Gostou do artigo? Compartilhe!

Redução da albuminúria foi associada a menos desfechos cardiovasculares e renais no diabetes tipo 2: uma análise do estudo LEADER

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Uma análise post hoc para investigar a associação entre as alterações apresentadas durante um ano na albuminúria1 e o risco subsequente de eventos cardiovasculares e renais em pacientes diabéticos foi publicada pelo Diabetes2 Care.

No estudo randomizado3 com liraglutida até 1,8 mg/dia versus placebo4 adicionado ao tratamento padrão por 3,5-5 anos em 9.340 participantes com diabetes tipo 25 e alto risco cardiovascular, foi calculada a mudança na relação albumina6/creatinina7 urinária (UACR) desde o início do estudo até um ano em participantes com > 30% de redução (n = 2.928), redução de 30–0% (n = 1.218) ou qualquer aumento no UACR (n = 4.124), independentemente do tratamento. Usando a regressão de Cox, riscos de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) e um resultado de nefropatia8 composta (de 1 ano até o final do ensaio em subgrupos por UACR basal [<30 mg/g, 30-300 mg/g ou ≥300 mg/g]) foram avaliados. A análise foi ajustada para alocação de tratamento sozinho como um fator fixo e para variáveis basais associadas a resultados cardiovasculares e renais.

Os resultados para os riscos de eventos cardiovasculares adversos maiores, as razões de risco (HRs) para aqueles com redução de UACR> 30% e 30–0% foram de 0,82 (IC de 95% 0,71, 0,94; P = 0,006) e 0,99 (0,82, 1,19; P = 0,912), respectivamente, em comparação com qualquer aumento no UACR (referência). Para o desfecho de nefropatia8 composta, os respectivos HRs foram 0,67 (0,49, 0,93; P = 0,02) e 0,97 (0,66, 1,43; P = 0,881). Os resultados foram independentes do UACR basal e consistentes em ambos os grupos de tratamento. Após o ajuste, os HRs foram significativos e consistentes em subgrupos de redução > 30% com micro ou macroalbuminúria9 basal.

Concluiu-se que a redução da albuminúria1 durante o primeiro ano foi associada a menos desfechos cardiovasculares e renais, independentemente do tratamento. O monitoramento da albuminúria1 continua sendo uma parte importante do tratamento do diabetes2, com grande potencial não utilizado.

Veja mais em "Diabetes mellitus10", "Nefropatia8 diabética" e "O que afeta o comportamento da sua glicemia11?"

Fonte: Diabetes2 Care, publicação de janeiro de 2021

NEWS.MED.BR, 2021. Redução da albuminúria foi associada a menos desfechos cardiovasculares e renais no diabetes tipo 2: uma análise do estudo LEADER. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1387515/reducao-da-albuminuria-foi-associada-a-menos-desfechos-cardiovasculares-e-renais-no-diabetes-tipo-2-uma-analise-do-estudo-leader.htm>. Acesso em: 22 jun. 2021.

Complementos

1 Albuminúria: Presença de albumina na urina. A albuminúria pode ser um sinal de nefropatia diabética (doença nos rins causada pelas complicações do diabetes mal controlado) ou aparecer em infecções urinárias.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
4 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
5 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
6 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
7 Creatinina: Produto residual das proteínas da dieta e dos músculos do corpo. É excretada do organismo pelos rins. Uma vez que as doenças renais progridem, o nível de creatinina aumenta no sangue.
8 Nefropatia: Lesão ou doença do rim.
9 Macroalbuminúria: Macroalbuminúria ou nefropatia clínica, também conhecida como fase de proteinúria. Nesta fase, os pacientes apresentam excreção urinária de albumina maior ou igual a 200 microgramas por minuto ou proteinúria maior ou igual a 500 mg em 24 horas.
10 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
11 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
Gostou do artigo? Compartilhe!