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Efeitos cognitivos persistem mesmo passado 1 ano após uma concussão

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Traumatismo1 cranioencefálico (TCE) leve afetou a cognição2 1 ano depois do evento, mostraram dados do estudo prospectivo3 TRACK-TBI.

Em 1 ano, 13,5% das pessoas com TCE leve tiveram um resultado cognitivo4 ruim em comparação com 4,5% dos controles, relataram Raquel Gardner, MD, da Universidade da Califórnia em São Francisco, e co-autores.

Resultados cognitivos5 ruins em 1 ano foram associados à raça não branca, menor escolaridade, menor renda, falta de plano de saúde6, hiperglicemia7, depressão pré-lesão8 e maior gravidade da lesão8 na análise univariada, relataram os pesquisadores no estudo publicado na revista Neurology.

“Nossos achados sugerem que resultados cognitivos5 ruins clinicamente significativos, que definimos como comprometimento cognitivo4, declínio cognitivo4 ou ambos, um ano após uma concussão podem ser mais comuns do que se pensava anteriormente”, disse Gardner em comunicado.

“O traumatismo1 cranioencefálico é altamente heterogêneo e os problemas cognitivos5 resultantes são heterogêneos, variando de danos diretos a partes do cérebro9 que servem à função cognitiva10 a efeitos secundários de depressão relacionada à concussão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e problemas de sono”, acrescentou.

Saiba mais sobre "Traumatismos cranianos" e "Concussão cerebral11".

Os objetivos do estudo realizado pela equipe foram desenvolver e estabelecer validade concorrente de uma definição clinicamente relevante de resultado cognitivo4 ruim 1 ano após traumatismo1 cranioencefálico leve (TCEL), comparar as características basais entre os grupos de resultados cognitivos5 e determinar se o resultado cognitivo4 ruim de 1 ano pode ser previsto por variáveis clínicas de linha de base rotineiramente disponíveis.

O estudo de coorte12 prospectivo3 incluiu 656 participantes ≥17 anos de idade que se apresentaram a centros de trauma de nível 1 dentro de 24 horas de um TCEL (escala de coma13 de Glasgow 13-15) e 156 controles saudáveis demograficamente semelhantes inscritos no estudo Transforming Research and Clinical Knowledge in TBI (TRACK- TBI).

Resultado cognitivo4 ruim em 1 ano foi definido como comprometimento cognitivo4 (abaixo do nono percentil de dados normativos em ≥2 testes cognitivos5), declínio cognitivo4 (pontuação de mudança [pontuação de 1 ano menos a pontuação de 2 semanas ou 6 meses] excedendo o índice de mudança confiável de 90% em ≥2 testes cognitivos5), ou ambos.

Associações de resultado cognitivo4 ruim de 1 ano com resultados neurocomportamentais de 1 ano foram realizadas para estabelecer validade concorrente. As características da linha de base foram comparadas entre os grupos de resultados cognitivos5 e a regressão logística de eliminação inversa foi usada para construir um modelo de previsão.

A média de idade dos participantes com TCEL foi de 40,2 anos; 36,6% eram do sexo feminino; 76,6% eram brancos. Resultado cognitivo4 ruim em 1 ano foi associado a pior resultado funcional em 1 ano, mais sintomas14 neurocomportamentais, maior sofrimento psicológico e menor satisfação com a vida (todos p <0,05), estabelecendo validade concorrente.

Em 1 ano, 13,5% dos participantes com TCEL tiveram um resultado cognitivo4 ruim versus 4,5% dos controles (p = 0,003). Nas análises univariáveis, o resultado cognitivo4 ruim em 1 ano foi associado à raça não branca, menor escolaridade, menor renda, falta de plano de saúde6, hiperglicemia7, depressão pré-lesão8 e maior gravidade da lesão8 (todos p <0,05).

O modelo final de previsão multivariável incluiu educação, plano de saúde6, depressão pré-lesão8, hiperglicemia7 e pontuação de Rotterdam de tomografia computadorizada15 ≥3, e alcançou uma área sob a curva de 0,69 (IC 95% 0,62-0,75) para a previsão de um resultado cognitivo4 ruim em 1 ano, com cada variável associada a probabilidades >2 vezes maiores de resultado cognitivo4 ruim em 1 ano.

O estudo concluiu que o resultado cognitivo4 ruim de 1 ano é comum, afetando 13,5% dos pacientes com traumatismo1 cranioencefálico leve versus 4,5% dos controles. Esses resultados destacam a necessidade de uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes ao resultado cognitivo4 ruim após o traumatismo1 cranioencefálico leve para informar as intervenções para otimizar a recuperação cognitiva10.

Leia sobre "Distúrbio neurocognitivo" e "Encefalopatia16 traumática crônica".

 

Fontes:
Neurology, publicação em 16 de fevereiro de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 18 de fevereiro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Efeitos cognitivos persistem mesmo passado 1 ano após uma concussão. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1412365/efeitos-cognitivos-persistem-mesmo-passado-1-ano-apos-uma-concussao.htm>. Acesso em: 10 ago. 2022.

Complementos

1 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
2 Cognição: É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, percepção, classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas.
3 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
4 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
5 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Hiperglicemia: Excesso de glicose no sangue. Hiperglicemia de jejum é o nível de glicose acima dos níveis considerados normais após jejum de 8 horas. Hiperglicemia pós-prandial acima de níveis considerados normais após 1 ou 2 horas após alimentação.
8 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
9 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
10 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
11 Concussão cerebral: Perda imediata da consciência no momento de um trauma, mas recuperável em 24 horas ou menos e sem seqüelas. Acompanha-se de amnésia retrógrada e pós-traumática, isto é, o paciente não se recorda do trauma, dos momentos que o antecederam, nem de eventos imediatamente posteriores. Hoje a tendência é considerar a concussão como resultante de um grau leve de lesão axonal difusa.
12 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
13 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte. 2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo “comer.“
14 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
15 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
16 Encefalopatia: Qualquer patologia do encéfalo. O encéfalo é um conjunto que engloba o tronco cerebral, o cerebelo e o cérebro.
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