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Medicamentos para pressão arterial que cruzam a barreira hematoencefálica podem ajudar a preservar a recordação da memória em idosos

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Uma metanálise de 14 estudos sugere que o uso de agentes anti-hipertensivos conhecidos por cruzarem a barreira hematoencefálica foi associado a uma melhora na recordação da memória ao longo do tempo em comparação com agentes não penetrantes em idosos com hipertensão1, apesar de apresentarem uma carga de risco vascular2 mais elevada.

No novo estudo, publicado no periódico Hypertension, os pesquisadores avaliaram a relação entre o uso de drogas voltadas para o sistema renina-angiotensina que atravessam a barreira hematoencefálica e a cognição3 em idosos. 

“As pesquisas têm sido mistas sobre quais medicamentos têm mais benefícios para a cognição”, disse o investigador do estudo Daniel Nation, PhD, professor associado de ciências psicológicas do Instituto para Deficiências de Memória e Distúrbios Neurológicos da Universidade da Califórnia, Irvine, em um comunicado da American Heart Association. “Estudos de bloqueadores do receptor da angiotensina II e inibidores da enzima4 de conversão da angiotensina (ECA) sugeriram que esses medicamentos podem conferir o maior benefício para a cognição3 em longo prazo, enquanto outros estudos mostraram os benefícios dos bloqueadores dos canais de cálcio e diuréticos5 na redução do risco de demência6.”

Leia sobre "Os mecanismos de ação dos anti-hipertensivos", "Hipertensão Arterial7" e "Quando a perda de memória não é normal".

A hipertensão1 é um fator de risco8 estabelecido para declínio cognitivo9 e demência6 em idosos, destacando a importância potencial dos tratamentos anti-hipertensivos nos esforços de prevenção.

O trabalho em torno dos tratamentos anti-hipertensivos sugeriu possíveis efeitos salutares na cognição3 e na neuropatologia. Vários estudos destacaram especificamente os medicamentos do sistema renina-angiotensina, incluindo bloqueadores do receptor AT1 e inibidores da enzima4 de conversão da angiotensina, como potencialmente benéficos à cognição3 na vida adulta.

Um pequeno número de estudos sugeriu ainda que os medicamentos do sistema renina-angiotensina que cruzam a barreira hematoencefálica podem estar associados a um menor risco de demência6 em comparação com seus equivalentes não penetrantes.

Nesse contexto, a presente metanálise buscou avaliar os benefícios cognitivos10 potenciais de drogas voltadas para o sistema renina-angiotensina que atravessam a barreira hematoencefálica em relação aos seus equivalentes não penetrantes.

Os pesquisadores harmonizaram os dados longitudinais dos participantes de 14 coortes de 6 países (Austrália, Canadá, Alemanha, Irlanda, Japão, Estados Unidos), para um total de 12.849 indivíduos no início do estudo, e avaliaram o potencial de cruzamento da barreira hematoencefálica em medicamentos anti-hipertensivos usados ​​por participantes cognitivamente normais.

Foram analisados 7 domínios cognitivos10 (atenção, função executiva11, linguagem, aprendizagem da memória verbal, memória, estado mental e velocidade de processamento) usando ANCOVA (ajustada para idade, sexo e educação) e metanálises.

Os idosos que tomaram medicamentos do sistema renina-angiotensina que cruzam a barreira hematoencefálica exibiram melhor recordação da memória por até 3 anos de acompanhamento, em comparação com aqueles que tomaram medicamentos não penetrantes, apesar de sua carga de risco vascular2 relativamente maior.

Por outro lado, aqueles que tomaram medicamentos não penetrantes da barreira hematoencefálica mostraram melhor atenção durante o mesmo período de acompanhamento, embora sua carga de risco vascular2 mais baixa possa explicar parcialmente esse resultado.

Assim, os resultados sugerem ligações entre as drogas voltadas para o sistema renina-angiotensina que atravessam a barreira hematoencefálica e menor declínio da memória.

“Essas descobertas representam a evidência mais poderosa até o momento ligando os inibidores da ECA penetrantes no cérebro12 e os bloqueadores do receptor da angiotensina a uma memória melhor. Isso sugere que as pessoas que estão sendo tratadas para hipertensão1 podem ficar protegidas do declínio cognitivo9 se usarem medicamentos que cruzem a barreira hematoencefálica”, disse a co-investigadora do estudo Jean K. Ho, PhD, pós-doutoranda na Universidade da Califórnia, Irvine, na declaração acima mencionada.

Veja também sobre "Como melhorar a sua memória", "Distúrbio neurocognitivo" e "Envelhecimento cerebral normal ou patológico".

 

Fontes:
Hypertension, publicação em 21 de junho de 2021.
Practical Cardiology, notícia publicada em 21 de junho de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Medicamentos para pressão arterial que cruzam a barreira hematoencefálica podem ajudar a preservar a recordação da memória em idosos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1397710/medicamentos-para-pressao-arterial-que-cruzam-a-barreira-hematoencefalica-podem-ajudar-a-preservar-a-recordacao-da-memoria-em-idosos.htm>. Acesso em: 2 ago. 2021.

Complementos

1 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
2 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
3 Cognição: É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, percepção, classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas.
4 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
5 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
6 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
7 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
8 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
9 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
10 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
11 Função executiva: Também conhecida como controle cognitivo ou sistema supervisor atencional é um conceito neuropsicológico que se aplica ao processo cognitivo responsável pelo planejamento e execução de atividades, que podem incluir, por exemplo, a iniciação de tarefas, memória de trabalho, atenção sustentada e inibição de impulsos.
12 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
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