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Uso de antibióticos em crianças pequenas prejudica o desenvolvimento de anticorpos induzidos por vacinas

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A maioria das crianças recebe antibióticos nos primeiros 2 anos de vida, enquanto a imunidade1 induzida pelas vacinas se desenvolve. Pesquisadores sugeriram uma associação negativa do uso de antibióticos com a imunidade1 induzida por vacinas em adultos, mas faltam dados para crianças.

De 2006 a 2016, crianças de 6 a 24 meses foram observadas em um estudo de coorte2. Uma análise secundária retrospectiva e não planejada do prontuário médico em relação às prescrições de antibióticos e medições de anticorpos3 das vacinas foi realizada simultaneamente.

Foram feitas medições de anticorpos3 em relação às vacinas contra difteria4-tétano5-coqueluche6 acelular (DTPa), poliomielite7 inativada (IPV), Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e pneumocócica conjugada (PCV). Os resultados foram publicados no periódico científico Pediatrics.

No total, foram comparadas 560 crianças (342 com e 218 sem prescrição de antibióticos). Os níveis de anticorpos3 induzidos pelas vacinas para vários antígenos8 da DTPa e da PCV foram menores (P <0,05) em crianças que receberam antibióticos.

Uma maior frequência de anticorpos3 induzidos pelas vacinas abaixo dos níveis protetores em crianças que receberam antibióticos ocorreu aos 9 e 12 meses de idade (P <0,05).

Os cursos de antibióticos ao longo do tempo foram negativamente associados aos níveis de anticorpos3 induzidos pelas vacinas. Para cada curso de antibiótico que a criança recebeu, os níveis de anticorpos3 pré-reforço para antígenos8 da DTPa foram reduzidos em 5,8%, Hib em 6,8%, IPV em 11,3% e PCV em 10,4% (todos P ≤0,05) e níveis de anticorpos3 pós-reforço para antígenos8 da DTPa foram reduzidos em 18,1%, Hib em 21,3%, IPV em 18,9% e PCV em 12,2% (todos P <0,05).

O estudo concluiu que o uso de antibióticos em crianças com menos de 2 anos de idade está associado a níveis mais baixos de anticorpos3 induzidos por vacinas para várias vacinas.

Leia sobre "Vacinas - como funcionam", "Calendário de Vacinação", "Usos e abusos dos antibióticos" e "Antígenos8 e anticorpos3 - o que são".

 

Fonte: Pediatrics, publicação em 27 de abril de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Uso de antibióticos em crianças pequenas prejudica o desenvolvimento de anticorpos induzidos por vacinas. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1415350/uso-de-antibioticos-em-criancas-pequenas-prejudica-o-desenvolvimento-de-anticorpos-induzidos-por-vacinas.htm>. Acesso em: 25 mai. 2022.

Complementos

1 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
2 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
3 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
4 Difteria: Doença infecto-contagiosa que afeta as vias respiratórias superiores, caracterizada pela produção de uma falsa membrana na garganta como resultado da ação de uma toxina bacteriana. Este microorganismo é denominado Corinebacterium difteriae, e é capaz de produzir doença neurológica e cardíaca também.Atualmente, está disponível uma vacina eficiente (a tríplice ou DPT) para esta doença, que tem tornado-se rara.
5 Tétano: Toxinfecção produzida por uma bactéria chamada Clostridium tetani. Esta, ao infectar uma ferida cutânea, produz uma toxina (tetanospasmina) altamente nociva para o sistema nervoso que produz espasmos e paralisia dos nervos afetados. Pode ser fatal. Existe vacina contra o tétano (antitetânica) que deve ser tomada sempre que acontecer um traumatismo em que se suspeita da contaminação por esta bactéria. Se a contaminação for confirmada, ou se a pessoa nunca recebeu uma dose da vacina anteriormente, pode ser necessário administrar anticorpos exógenos (de soro de cavalo) contra esta toxina.
6 Coqueluche: Infecção bacteriana das vias aéreas caracterizada por tosse repetitiva de som metálico. Pode também ser denominada tosse ferina, tosse convulsa ou tosse comprida, e é produzida por um microorganismo chamado Bordetella pertussis.
7 Poliomielite: Doença viral que afeta as raízes anteriores dos nervos motores, produzindo paralisia especialmente em crianças pequenas e adolescentes. Sua incidência tem diminuído muito graças ao descobrimento de uma vacina altamente eficaz (Sabin), e de seu uso difundido no mundo inteiro.
8 Antígenos: 1. Partículas ou moléculas capazes de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substâncias que, introduzidas no organismo, provocam a formação de anticorpo.
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