapia com CPAP, e a remissão completa da AOS foi alcançada por 10 de 34 participantes (29,4%).

No grupo de intervenção vs controle, maiores melhorias no peso (alteração, -7,1 kg [IC 95%, -8,6 a -5,5 kg] vs -0,3 kg [IC 95%, -1,9 a 1,4 kg]) e composição corporal (por exemplo, alteração na massa gorda12, -2,9 kg [IC 95%, -4,5 a -1,3 kg] vs 1,4 kg [IC 95%, -0,3 a 3,1 kg]), no risco cardiometabólico (por exemplo, alteração na pressão arterial13, -6,5 mmHg [IC 95%, -10,3 a -2,6 mmHg] vs 2,2 mmHg [IC 95%, -2,1 a 6,6 mmHg]) e na qualidade de vida relacionada à saúde11 (por exemplo, alteração no Índice de Qualidade de Vida da Apneia6 do Sono, 0,8 pontos [IC 95%, 0,5-1,1 pontos] vs 0,1 pontos [IC 95%, -0,3 a 0,4 pontos]) também foram observadas no final da intervenção.

Neste estudo, uma intervenção interdisciplinar de perda de peso e estilo de vida envolvendo homens espanhóis com apneia obstrutiva do sono2 moderada a grave, com sobrepeso4 ou obesidade1 e recebendo terapia com CPAP resultou em melhorias clinicamente significativas e sustentáveis na gravidade e comorbidades3 da apneia obstrutiva do sono2, bem como na qualidade de vida relacionada à saúde11. Essa abordagem pode, portanto, ser considerada como uma estratégia central para abordar o impacto substancial dessa condição respiratória desordenada do sono cada vez mais comum.

Veja também sobre "Tratando a obesidade1", "Higiene do sono - como deve ser feita" e "CPAP – Continuous Positive Airway Pressure".

 

Fonte: JAMA Network Open, publicação em 22 de abril de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Intervenção interdisciplinar de perda de peso e estilo de vida pode melhorar a gravidade da apneia obstrutiva do sono. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1415545/intervencao-interdisciplinar-de-perda-de-peso-e-estilo-de-vida-pode-melhorar-a-gravidade-da-apneia-obstrutiva-do-sono.htm>. Acesso em: 25 mai. 2022.

Complementos

1 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
2 Apnéia obstrutiva do sono: Pausas na respiração durante o sono.
3 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
4 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
7 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
8 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
9 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
10 Índice de apneia-hipopneia: Índice de apneia-hipopneia (IAH) é definido como o número de apnéia-hipopnéia por hora de sono. Considera-se síndrome de apnéia obstrutiva discreta se o IAH for de 6 a 20; moderada se de 21 a 50 e grave quando acima de 50.
11 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
12 Massa gorda: É a porção de massa do organismo constituída de gordura armazenada (encontrada no tecido subcutâneo) e gordura essencial (encontrada nas vísceras, responsável pelo funcionamento fisiológico normal). A massa gorda é o resultado em quilos do percentual de gordura existente no organismo. Por exemplo, um indivíduo de 100 quilos e com percentual de gordura de 38%, pode ter o valor da massa gorda calculado em 38 quilos.
13 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
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