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Descompressão cirúrgica dentro de 24 horas após lesão medular aguda está associada a uma melhor recuperação sensório-motora

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Embora haja uma forte justificativa biológica para a descompressão1 precoce da medula espinhal2 lesada, a influência do momento da descompressão1 cirúrgica para lesão3 medular (LM) aguda permanece debatida, com substancial variabilidade na prática clínica.

O objetivo desse estudo, publicado no The Lancet Neurology, foi avaliar objetivamente o efeito do momento da cirurgia descompressiva para LM aguda em resultados neurológicos de longo prazo.

Foi feita uma análise conjunta de dados individuais de pacientes derivados de quatro fontes de dados independentes, prospectivas e multicêntricas, incluindo dados de dezembro de 1991 a março de 2017. Três desses estudos foram publicados; destes, apenas um estudo previamente analisou especificamente o efeito do momento de descompressão1 cirúrgica. Esses quatro conjuntos de dados foram selecionados porque estavam entre os conjuntos de dados sobre LM aguda de mais alta qualidade disponíveis e continham dados altamente granulares. Os dados individuais dos pacientes foram obtidos por solicitação aos autores do estudo.

Leia sobre "Lesões4 da medula espinhal2", "Politraumatismo" e "Acidentes de trânsito".

Todos os pacientes submetidos à cirurgia descompressiva para LM aguda dentro desses conjuntos de dados foram incluídos. Os pacientes foram estratificados em grupos de descompressão1 precoce (< 24h após a lesão3 espinhal) e tardia (≥ 24h após a lesão3 espinhal).

Os resultados neurológicos foram avaliados pelo exame da American Spinal Injury Association (ASIA) ou pelo exame International Standards for Neurological Classification of Spinal Cord Injury (ISNCSCI).

O desfecho primário foi a mudança no escore motor total desde o início até 1 ano após a lesão3 medular. Os desfechos secundários foram o grau da ASIA Impairment Scale (AIS) e a mudança no escore motor dos membros superiores, escore motor dos membros inferiores, escore de toque leve e escore de picada de alfinete após 1 ano.

Metanálises de um estágio foram feitas por meio de ajuste de regressão hierárquica de efeitos mistos para pontuação basal, idade, mecanismo de lesão3, grau de AIS, nível de lesão3 e administração de metilprednisolona. Os tamanhos de efeito foram resumidos por diferença média (DM) para pontuações sensório-motoras e odds ratio comum (cOR) para grau de AIS, com ICs de 95% correspondentes.

Como uma análise secundária, a mudança no escore motor total foi regredida em relação ao tempo até a descompressão1 cirúrgica (h) como uma variável contínua, usando um spline cúbico restrito com ajuste para as mesmas covariáveis ​​da análise primária.

Foram identificados 1.548 pacientes elegíveis a partir dos quatro conjuntos de dados. Os dados dos resultados em 1 ano após a lesão3 medular estavam disponíveis para 1.031 pacientes (66,6%).

Os pacientes submetidos à descompressão1 cirúrgica precoce (n = 528) tiveram uma recuperação maior do que os pacientes que realizaram a cirurgia de descompressão1 tardia (n = 1020) 1 ano após a lesão3 espinhal; escores motores totais melhoraram em 23,7 pontos (IC 95% 19,2–28,2) no grupo de cirurgia precoce versus 19,7 pontos (15,3–24,0) no grupo de cirurgia tardia (DM 4,0 pontos [1,7–6,3]; p = 0,0006), escores de toque leve melhoraram em 19,0 pontos (15,1–23,0) vs 14,8 pontos (11,2–18,4; DM 4,3 [1,6–7,0]; p = 0,0021), e escores de picada de alfinete melhoraram em 18,3 pontos (13,7–22,9) vs 14,2 pontos (9,8– 18,6; DM 4,0 [1,5–6,6]; p = 0,0020).

Os pacientes que tiveram descompressão1 precoce também tiveram melhores graus de AIS em 1 ano após a cirurgia, indicando comprometimento menos grave, em comparação com pacientes que tiveram cirurgia tardia (cOR 1,48 [IC 95% 1,16–1,89]; p = 0,0019).

Quando o tempo para a descompressão1 cirúrgica foi modelado como uma variável contínua, houve um declínio acentuado na mudança no escore motor total com o aumento do tempo durante as primeiras 24–36h após a lesão3 (p <0,0001); e após 36h, a mudança no escore motor total estabilizou.

O estudo concluiu que a descompressão1 cirúrgica em 24 horas após a lesão3 medular aguda está associada a uma melhor recuperação sensório-motora. As primeiras 24-36h após a lesão3 parecem representar uma janela de tempo crucial para atingir a recuperação neurológica ideal com cirurgia descompressiva após lesão3 medular aguda.

Veja também sobre "Tetraplegia", "Paraplegia5" e "Atendimento de urgência6".

 

Fonte: The Lancet Neurology, publicação em 21 de dezembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Descompressão cirúrgica dentro de 24 horas após lesão medular aguda está associada a uma melhor recuperação sensório-motora. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1385895/descompressao-cirurgica-dentro-de-24-horas-apos-lesao-medular-aguda-esta-associada-a-uma-melhor-recuperacao-sensorio-motora.htm>. Acesso em: 5 mar. 2021.

Complementos

1 Descompressão: Ato ou efeito de descomprimir, de aliviar o que está sob efeito de pressão ou de compressão.
2 Medula Espinhal:
3 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
5 Paraplegia: Perda transitória ou definitiva da capacidade de realizar movimentos devido à ausência de força muscular de ambos os membros inferiores. A causa mais freqüente é a lesão medular por traumatismos.
6 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
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