Gostou do artigo? Compartilhe!

A obesidade modifica o fenótipo energético da cardiomiopatia dilatada

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Em um estudo publicado pelo European Heart Journal, pesquisadores procuraram determinar se a energética do miocárdio1 poderia distinguir a cardiomiopatia da obesidade2 como uma entidade distinta da cardiomiopatia dilatada.

Dezesseis participantes com cardiomiopatia dilatada e peso normal (CMD-PN), e 27 com CMD e obesidade2 (CMD-OB), foram comparados a 26 controles de peso normal (CTL-PN). Todos foram submetidos a ressonância magnética3 cardíaca e espectroscopia 31P para avaliar a função e a energética.

Dezenove CMD-OB foram submetidos a avaliação de repetição após uma intervenção dietética para perda de peso.

Leia sobre "Doenças cardiovasculares4", "Obesidade2" e "Circunferência abdominal e doenças cardiovasculares4".

A entrega de adenosina trifosfato (ATP5) através da creatina quinase (fluxo de CK) foi 55% menor em participantes CMD-PN do que nos CTL-PN (P = 0,004), correlacionando-se com a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE, r = 0,4, P = 0,015).

Em contraste, apesar de FEVE semelhante (CMD-OB 41 ± 7%, CMD-PN 38 ± 6%, P = 0,14), o fluxo de CK foi duas vezes maior nos participantes CMD-OB (P <0,001), devido à maior taxa de CK (kf mediana 0,21 [0,14] vs. 0,11 [0,12] s-1, P = 0,002).

Durante o aumento da carga de trabalho, o coração6 de CTL-PN aumentou o fluxo de CK em 97% (P <0,001). Em contraste, o fluxo de CK permaneceu inalterado em participantes CMD-PN e caiu em participantes CMD-OB (em >50%, P <0,001).

A perda de peso intencional foi associada à remodelação ventricular esquerda positiva, com redução do volume diastólico final do ventrículo esquerdo (em 8%, P <0,001) e uma mudança na FEVE (40 ± 9% vs. 45 ± 10%, P = 0,002). Isso ocorreu juntamente com uma queda na taxa de entrega de ATP5 com a perda de peso (em 7%, P = 0,049).

O estudo concluiu que, no peso normal, a cardiomiopatia dilatada está associada à redução da entrega de ATP5 em repouso. Na cardiomiopatia da obesidade2, a demanda de ATP5 por meio de creatina quinase é maior, sugerindo eficiência reduzida de utilização de energia.

A perda de peso na dieta está associada a uma melhora significativa na contratilidade miocárdica e uma queda na distribuição de ATP5, sugerindo melhora na eficiência metabólica.

Isso destaca vias energéticas distintas na cardiomiopatia da obesidade2, que são diferentes da cardiomiopatia dilatada e podem ser reversíveis com a perda de peso.

Veja também sobre "Tratando a obesidade2", "Cardiomiopatia hipertrófica" e "Hipertrofia7 ventricular esquerda".

 

Fonte: European Heart Journal, publicação em 20 de setembro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. A obesidade modifica o fenótipo energético da cardiomiopatia dilatada. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1403445/a-obesidade-modifica-o-fenotipo-energetico-da-cardiomiopatia-dilatada.htm>. Acesso em: 8 dez. 2021.

Complementos

1 Miocárdio: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo. Sinônimos: Músculo Cardíaco; Músculo do Coração
2 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
3 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
4 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
5 ATP: Adenosina Trifosfato (ATP) é nucleotídeo responsável pelo armazenamento de energia. Ela é composta pela adenina (base azotada), uma ribose (açúcar com cinco carbonos) e três grupos de fosfato conectados em cadeia. A energia é armazenada nas ligações entre os fosfatos. O ATP armazena energia proveniente da respiração celular e da fotossíntese, para consumo imediato, não podendo ser estocada. A energia pode ser utilizada em diversos processos biológicos, tais como o transporte ativo de moléculas, síntese e secreção de substâncias, locomoção e divisão celular, dentre outros.
6 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
7 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
Gostou do artigo? Compartilhe!