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Vitamina D e cálcio para a prevenção de fraturas: revisão sistemática e metanálise

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Qual é a evidência disponível para a eficácia da vitamina1 D com ou sem suplementação2 de cálcio para reduzir o risco de fratura3?

Recomenda-se suplementos de vitamina1 D e cálcio para a prevenção de fraturas, mas ensaios clínicos4 randomizados (ECRs) anteriores relataram resultados conflitantes, com incerteza sobre doses e regimes ideais para suplementação2 e sua eficácia geral.

Saiba mais sobre "Deficiência de vitamina1 D", "Fratura3 óssea" e "Fratura3 espontânea".

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Network Open, foi avaliar os riscos de fratura3 associados a diferenças nas concentrações de 25-hidroxivitamina D (25[OH]D) em estudos observacionais e os riscos de fratura3 associados à suplementação2 com vitamina1 D isoladamente ou em combinação com cálcio em ensaios clínicos4 randomizados.

PubMed, EMBASE, Cochrane Library e outros bancos de dados de ECR foram pesquisados ​​desde o início do banco de dados até 31 de dezembro de 2018. As pesquisas foram realizadas entre julho de 2018 e dezembro de 2018.

Estudos observacionais envolvendo pelo menos 200 casos de fratura3 e ECRs envolvendo pelo menos 500 participantes e relatando pelo menos 10 fraturas incidentes5 foram incluídos. Ensaios clínicos4 randomizados compararam vitamina1 D ou vitamina1 D e cálcio com controle.

Dois pesquisadores extraíram independentemente os dados de acordo com as diretrizes de Itens Preferidos para Relatórios para Revisões Sistemáticas e Metanálises (PRISMA) e avaliaram possível viés. Razões de taxa (RRs) foram estimadas usando metanálise de efeitos fixos. A extração e síntese dos dados ocorreu entre julho de 2018 e junho de 2019.

Os principais resultados foram qualquer fratura3 e fratura3 de quadril.

Em uma metanálise de 11 estudos observacionais (39.141 participantes, 6.278 fraturas, 2.367 fraturas de quadril), cada aumento de 10,0 ng/mL (ou seja, 25 nmol/L) na concentração de 25[OH]D foi associado a uma RR ajustada para qualquer fratura3 de 0,93 (IC 95%, 0,89-0,96) e uma RR ajustada para fratura3 de quadril de 0,80 (IC 95%, 0,75-0,86).

Uma metanálise de 11 ECRs (34.243 participantes, 2.843 fraturas, 740 fraturas de quadril) de suplementação2 de vitamina1 D sozinha (dose diária ou intermitente6 de 400-30.000 UI, produzindo uma diferença média na concentração de 25[OH]D de 8,4 ng/mL) não encontrou um risco reduzido de fratura3 (RR 1,06; IC 95% 0,98-1,14) ou fratura3 de quadril (RR 1,14; IC 95% 0,98-1,32), mas esses ensaios foram construídos com doses intermitentes7 pouco frequentes, doses diárias baixas de vitamina1 D ou número inadequado de participantes.

Por outro lado, a metanálise de 6 ensaios clínicos4 randomizados (49.282 participantes, 5.449 fraturas, 730 fraturas do quadril) de suplementação2 combinada com vitamina1 D (doses diárias de 400-800 UI, produzindo uma diferença média na concentração de 25[OH]D de 9,2 ng/mL) e cálcio (doses diárias de 1.000-1.200 mg) encontrou um risco reduzido em 6% de qualquer fratura3 (RR, 0,94; IC 95%, 0,89-0,99) e um risco reduzido em 16% de fratura3 de quadril (RR, 0,84 IC 95%, 0,72-0,97).

Nesta revisão sistemática e metanálise, nem a dose intermitente6 nem diária com doses padrão de vitamina1 D isoladamente foi associada a um risco reduzido de fratura3, mas a suplementação2 diária com vitamina1 D e cálcio foi uma estratégia mais promissora.

Leia sobre "Fratura3 do colo do fêmur8", "Osteomalácia9", "Osteoporose10" e "Queda em idosos".

 

Fonte: JAMA Network Open, publicação em 20 de dezembro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Vitamina D e cálcio para a prevenção de fraturas: revisão sistemática e metanálise. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1354608/vitamina-d-e-calcio-para-a-prevencao-de-fraturas-revisao-sistematica-e-metanalise.htm>. Acesso em: 5 abr. 2020.

Complementos

1 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
2 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
3 Fratura: Solução de continuidade de um osso. Em geral é produzida por um traumatismo, mesmo que possa ser produzida na ausência do mesmo (fratura patológica). Produz como sintomas dor, mobilidade anormal e ruídos (crepitação) na região afetada.
4 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
5 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
6 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
7 Intermitentes: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
8 Colo do Fêmur: Porção comprimida do osso da coxa entre cabeça do fêmur e trocanter.
9 Osteomalácia: Enfraquecimento e desmineralização dos ossos nos adultos devido a uma deficiência em vitamina D (na criança esta situação denomina-se raquitismo). O crescimento do osso normal requer um aporte adequado de cálcio e fósforo através da alimentação, mas o organismo não consegue absorver estes minerais sem que haja uma quantidade suficiente de vitamina D. O organismo obtém esta vitamina de certos alimentos e da ação da luz solar sobre a pele; a sua carência resulta em amolecimento e enfraquecimento dos ossos, que se tornam vulneráveis a fraturas.
10 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
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