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Diferentes classes de anti-hipertensivos foram comparadas quanto à eficácia na redução de eventos cardiovasculares, resultados publicados pelo JAMA

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Os medicamentos anti-hipertensivos têm sido associados à prevenção de eventos cardiovasculares, embora se saiba menos sobre a eficácia comparativa de diferentes classes de medicamentos. O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Network, foi comparar os eventos cardiovasculares entre pacientes com hipertensão1 e sem comorbidades2 substanciais em uso de diferentes anti-hipertensivos.

Saiba mais sobre “Doenças cardiovasculares3” e “Hipertensão arterial4”.

Foram coletados dados das bases de dados PubMed, Embase e Cochrane Library, sistematicamente pesquisadas, em artigos publicados entre 1º de janeiro de 1990 e 24 de outubro de 2017.

Foram selecionados ensaios clínicos5 randomizados que testaram medicamentos anti-hipertensivos comumente usados (inibidores da enzima6 de conversão da angiotensina, bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridínicos, bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridínicos, bloqueadores β, bloqueadores dos receptores da angiotensina e diuréticos7) e que relataram resultados cardiovasculares selecionados por pelo menos 6 meses de acompanhamento.

A análise foi realizada de outubro de 2017 a dezembro de 2019. Dois revisores extraíram o número de eventos cardiovasculares no final do tratamento para todos os grupos de estudo. Para cada desfecho, uma metanálise de rede foi usada para comparar reduções de risco entre as classes de medicamentos (modelos de efeitos aleatórios ponderados pela variação inversa). Foi estimada a associação dose-resposta entre uma redução de 10 mmHg da pressão arterial sistólica8 e uma redução de 5 mmHg da pressão arterial diastólica9 e o risco de eventos cardiovasculares no primeiro teste.

Os principais resultados e medidas foram os eventos cardiovasculares em teste, incluindo morte cardiovascular, infarto do miocárdio10, acidente vascular cerebral11 e revascularização. Nesta revisão sistemática e metanálise de rede, os dados foram reunidos em 46 ensaios clínicos5 elegíveis (248.887 participantes no total, com idade média [DP] de 65,6 [5,8] anos; 52,8% homens).

Na metanálise de rede, em comparação com o placebo12, os inibidores da enzima6 de conversão da angiotensina, os bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridínicos e os diuréticos7 tiazídicos foram relatados como igualmente eficazes na redução de eventos cardiovasculares gerais (25%), morte cardiovascular (20%) e acidente vascular cerebral11 (35%).

Os inibidores da enzima6 de conversão da angiotensina foram relatados como os mais eficazes na redução do risco de infarto do miocárdio10 (28%) e diuréticos7 foram relatados como os mais eficazes na redução da revascularização (33%). Nas análises de metarregressão, cada redução de 10 mmHg na pressão arterial sistólica8 e de 5 mmHg na pressão arterial diastólica9 foi significativamente associada a um menor risco de morte cardiovascular, acidente vascular cerebral11 e eventos cardiovasculares gerais.

Concluiu-se nesta metanálise de ensaios clínicos5 de pacientes com hipertensão1 e sem comorbidades2 substanciais que diferentes classes de medicamentos anti-hipertensivos foram associadas a benefícios semelhantes na redução de eventos cardiovasculares. Estudos futuros devem comparar a eficácia de combinações de medicamentos anti-hipertensivos na redução de eventos cardiovasculares.

Leia sobre “Infarto do miocárdio10”, “Acidente vascular cerebral11”, “Aterosclerose13” e “Doença arterial periférica”.

 

Fonte: JAMA Network, em 21 de fevereiro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Diferentes classes de anti-hipertensivos foram comparadas quanto à eficácia na redução de eventos cardiovasculares, resultados publicados pelo JAMA. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1361993/diferentes-classes-de-anti-hipertensivos-foram-comparadas-quanto-a-eficacia-na-reducao-de-eventos-cardiovasculares-resultados-publicados-pelo-jama.htm>. Acesso em: 6 jul. 2020.

Complementos

1 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
2 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
3 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
4 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
5 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
6 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
7 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
8 Pressão arterial sistólica: É a pressão mais elevada (pico) verificada nas artérias durante a fase de sístole do ciclo cardíaco, é também chamada de pressão máxima.
9 Pressão arterial diastólica: É a pressão mais baixa detectada no sistema arterial sistêmico, observada durante a fase de diástole do ciclo cardíaco. É também denominada de pressão mínima.
10 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
11 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
12 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
13 Aterosclerose: Tipo de arteriosclerose caracterizado pela formação de placas de ateroma sobre a parede das artérias.
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