Gostou do artigo? Compartilhe!

Baixos níveis de andrógenos são um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus pós-transplante em homens receptores de transplante renal

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notcia

O diabetes mellitus1 pós-transplante (DMPT) afeta até 30% de todos os receptores de transplante renal2 (RTR). Estudos recentes em ratos descobriram que níveis suficientes de androgênio são necessários para a saúde3 das células4 β e secreção adequada de insulina5. Isso levanta a questão de se uma relação semelhante pode estar presente em RTR.

Portanto, neste estudo publicado na revista Diabetes6 Care, formulou-se a hipótese de que a diidrotestosterona e a testosterona estão associadas ao desenvolvimento de DMPT em homens RTR.

Foi conduzida uma análise post hoc de um estudo de coorte7 prospectivo8 em um único centro, incluindo homens adultos RTR com um enxerto9 funcional ≥1 ano pós-transplante.

Os níveis de andrógenos10 foram avaliados por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem. O desenvolvimento de DMPT foi definido de acordo com os critérios da American Diabetes6 Association.

Foram incluídos 243 RTR do sexo masculino (com idade de 51 ± 14 anos), com mediana de diidrotestosterona de 0,9 (0,7-1,3) nmol/L e testosterona de 12,1 (9,4-15,8) nmol/L. Durante 5,3 (3,7-5,8) anos de acompanhamento, 28 RTR (11,5%) desenvolveram DMPT.

Observou-se uma associação clara, pois 15 (19%), 10 (12%) e 3 (4%) homens RTR desenvolveram DMPT nos respectivos tercis de diidrotestosterona (P = 0,008).

Nas análises de regressão de Cox, tanto a diidrotestosterona quanto a testosterona como variáveis ​​contínuas foram inversamente associadas ao risco de desenvolvimento de DMPT, independente de glicose11 e HbA1c12 (razão de risco [HR] 0,31 [IC 95% 0,16-0,59], P <0,001; e HR 0,32 [IC 95% 0,15-0,68], P = 0,003, respectivamente).

Esses resultados sugerem que baixos níveis de andrógenos10 são um novo fator de risco13 potencial modificável para o desenvolvimento de diabetes mellitus1 pós-transplante em homens receptores de transplante renal2.

Leia mais sobre "Transplante de órgãos", "Transplante renal2", "Diabetes Mellitus1" e "Uso de testosterona".

 

Fonte: Diabetes6 Care, publicação em 05 de outubro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Baixos níveis de andrógenos são um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus pós-transplante em homens receptores de transplante renal. Disponvel em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1403865/baixos-niveis-de-androgenos-sao-um-fator-de-risco-para-o-desenvolvimento-de-diabetes-mellitus-pos-transplante-em-homens-receptores-de-transplante-renal.htm>. Acesso em: 8 dez. 2021.

Complementos

1 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
2 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
6 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
7 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
8 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
9 Enxerto: 1. Na agricultura, é uma operação que se caracteriza pela inserção de uma gema, broto ou ramo de um vegetal em outro vegetal, para que se desenvolva como na planta que o originou. Também é uma técnica agrícola de multiplicação assexuada de plantas florais e frutíferas, que permite associar duas plantas diferentes, mas gerações próximas, muito usada na produção de híbridos, na qual uma das plantas assegura a nutrição necessária à gema, ao broto ou ao ramo da outra, cujas características procura-se desenvolver; enxertia. 2. Na medicina, é a transferência especialmente de células ou de tecido (por exemplo, da pele) de um local para outro do corpo de um mesmo indivíduo ou de um indivíduo para outro.
10 Andrógenos: Termo genérico para qualquer composto natural ou sintético, geralmente um hormônio esteróide, que estimula ou controla o desenvolvimento e manutenção das características masculinas em vertebrados ao ligar-se a receptores andrógenos. Isso inclui a atividade dos órgãos sexuais masculinos acessórios e o desenvolvimento de características sexuais secundárias masculinas. Também são os esteróides anabólicos originais. São precursores de todos os estrógenos, os hormônios sexuais femininos. São exemplos de andrógenos: testosterona, dehidroepiandrosterona (DHEA), androstenediona (Andro), androstenediol, androsterona e dihidrotestosterona (DHT).
11 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
12 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
13 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
Gostou do artigo? Compartilhe!