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Estudo identificou sintomas neuropsiquiátricos associados à doença de pequenos vasos cerebrais

quinta-feira, 4 de março de 2021
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Estudo identificou sintomas neuropsiquiátricos associados à doença de pequenos vasos cerebrais

A doença de pequenos vasos cerebrais, uma causa comum de demência vascular, é frequentemente considerada clinicamente silenciosa antes que a demência ou acidente vascular cerebral se tornem aparentes. Entretanto, alguns indivíduos apresentam sintomas sutis associados a lesões agudas de ressonância magnética.

O objetivo deste estudo, publicado pelo The Lancet Psychiatry, foi determinar se os sintomas neuropsiquiátricos e cognitivos variam de acordo com a carga de doença de pequenos vasos.

Saiba mais sobre "Demência vascular", "Distúrbio neurocognitivo" e "AVC ou derrame".

Nesta revisão sistemática e metanálise, pesquisou-se MEDLINE, EMBASE e PsycINFO em busca de artigos publicados em qualquer idioma desde o início do banco de dados até 24 de janeiro de 2020. Buscou-se estudos que avaliaram ansiedade, apatia, delírio, labilidade emocional, fadiga, mudança de personalidade, psicose, sintomas comportamentais ou sintomas cognitivos relacionados à demência (incluindo queixas subjetivas de memória) e características radiológicas de doença de pequenos vasos cerebrais.

Foram extraídos odds ratios (OR) relatados, diferenças médias padronizadas (DMP) e correlações, estratificou-se os resultados por gravidade da doença ou presença ou ausência de sintomas, e agrupou-se dados usando metanálises de efeitos aleatórios, relatando resultados ajustados quando possível. Foi avaliado o viés nos estudos incluídos usando a ferramenta Risco de Viés para Estudos Não Randomizados.

Dos 7.119 artigos identificados, 81 estudos, incluindo 79 coortes no total, eram elegíveis para inclusão (n = 21.730 participantes, idade média de 69,2 anos). Destes 81 estudos, 45 (8.120 participantes) relataram estimativas de efeito.

Foram encontradas associações entre pior gravidade da hiperintensidade da substância branca (HSB) e apatia (OR 1,41, IC 95% 1,05-1,89) e a DMP ajustada no escore de apatia entre as gravidades da HSB foi de 0,38 (IC 95% 0,15-0,61).

A pior gravidade da HSB também foi associada com delírio (OR ajustado 2,9, IC 95% 1,12-7,55) e fadiga (OR não ajustado 1,63, IC 95% 1,20-2,22).

HSBs não foram consistentemente associadas com queixas subjetivas de memória (OR 1,34, IC 95% 0,61-2,94) e a DMP não ajustada para a gravidade da HSB entre esses grupos foi de 0,08 (IC 95% -0,31 a 0,47).

Ansiedade, comportamentos relacionados à demência, labilidade emocional e psicose eram muito variados ou esparsos para uma metanálise; esses fatores foram revisados ​​narrativamente. A heterogeneidade geral variou de 0% a 79%. Apenas cinco estudos tiveram um baixo risco de viés em todos os domínios.

A interpretação feita a partir do estudo foi que apatia, fadiga e delírio se associaram independentemente com pior hiperintensidade da substância branca, ao passo que queixas cognitivas subjetivas não. A associação de ansiedade, comportamentos relacionados à demência, labilidade emocional e psicose com doença de pequenos vasos cerebrais requer investigação adicional.

Esses sintomas devem ser avaliados longitudinalmente para melhorar a detecção clínica precoce da doença de pequenos vasos e permitir que ensaios de prevenção aconteçam no início do curso da doença, muito antes do declínio da cognição.

Leia sobre "Doenças cerebrovasculares", "Ansiedade normal e patológica" e "Diferenças entre delírio, delirium e delirium tremens".

 

Fonte: The Lancet Psychiatry, Vol. 8, Nº 3, em 01 de março de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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