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Doença cardíaca congênita mais grave foi associada a menor QI em crianças, com uma redução de 10 pontos em comparação a crianças saudáveis

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Embora a doença cardíaca congênita1 (DCC) seja conhecida por estar associada ao comprometimento cognitivo2 em crianças, as formas mais graves da doença resultam em piores desfechos neurocognitivos, de acordo com uma metanálise de 74 estudos.

A estimativa geral do QI3 total nas 3.645 crianças incluídas com DCC foi de 96,03, relatou Maria Feldmann, MD, PhD, do University Children's Hospital Zurich na Suíça, e colegas.

Crianças com Síndrome4 de Hipoplasia5 do Coração6 Esquerdo (SHCE) e coração6 univentricular (CU) tiveram escores médios de QI3 significativamente mais baixos, em 88,47 e 92,65, respectivamente, em comparação com aquelas com subtipos mais leves de DCC, como defeito do septo atrial (DSA) ou defeito do septo ventricular (DSV), que tinham um QI3 médio de 98,51.

“A proporção de crianças com SHCE e CU com desempenho na faixa anormal de QI3 é maior, provavelmente correspondendo a uma maior necessidade de suporte educacional”, os pesquisadores explicaram no artigo publicado na revista Pediatrics.

Leia sobre "Cardiopatias congênitas7" e "Deficiência intelectual".

Quando comparado com grupos de pares saudáveis, o déficit de QI3 em crianças com DCC foi mais pronunciado, com uma diferença média de -9,9 pontos.

“Fazer a correspondência entre crianças com DCC e pares saudáveis ​​permite controlar fatores de confusão, como fatores sociodemográficos ou o efeito Flynn (que descreve a melhora no desempenho nos testes de QI3 ao longo do tempo)”, escreveu a equipe.

“Nossa análise é a primeira comparação direta de subgrupos de DCC em um nível metanalítico e revela que os subtipos de DCC mais graves apresentam resultados piores”, observaram eles.

No artigo, os pesquisadores contextualizam que prejuízos da função cognitiva8 e da função executiva9 (FE) contribuem para a carga de longo prazo das doenças cardíacas congênitas7 (DCC). No entanto, o grau e o perfil das deficiências são insuficientemente descritos.

Assim, o objetivo do estudo foi revisar sistematicamente e metanalisar as evidências sobre a função cognitiva8 e os resultados de FE em crianças em idade escolar operadas para DCC e identificar os fatores de risco para um resultado desfavorável.

As fontes de dados utilizadas foram Cochrane, Embase, Medline e PsycINFO. Foram selecionados estudos originais revisados ​​por pares relatando resultados cognitivos10 ou de FE em crianças de 5 a 17 anos com DCC após cirurgia de circulação11 extracorpórea.

Os resultados das avaliações de QI3 e FE foram extraídos e as estimativas foram transformadas em médias e erro padrão (EP). Diferenças médias padronizadas foram calculadas para comparação com controles saudáveis.

Entre 74 estudos (3.645 crianças com DCC) relatando QI3 total, a estimativa resumida foi de 96,03 (intervalo de confiança de 95%: 94,91 a 97,14).

Coortes de Síndrome4 de Hipoplasia5 do Coração6 Esquerdo e de coração6 univentricular tiveram desempenho significativamente pior do que coortes com defeito do septo atrial e ventricular (P = 0,0003; P = 0,027).

Uma idade mais avançada na avaliação foi associada a escores de QI3 mais baixos em coortes com transposição das grandes artérias12 (P = 0,014).

Entre 13 estudos (774 crianças com DCC) relatando FE em comparação com controles, a diferença média padronizada foi -0,56 (intervalo de confiança de 95%: -0,65 a -0,46) sem predileção por um domínio específico de FE ou efeito da idade.

Limitações do estudo incluíram que a heterogeneidade entre os estudos era grande.

Concluiu-se que deficiências intelectuais na doença cardíaca congênita1 são frequentes, com gravidade e trajetória dependendo do subtipo de DCC. O desempenho da função executiva9 é pior em crianças com doença cardíaca congênita1 sem um perfil de função executiva9 específico.

A heterogeneidade nas populações estudadas e avaliações aplicadas é grande. Uma diretriz de teste uniforme é urgentemente necessária.

Veja também sobre "Doenças cardiovasculares13", "Distúrbios de aprendizagem escolar" e "Brincadeiras que estimulam o cérebro14 da criança".

 

Fontes:
Pediatrics, Vol. 148, Nº 4, em 01 de outubro de 2021.
MedPage Today, notícia publicada em 24 de setembro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Doença cardíaca congênita mais grave foi associada a menor QI em crianças, com uma redução de 10 pontos em comparação a crianças saudáveis. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1403085/doenca-cardiaca-congenita-mais-grave-foi-associada-a-menor-qi-em-criancas-com-uma-reducao-de-10-pontos-em-comparacao-a-criancas-saudaveis.htm>. Acesso em: 8 dez. 2021.

Complementos

1 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
2 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
3 QI: O QI é utilizado para dimensionar a inteligência humana em relação à faixa etária a que um sujeito pertence. Em 1905, os franceses Alfred Binet e Theodore Simon desenvolveram uma ferramenta para avaliar os potenciais cognitivos dos estudantes, tentando detectar entre eles aqueles que precisavam de um auxílio maior de seus mestres, criando a Escala de Binet-Simon. Outros estudiosos aperfeiçoaram esta metodologia. William Stern foi quem, em 1912, propôs o termo “QI“. O Quociente de Inteligência é a razão entre a Idade Mental e a Cronológica, multiplicada por 100 para se evitar a utilização dos decimais. Seguindo-se este indicador, é possível avaliar se um infante é precoce ou se apresenta algum retardamento no aprendizado. Os que apresentam o quociente em torno de 100 são considerados normais, os acima deste resultado revelam-se precoces e os que alcançam um valor mais inferior (cerca de 70) são classificados como retardados. Uma alta taxa de QI não indica que o indivíduo seja mentalmente são, ou mesmo feliz, e também não avalia outros potenciais e capacidades, tais como as artísticas e as de natureza espiritual. O QI mede bem os talentos linguísticos, os pensamentos lógicos, matemáticos e analíticos, a facilidade de abstração em construções teóricas, o desenvolvimento escolar, o saber acadêmico acumulado ao longo do tempo. Os grandes gênios do passado, avaliados dessa forma, apresentavam uma taxa de aproximadamente 180, o que caracteriza um superdotado.
4 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
5 Hipoplasia: Desenvolvimento defeituoso ou incompleto de tecido ou órgão, geralmente por diminuição do número de células, sendo menos grave que a aplasia.
6 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
7 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
8 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
9 Função executiva: Também conhecida como controle cognitivo ou sistema supervisor atencional é um conceito neuropsicológico que se aplica ao processo cognitivo responsável pelo planejamento e execução de atividades, que podem incluir, por exemplo, a iniciação de tarefas, memória de trabalho, atenção sustentada e inibição de impulsos.
10 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
11 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
12 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
13 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
14 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
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