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Par de biomarcadores da função cerebral ajudam a detectar a perda auditiva oculta em pessoas com audição normal

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Um par de biomarcadores da função cerebral pode ajudar a explicar por que algumas pessoas com audição normal têm dificuldade para acompanhar conversas em ambientes barulhentos, diz uma equipe de pesquisadores da Harvard Medical School no Massachusetts Eye and Ear. Um biomarcador representa o esforço de escuta e o outro mede a capacidade de processar mudanças rápidas nas frequências.

Essa dificuldade auditiva, conhecida como perda auditiva oculta, refere-se a dificuldades auditivas que se acredita serem decorrentes de conectividade e comunicação anormais de células nervosas1 no cérebro2 e no ouvido. Os testes de audição convencionais não detectam alterações neurais que interferem em como processamos os sons em níveis mais altos.

Em um esforço para detectar perda auditiva oculta, os pesquisadores desenvolveram dois conjuntos de testes que administraram a um pequeno grupo de indivíduos jovens e de meia-idade com audição clinicamente normal. O estudo descrevendo as descobertas foi publicado na revista eLife.

Leia sobre "Deficiência auditiva" e "Tratamento da surdez neurossensorial".

Em ambientes sociais, as formas de onda da fala provenientes de alto-falantes próximos se misturam em nossos canais auditivos. Normalmente, o cérebro2 descompõe o fluxo de fala ouvido do coro de alto-falantes de fundo usando uma combinação de processamento temporal rápido e mecanismos cognitivos3 de escuta ativa.

De >100.000 registros de pacientes, aproximadamente 10% dos adultos se consultaram na clínica Massachusetts Eye and Ear por causa da audição reduzida, apenas para descobrir que sua audição era clinicamente normal e não deveria causar dificuldades de comunicação.

Os pesquisadores descobriram que os limiares de inteligibilidade da fala com vários falantes variam amplamente em adultos com audição normal, mas podem ser previstos desde o bloqueio de fase neural até as pistas de modulação de frequência (MF) medidos com registros de EEG no canal auditivo.

Um dos testes realizados mediu sinais4 elétricos da superfície do canal auditivo para capturar como os primeiros estágios do processamento de som pelo cérebro2 codificavam flutuações sutis, mas rápidas, nas ondas sonoras. Para o segundo teste, os participantes usaram óculos especializados que podiam medir as mudanças no diâmetro da pupila enquanto focavam sua atenção em um alto-falante enquanto outros balbuciavam ao fundo. Pesquisas anteriores mostraram que mudanças no tamanho da pupila podem refletir a quantidade de esforço cognitivo5 despendido em uma tarefa.

Quando os pesquisadores combinaram as medidas do EEG do canal auditivo com as mudanças no diâmetro da pupila, eles foram capazes de identificar quais participantes tinham dificuldade para acompanhar a fala em um ambiente barulhento e quais não. O teste convencional não pode levar em conta nenhuma dessas diferenças de desempenho.

A combinação do processamento da estrutura neural temporal fina, do esforço de escuta indexado pela pupila e dos limiares de MF comportamentais foi responsável por 78% da variabilidade na inteligibilidade da fala por múltiplos falantes.

Os marcadores de baixo para cima e de cima para baixo desordenados da percepção ruim de fala de múltiplos falantes identificados nesse estudo podem informar o design de testes clínicos de próxima geração para distúrbios auditivos ocultos.

Veja também sobre "Remédios que podem levar à perda auditiva" e "A vergonha e a deficiência auditiva".

 

Fontes:
eLife, publicação em 21 de janeiro de 2020.
Harvard Medicine, notícia publicada em março de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Par de biomarcadores da função cerebral ajudam a detectar a perda auditiva oculta em pessoas com audição normal. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1378043/par-de-biomarcadores-da-funcao-cerebral-ajudam-a-detectar-a-perda-auditiva-oculta-em-pessoas-com-audicao-normal.htm>. Acesso em: 22 set. 2020.

Complementos

1 Células Nervosas: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO.
2 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
3 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
4 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
5 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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