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Associação de estratégias de oxigenação não invasiva com mortalidade por todas as causas em adultos com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda

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O tratamento com estratégias de oxigenação não invasiva, como ventilação1 não invasiva e oxigênio nasal de alto fluxo, pode ser mais eficaz que a oxigenoterapia convencional isolada em pacientes com insuficiência respiratória2 hipoxêmica aguda.

O objetivo desse estudo, publicado pelo Journal of the American Medical Association, foi comparar a associação de estratégias de oxigenação não invasiva com mortalidade3 e intubação endotraqueal em adultos com insuficiência respiratória2 hipoxêmica aguda.

As seguintes bases de dados bibliográficas foram pesquisadas desde o início até abril de 2020: MEDLINE, Embase, PubMed, Registro Central de Ensaios Controlados Cochrane, CINAHL, Web of Science e LILACS. Nenhum limite foi aplicado ao idioma, ano de publicação, sexo ou raça.

Saiba mais sobre "Oxigenoterapia" e "Insuficiência respiratória2".

Foram selecionados ensaios clínicos4 randomizados que incluíram participantes adultos com insuficiência respiratória2 hipoxêmica aguda comparando oxigênio nasal de alto fluxo, ventilação1 não invasiva por máscara facial, ventilação1 não invasiva por capacete ou oxigenoterapia padrão.

Dois revisores extraíram independentemente os dados individuais dos estudos e avaliaram os estudos quanto ao risco de viés usando a ferramenta de risco de viés da Cochrane. Realizaram-se meta-análises de rede usando uma estrutura bayesiana para derivar taxas de risco (RRs) e diferenças de risco, juntamente com intervalos credíveis (CrIs) de 95%. A metodologia GRADE foi usada para avaliar a certeza nas conclusões.

O desfecho primário foi mortalidade3 por todas as causas em até 90 dias. Um desfecho secundário foi intubação endotraqueal em até 30 dias.

Vinte e cinco ensaios clínicos4 randomizados (3.804 participantes) foram incluídos. Comparado ao oxigênio padrão, tratamento com ventilação1 não invasiva por capacete (RR, 0,40 [CrI 95%, 0,24-0,63]; diferença de risco absoluto, -0,19 [CrI 95%, -0,37 a -0,09]; baixa segurança) e ventilação1 não invasiva por máscara facial (RR, 0,83 [CrI 95%, 0,68-0,99]; diferença de risco absoluto, -0,06 [CrI 95%, -0,15 a -0,01]; certeza moderada) foram associadas a um menor risco de mortalidade3 (21 estudos [3.370 pacientes]).

Ventilação1 não invasiva por capacete (RR, 0,26 [CrI 95%, 0,14-0,46]; diferença de risco absoluto, -0,32 [CrI 95%, -0,60 a -0,16]; baixa certeza), ventilação1 não invasiva por máscara facial (RR, 0,76 [CrI 95%, 0,62-0,90]; diferença de risco absoluto, -0,12 [CrI 95%, -0,25 a -0,05]; certeza moderada) e oxigênio nasal de alto fluxo (RR, 0,76 [CrI 95%, 0,55-0,99]; risco absoluto diferença, -0,11 [CrI 95%, -0,27 a -0,01]; certeza moderada) foram associados a menor risco de intubação endotraqueal (25 estudos [3.804 pacientes]). O risco de viés devido à falta de cegamento para intubação foi considerado alto.

Nesta meta-análise de rede de ensaios de pacientes adultos com insuficiência respiratória2 hipoxêmica aguda, o tratamento com estratégias de oxigenação não invasiva, em comparação com a oxigenoterapia padrão, foi associado a menor risco de morte. Mais pesquisas são necessárias para entender melhor os benefícios relativos de cada estratégia.

Leia sobre "Saturação de oxigênio", "Intubação endotraqueal" e "Ventilação1 mecânica".

 

Fonte: JAMA, publicação em 04 de junho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Associação de estratégias de oxigenação não invasiva com mortalidade por todas as causas em adultos com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1368928/associacao-de-estrategias-de-oxigenacao-nao-invasiva-com-mortalidade-por-todas-as-causas-em-adultos-com-insuficiencia-respiratoria-hipoxemica-aguda.htm>. Acesso em: 6 jul. 2020.

Complementos

1 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
2 Insuficiência respiratória: Condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter os valores da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Como a definição está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter níveis adequados de oxigenação e gás carbônico, foram estabelecidos, para sua caracterização, pontos de corte na gasometria arterial: PaO2 50 mmHg.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
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