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Treinamento com exercícios de resistência pode ajudar a aliviar sintomas de ansiedade entre jovens adultos

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Já existem muitas evidências de que os exercícios ajudam a evitar a ansiedade e a depressão e outros males mentais, e que os exercícios podem elevar os sentimentos de felicidade e contentamento. Mas a maioria dos estudos anteriores sobre exercícios e humor analisou os efeitos dos exercícios aeróbicos, como correr em uma esteira ou andar de bicicleta ergométrica.

Os cientistas só recentemente começaram a investigar se, e como, o treinamento com pesos também pode afetar a saúde1 mental.

Agora um novo estudo, publicado pela revista Scientific Reports, que envolveu adultos jovens saudáveis, halteres e afundos, indica que o treinamento regular com pesos reduz substancialmente a ansiedade. Os resultados mostraram que um programa básico de afundos, elevações, agachamentos e abdominais aliviou os níveis de ansiedade em homens e mulheres jovens saudáveis.

O ensaio teve como objetivo quantificar os efeitos do treinamento com exercícios de resistência (TER) ecologicamente válido sobre os sintomas2 de ansiedade e preocupação entre adultos jovens. Adultos jovens que não atendiam aos critérios para Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) subclínico ou analógico foram randomizados para uma intervenção TER de oito semanas, ou lista de espera de oito semanas.

Leia sobre "Atividade física", "Treinamento funcional", "Ansiedade normal e patológica" e "Transtorno de Ansiedade Generalizada".

O status de TAG foi determinado usando escores de corte validados para a subescala Psychiatric Diagnostic Screening Questionnaire-Generalized Anxiety Disorder (≥6) e para o Penn State Worry Questionnaire (≥45). O desfecho primário foram os sintomas2 de ansiedade medidos com a subescala de Traço de Ansiedade do State-Trait Anxiety Inventory.

O software RM-ANCOVA examinou diferenças entre os grupos de TER e de lista de espera ao longo do tempo. Interações significativas foram decompostas com análise de efeitos simples. Os tamanhos de efeito d de hedge quantificaram a magnitude das diferenças na mudança entre TER e lista de espera.

O TER foi projetado de acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde1 e do American College of Sports Medicine. Ambas as organizações recomendam o fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, e foi isso que os voluntários começaram a fazer. Após a instrução inicial dos pesquisadores, os voluntários iniciaram um programa básico de afundos, elevações, agachamentos e abdominais, às vezes usando halteres e outros equipamentos.

O treinamento continuou por oito semanas. Durante todo o tempo, ambos os grupos repetiram periodicamente os testes de seus níveis de ansiedade, inclusive no final do programa completo. (Após o término do estudo, o grupo de controle teve a opção de iniciar a rotina de treinamento com pesos.)

Vinte e oito participantes (64% mulheres) engajaram totalmente no estudo (idade média: 26,0 ± 6,2 anos, TER: n = 14; Lista de espera: n = 14). Uma interação significativa de grupo X tempo foi encontrada para sintomas2 de ansiedade (F(3,66) = 3,60, p ≤0,019; d = 0,85, IC 95%: 0,06 a 1,63).

TER reduziu significativamente os sintomas2 de ansiedade desde o início até a pós-intervenção (diferença média = -7,89, p ≤0,001).

Nenhuma interação significativa foi encontrada para preocupação (F(3,69) = 0,79, p ≥0,50; d = -0,22, IC 95%: -0,96 a 0,53).

Dessa forma, o grupo de controle, em sua maior parte, manteve seus baixos níveis originais de ansiedade. Eles ainda se sentiam tão tranquilos quanto oito semanas antes.

Mas aqueles participantes que praticaram o treinamento com exercícios de resistência tiveram uma pontuação cerca de 20% melhor nos testes de ansiedade. Eles começaram com baixos níveis de ansiedade, mas ao final se sentiam ainda menos ansiosos.

O estudo concluiu que o treinamento com exercícios de resistência ecologicamente válido melhora significativamente os sintomas2 de ansiedade entre os adultos jovens.

Este efeito foi “maior do que o previsto”, diz Brett Gordon, atualmente um pós-doutorando no Penn State Cancer3 Institute da Penn State College of Medicine, que foi coautor do estudo com Matthew Herring, Cillian McDowell e Mark Lyons. Os benefícios para a saúde1 mental foram maiores, de fato, do que aqueles frequentemente observados em estudos de exercícios aeróbicos e ansiedade. Mas o Dr. Gordon adverte que tais comparações são limitadas, uma vez que os vários experimentos usam diferentes quantidades de exercícios e medidas de humor.

O novo estudo também não investigou como o treinamento com pesos pode afetar a ansiedade. Mas o Dr. Gordon e seus colegas suspeitam de um aumento na potência física e psicológica. Aqueles que praticaram treinamento de resistência se tornaram mais fortes com o tempo e capazes de levantar pesos maiores. “Sentimentos de domínio podem ter ocorrido” então, diz ele, deixando as pessoas se sentindo geralmente mais capazes de lidar com as situações. Mudanças moleculares nos músculos4 e no cérebro5 daqueles que treinaram provavelmente também ocorreram e contribuíram para melhorias em seu humor, diz ele, observando que estudos futuros podem ajudar a detalhar algumas dessas mudanças.

Veja também sobre "O que é saúde1 mental" e "Por que as pessoas são mais ansiosas hoje em dia do que antigamente".

 

Fontes:
Scientific Reports, publicação em 16 de outubro de 2020.
The New York Times, notícia publicada em 04 de novembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Treinamento com exercícios de resistência pode ajudar a aliviar sintomas de ansiedade entre jovens adultos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1382888/treinamento-com-exercicios-de-resistencia-pode-ajudar-a-aliviar-sintomas-de-ansiedade-entre-jovens-adultos.htm>. Acesso em: 22 abr. 2021.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
5 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
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