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Técnica anestésica que preserva os movimentos está sendo desenvolvida por pesquisadores de Harvard

quinta-feira, 4 de outubro de 2007
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Técnica anestésica que preserva os movimentos está sendo desenvolvida por pesquisadores de Harvard

Estudo publicado na revista científica Nature mostra uma nova técnica anestésica que permite o alívio da dor com preservação dos movimentos. Trata-se da associação de capsaicina, substância responsável pelo sabor picante da pimenta malagueta, com QX-314, molécula derivada da lidocaína.

Bruce Bean, da Harvard Medical School, e colaboradores relatam que a capsaicina age sobre a TRPV1, uma proteína existente apenas na membrana dos neurônios sensitivos, células nervosas espalhadas pela pele, músculos e tendões (que têm a função de levar informações ao sistema nervoso central). Quando a capsaicina se acopla à TRPV1, abre canais na membrana celular. A molécula QX-314 entra nos neurônios por esses poros e, lá dentro, detém a atividade elétrica das células nervosas. A QX-314 não consegue invadir os neurônios motores, o que faz com que apenas os sinais de dor sejam bloqueados.

Esta combinação da capsaicina com o QX-314 funcionou em experimentos com animais vivos. Quando a combinação era injetada, as cobaias não reagiam ao estímulo doloroso aplicado em seus membros inferiores, mas mantinham os movimentos preservados.

 

Vários procedimentos médicos podem se beneficiar de uma anestesia local que não paralise os movimentos, como partos e procedimentos dentários. A nova técnica poderá ser usada também para bloquear alguns nervos, colaborando para diminuir a salivação e tratar a dor crônica de patologias dentárias.

 

As duas substâncias já têm seu uso aprovado na clínica médica e as expectativas são de que em três anos os estudos comecem a ser feitos em seres humanos. A previsão é de que a técnica seja tão segura quanto o uso de lidocaína.

 

Fonte: Nature

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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