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Uso de uma órtese removível se mostrou não inferior à imobilização gessada em adultos com fratura de tornozelo

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A cada ano, mais de 120.000 pessoas no Reino Unido sofrem uma fratura1 no tornozelo2. A frequência dessa lesão3 representa um fardo cada vez maior para o Serviço Nacional de Saúde4 do Reino Unido. Os adultos afetados são incapazes de se envolver em atividades físicas normais por períodos prolongados. O impacto qualitativo sobre os indivíduos é substancial, afetando a vida familiar e social, o sono, a sensação de independência e o bem-estar psicológico.

Convencionalmente, após a fratura1, o tornozelo2 é imobilizado em um molde rígido por várias semanas, o que permite que os ossos se curem, mas pode resultar em rigidez articular e fraqueza muscular.

Uma alternativa é uma órtese5 removível, que pode ser retirada para permitir o movimento precoce. O uso de uma órtese5 removível pode prevenir as consequências da imobilização rígida e ajudar a acelerar a recuperação. Ambos os métodos são usados ​​rotineiramente no Reino Unido.

Leia sobre "Fratura1 óssea", "Torção6 no tornozelo2" e "Queda em idosos".

Nesse contexto, o objetivo deste estudo, publicado pelo The British Medical Journal, foi avaliar a função, qualidade de vida, uso de recursos e complicações em adultos tratados com imobilização gessada versus uma órtese5 removível para fratura1 de tornozelo2.

Foi realizado um ensaio clínico controlado, randomizado7, multicêntrico, em 20 unidades de trauma do Serviço Nacional de Saúde4 do Reino Unido. Os participantes incluíram 669 adultos com 18 anos ou mais com fratura1 aguda do tornozelo2 adequada para imobilização por gesso: 334 foram randomizados para gesso e 335 para órtese5 removível.

Um gesso abaixo do joelho foi aplicado e exercícios de amplitude de movimento do tornozelo2 começaram quando da remoção do gesso. A órtese5 removível foi colocada e os exercícios de amplitude de movimento do tornozelo2 foram iniciados imediatamente.

O desfecho primário foi a pontuação no questionário Olerud Molander Ankle Score em 16 semanas, analisado pela intenção de tratar. Os desfechos secundários foram avaliação do Manchester-Oxford Foot Questionnaire, índice de classificação de deficiência, qualidade de vida e complicações em 6, 10 e 16 semanas.

A idade média dos participantes foi 46 anos (DP 17 anos) e 381 (57%) eram mulheres. 502 (75%) participantes completaram o estudo.

Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi encontrada na pontuação do questionário Olerud Molander de avaliação do tornozelo2 entre os grupos de gesso e órtese5 removível em 16 semanas (favorece a órtese5: 1,8, intervalo de confiança de 95% -2,0 a 5,6).

Nenhuma diferença clinicamente significativa foi encontrada nas pontuações do questionário Olerud Molander em outros momentos, nem nas análises secundárias não ajustadas, imputadas ou por protocolo.

Assim, o estudo concluiu que a moldagem de gesso tradicional não foi superior à órtese5 funcional em adultos com fratura1 de tornozelo2. Nenhuma diferença estatística foi encontrada na pontuação do questionário Olerud Molander de avaliação do tornozelo2 entre os braços do ensaio em 16 semanas.

Veja também sobre "Fratura1 espontânea", "Queda de alturas" e "Fratura1 exposta".

 

Fonte: The British Medical Journal, publicação em 06 de julho de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Uso de uma órtese removível se mostrou não inferior à imobilização gessada em adultos com fratura de tornozelo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1397985/uso-de-uma-ortese-removivel-se-mostrou-nao-inferior-a-imobilizacao-gessada-em-adultos-com-fratura-de-tornozelo.htm>. Acesso em: 19 set. 2021.

Complementos

1 Fratura: Solução de continuidade de um osso. Em geral é produzida por um traumatismo, mesmo que possa ser produzida na ausência do mesmo (fratura patológica). Produz como sintomas dor, mobilidade anormal e ruídos (crepitação) na região afetada.
2 Tornozelo: A região do membro inferior entre o PÉ e a PERNA.
3 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Órtese: Qualquer aparelho externo usado para imobilizar ou auxiliar os movimentos dos membros ou da coluna vertebral.
6 Torção: 1. Ato ou efeito de torcer. 2. Na geometria diferencial, é a medida da derivada do vetor binormal em relação ao comprimento de arco. 3. Em física, é a deformação de um sólido em que os planos vizinhos, transversais a um eixo comum, sofrem, cada um deles, um deslocamento angular relativo aos outros planos. 4. Em medicina, é o mesmo que entorse. 5. Na patologia, é o movimento de rotação de um órgão sobre si mesmo. 6. Em veterinária, é a cólica de alguns animais, especialmente a do cavalo.
7 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
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