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Riscos de 23 malformações específicas associadas à exposição pré-natal a 10 antiepilépticos

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Em estudo publicado pelo periódico Neurology, pesquisadores do Departamento de Estudos em Saúde1 Pública do French National Health Insurance, em Paris, França, buscaram avaliar a associação entre a exposição à monoterapia com 10 drogas antiepilépticas diferentes (DAEs) durante os primeiros 2 meses de gravidez2 e o risco de 23 malformações3 congênitas4 principais (MCPs).

Saiba mais sobre "Epilepsias" e "Malformações3 fetais".

Este estudo de coorte5 em todo o país, com base nos bancos de dados franceses de assistência médica, incluiu todas as gestações ≥ 20 semanas e terminadas entre janeiro de 2011 e março de 2015. Considerou-se que as mulheres estavam expostas quando uma DAE foi dispensada entre 1 mês antes e 2 meses após o início de gravidez2.

O grupo de referência incluiu gestantes sem reembolso por DAEs. As MCPs foram detectadas até 12 meses após o nascimento (24 meses para microcefalia6, hipospádia7 e epispádia). Odds ratio (ORs) foram ajustados para potenciais fatores de confusão para MCPs com pelo menos 5 casos. Caso contrário, calculou-se as ORs brutas com intervalos de confiança exatos (ICs).

A coorte8 incluiu 1.886.825 gestações, das quais 2.997 foram expostas à lamotrigina, 1.671 à pregabalina, 980 ao clonazepam, 913 ao ácido valpróico, 579 ao levetiracetam, 517 ao topiramato, 512 à carbamazepina, 365 à gabapentina, 139 à oxcarbazepina e 80 ao fenobarbital.

A exposição ao ácido valpróico foi associada a 8 tipos específicos de MCPs (por exemplo, espinha bífida9, OR 19,4, IC 95% 8,6-43,5), e a exposição ao topiramato foi associada a um risco aumentado de fissura10 labial (6,8; IC 95% 1,4- 20,0). Foram identificados outros 3 sinais11. Não foi encontrada associação significativa para lamotrigina, levetiracetam, carbamazepina, oxcarbazepina e gabapentina.

Estes resultados confirmam a teratogenicidade do ácido valpróico e do topiramato. Devido ao pequeno número de casos e possível confusão, os outros três sinais11 devem ser interpretados com a devida cautela.

Leia sobre "Espinha bífida9", "Lábio leporino12", "Gestação semana a semana" e "Pré-natal".

 

Fonte: Neurology, publicação em 09 de julho de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Riscos de 23 malformações específicas associadas à exposição pré-natal a 10 antiepilépticos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1348813/riscos-de-23-malformacoes-especificas-associadas-a-exposicao-pre-natal-a-10-antiepilepticos.htm>. Acesso em: 13 nov. 2019.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
3 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
4 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
5 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
6 Microcefalia: Pequenez anormal da cabeça, geralmente associada à deficiência mental.
7 Hipospádia: Deformação congênita das vias urinárias, na qual a abertura da uretra se encontra na face inferior ou ventral do pênis ou, na mulher, dentro da vagina.
8 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
9 Espinha bífida: Também conhecida como mielomeningocele, a espinha bífida trata-se de um problema congênito. Ela é caracterizada pela má formação no tubo neural do feto, a qual ocorre nas três primeiras semanas de gravidez, quando a mulher ainda não sabe que está grávida. Esta malformação pode comprometer as funções de locomoção, controle urinário e intestinal, dentre outras.
10 Fissura: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Lábio leporino: Alteração congênita na qual existe uma solução de continuidade no palato (céu da boca), que comunica a cavidade oral à nasal. Pode ser total (quando o palato duro, que é ósseo, está envolvido) ou parcial (quando apenas as partes moles, como lábios, gengiva, mucosas estão envolvidas).
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