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Uso de anestesia epidural durante o trabalho de parto foi associado a infecções nos recém-nascidos

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Para mulheres em trabalho de parto, a anestesia1 epidural2, ou peridural3, oferece alívio de algumas das piores dores que qualquer pessoa pode sentir. Mas isso poderia representar um risco para o bebê?

Sim, disseram pesquisadores chineses que publicaram um estudo de coortes combinadas no JAMA Network Open. As infecções4 entre os recém-nascidos ocorreram a uma taxa de 4,4% quando as mães receberam anestesia1 epidural2, contra 1,8% sem a anestesia1 (diferença de risco de 2,6 pontos percentuais).

Isso se traduziu em um risco relativo de 1,81 quando ajustado para a duração do trabalho de parto, relatou Lijie Jia, MD, PhD, da Shanghai Jiao Tong University, e colegas.

As taxas de sepse5 também foram significativamente maiores na coorte6 epidural2, mas esses eventos foram raros, ocorrendo em apenas 0,2% dos cerca de 15.000 nascimentos envolvendo anestesia1 epidural2.

Outros resultados neonatais, incluindo pneumonia7, enterocolite necrosante8 e baixa pontuação no Teste de Apgar não diferiram significativamente entre os grupos.

Mas alguns resultados maternos adversos foram mais comuns com uso de anestesia1 epidural2. Estes incluíram febre9 (15,4% vs 3,8%) e corioamnionite (7,4% vs 1,8%). As taxas de hemorragia10 pós-parto, no entanto, foram quase idênticas. (Na maioria dos casos, o ajuste para a duração do trabalho de parto atenuou um pouco as diferenças nas taxas brutas, observaram os pesquisadores.)

Leia sobre "Como é a anestesia1 peridural3 ou epidural2", "Trabalho de parto - como é" e "Septicemia11: o que é".

Para o estudo, Jia e colegas avaliaram o uso de anestesia1 epidural2 durante o trabalho de parto e infecção12 em recém-nascidos a termo com parto vaginal.

Os pesquisadores relatam que a quantificação das consequências potenciais associadas ao uso de anestesia1 epidural2 durante o trabalho de parto pode ajudar a melhorar a segurança e a qualidade do trabalho de parto e da assistência ao parto para parturientes13.

Assim, o objetivo do estudo foi avaliar a associação entre o uso de anestesia1 epidural2 durante o trabalho de parto e infecção12 neonatal em uma grande coorte6 de parturientes13.

Este estudo de coorte14 compatível com escore de propensão foi conduzido em um hospital universitário em Xangai, China. Mulheres com gravidez15 a termo submetidas a parto vaginal entre janeiro de 2013 e outubro de 2018 foram incluídas no estudo. Foram excluídas parturientes13 que já haviam tido outro parto antes, que tiveram parto prematuro (idade gestacional <37 semanas), que estavam grávidas com mais de 1 feto16 ou tiveram um natimorto. Os dados foram analisados ​​de outubro de 2019 a junho de 2020.

O desfecho primário foi a incidência17 de infecção12 neonatal, incluindo sepse5 neonatal, infecção12 neonatal não caracterizada, pneumonia7 neonatal e enterocolite necrosante8 neonatal relatada no prontuário médico. Os desfechos secundários incluíram a incidência17 de febre9 intraparto materna e corioamnionite histológica18.

Entre 37.786 parturientes13 incluídas (idade média [DP], 29,5 [3,0] anos), 19.968 (52,8%) receberam anestesia1 epidural2 durante o trabalho de parto.

Na coorte6 pareada por escore de propensão (incluindo 15.401 parturientes13 em cada grupo), o uso de anestesia1 epidural2 foi associado a uma maior incidência17 de infecção12 neonatal (diferença de risco absoluto, 2,6%, IC 95%, 2,2%-3,0%; relativo risco [RR], 2,43; IC 95%, 2,11-2,78), incluindo maior incidência17 de sepse5 (diferença de risco absoluto, 0,1%, IC 95%, 0,1%-0,2%; RR, 3,50; IC 95%, 1,73-7,07) e infecção12 não caracterizada (diferença de risco absoluto, 2,2%, IC 95%, 1,9%-2,6%; RR, 2,69; IC 95%, 2,30-3,15), em comparação com nenhum uso de anestesia1 epidural2.

O uso de anestesia1 epidural2 também foi associado a maior incidência17 de febre9 intraparto materna (RR, 4,12; IC 95%, 3,78-4,50) e corioamnionite histológica18 (RR, 4,08; IC 95%, 3,59-4,64) em comparação com nenhum uso de anestesia1 epidural2.

Este estudo de coorte14 descobriu que o uso de anestesia1 epidural2 em mulheres nulíparas19 a termo submetidas a parto vaginal estava associado a um risco aumentado de infecção12 neonatal. Esses resultados são pendentes de investigação mais aprofundada.

Essas descobertas apoiam os esforços para melhorar ainda mais a segurança e a qualidade do trabalho de parto e da assistência ao parto para parturientes13.

Veja também sobre "Tipos de anestesia1", "Diferenças entre anestesia1, analgesia e sedação20" e "Parto vaginal - como é".

 

Fontes:
JAMA Network Open, publicação em 15 de setembro de 2021.
MedPage Today, notícia publicada em 15 de setembro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Uso de anestesia epidural durante o trabalho de parto foi associado a infecções nos recém-nascidos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1401440/uso-de-anestesia-epidural-durante-o-trabalho-de-parto-foi-associado-a-infeccoes-nos-recem-nascidos.htm>. Acesso em: 18 out. 2021.

Complementos

1 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
2 Epidural: Mesmo que peridural. Localizado entre a dura-máter e a vértebra (diz-se do espaço do canal raquidiano). Na anatomia geral e na anestesiologia, é o que se localiza ou que se faz em torno da dura-máter.
3 Peridural: Mesmo que epidural. Localizado entre a dura-máter e a vértebra (diz-se do espaço do canal raquidiano). Na anatomia geral e na anestesiologia, é o que se localiza ou que se faz em torno da dura-máter.
4 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
5 Sepse: Infecção produzida por um germe capaz de provocar uma resposta inflamatória em todo o organismo. Os sintomas associados a sepse são febre, hipotermia, taquicardia, taquipnéia e elevação na contagem de glóbulos brancos. Pode levar à morte, se não tratada a tempo e corretamente.
6 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
7 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
8 Necrosante: Que necrosa ou que sofre gangrena; que provoca necrose, necrotizante.
9 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
10 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
11 Septicemia: Septicemia ou sepse é uma infecção generalizada grave que ocorre devido à presença de micro-organismos patogênicos e suas toxinas na corrente sanguínea. Geralmente ela ocorre a partir de outra infecção já existente.
12 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
13 Parturientes: Puérperas. Mulheres que estão prestes a dar à luz ou deram à luz há pouco tempo.
14 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
15 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
16 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
17 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
18 Histológica: Relativo à histologia, ou seja, relativo à disciplina biomédica que estuda a estrutura microscópica, composição e função dos tecidos vivos.
19 Nulíparas: Mulheres que nunca pariram.
20 Sedação: 1. Ato ou efeito de sedar. 2. Aplicação de sedativo visando aliviar sensação física, por exemplo, de dor. 3. Diminuição de irritabilidade, de nervosismo, como efeito de sedativo. 4. Moderação de hiperatividade orgânica.
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