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As diferenças entre os sexos na farmacocinética preveem reações adversas a medicamentos em mulheres

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As mulheres experimentam reações adversas a medicamentos, RAMs, quase duas vezes mais que os homens, mas o papel do sexo como fator biológico na geração de RAMs é pouco conhecido. A maioria dos medicamentos atualmente em uso foi aprovada com base em ensaios clínicos1 realizados em homens, de modo que as mulheres podem acabar sendo medicadas em excesso.

Nesse estudo publicado pelo periódico Biology of Sex Differences, pesquisadores determinaram se as diferenças entre os sexos na farmacocinética (FC) dos medicamentos predizem diferenças entre os sexos nas RAMs.

Leia: "Você está tomando seus remédios como devia?"

Pesquisas nas bases de dados ISI Web of Science e PubMed foram realizadas com combinações dos termos: drogas, sexo ou gênero, farmacocinética, farmacodinâmica, segurança de medicamentos, dose de medicamentos e reação adversa a medicamentos, que rendeu mais de 5.000 artigos com considerável sobreposição.

Foram obtidas informações de cada artigo relevante sobre diferenças significativas de sexo nas medidas de farmacocinética, predominantemente área sob a curva, concentrações de pico / máximas e taxas de liberação / eliminação. As RAMs foram identificadas em todos os artigos relevantes e registradas categoricamente como tendenciosas para mulheres, tendenciosas para homens ou sem tendência para um sexo específico.

Para a maioria dos medicamentos aprovados pela FDA examinados, as concentrações sanguíneas elevadas e os tempos de eliminação mais longos foram manifestados pelas mulheres, e essas farmacocinéticas estavam fortemente ligadas às diferenças sexuais nas RAMs.

Dos 86 medicamentos avaliados, 76 apresentaram valores mais altos de farmacocinética em mulheres; para 59 medicamentos com RAMs clinicamente identificáveis, a FC influenciada pelo sexo previu a direção das RAMs influenciadas pelo sexo em 88% dos casos.

Noventa e seis por cento dos medicamentos com valores de farmacocinética tendenciosos para mulheres foram associados a uma maior incidência2 de RAMs em mulheres do que homens, mas apenas 29% das farmacocinéticas tendenciosas para homens previram RAMs tendenciosas para homens. Informações acessíveis sobre farmacocinética estão disponíveis para apenas uma pequena fração de todos os medicamentos.

As diferenças entre os sexos na farmacocinética preveem fortemente RAMs específicas do sexo para mulheres, mas não para homens. Esta diferença de sexo não foi explicada pelas diferenças do sexo no peso corporal. A ausência de informações de farmacocinética estratificada por sexo em registros públicos para centenas de medicamentos aumenta a preocupação de que as diferenças sexuais nos valores de farmacocinética sejam generalizadas e tenham significado clínico.

A prática comum de prescrever doses iguais de medicamentos a mulheres e homens negligencia3 as diferenças entre os sexos na farmacocinética e dimorfismos no peso corporal, corre o risco de exagerar o uso de medicamentos nas mulheres e contribui para reações adversas a medicamentos tendenciosas para mulheres. Recomenda-se reduções de dose baseadas em evidências para as mulheres combaterem esse viés sexual.

Veja também sobre "Uso de medicamentos em crianças", "Perigos da automedicação4" e "ANVISA: o que devemos saber sobre medicamentos".

 

Fonte: Biology of Sex Differences, publicação em 5 de junho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. As diferenças entre os sexos na farmacocinética preveem reações adversas a medicamentos em mulheres. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1372233/as-diferencas-entre-os-sexos-na-farmacocinetica-preveem-reacoes-adversas-a-medicamentos-em-mulheres.htm>. Acesso em: 22 set. 2020.

Complementos

1 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Negligência: Falta de cuidado; incúria. Falta de apuro, de atenção; desleixo, desmazelo. Falta de interesse, de motivação; indiferença, preguiça. Inobservância e descuido na execução de ato.
4 Automedicação: Automedicação é a prática de tomar remédios sem a prescrição, orientação e supervisão médicas.
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