Gostou do artigo? Compartilhe!

Risco em 20 anos de recidiva do câncer de mama após interrupção da terapia endócrina aos 5 anos, publicado pelo NEJM

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Sob a coordenação de Hongchao Pan, estatístico e epidemiologista da Clinical Trial Service Unit and Epidemiological Studies Unit (CTSU), doutor em astrofísica pela Universidade de Leicester e mestre em epidemiologia pela London School of Hygiene & Tropical Medicine, o estudo foi uma meta-análise dos resultados de 88 ensaios clínicos1 envolvendo 62.923 mulheres com câncer2 de mama3 ER-positivo, que estavam livres de doença após 5 anos de terapia endócrina programada.

Os pesquisadores utilizaram análises de regressão de Kaplan-Meier e Cox, estratificadas de acordo com o ensaio e tratamento, para avaliar as associações do tamanho do tumor4, do estado dos linfonodos5 comprometidos (tendo como base a Classificação TNM, em que T=tumor4, N=linfonodo6 e M=metástase7) e de outros fatores com os resultados dos pacientes durante o período de acompanhamento de 5 a 20 anos.

Saiba mais sobre o "Câncer2 de Mama3".

Sabe-se que a administração de terapia endócrina durante 5 anos reduz substancialmente as taxas de recorrência8 durante e após o tratamento em mulheres com câncer2 de mama3 positivo para receptores de estrogênio (ER). Estender essa terapia além de 5 anos oferece proteção adicional, mas também gera efeitos colaterais9 adicionais. Obter dados sobre o risco absoluto de recorrência8 remota subsequente se a terapia for interrompida aos 5 anos pode ajudar a determinar se o tratamento deve ser estendido ou não. Com este objetivo, foi realizado o presente estudo publicado pelo periódico The New England Journal of Medicine (NEJM).

Os resultados mostraram que as recorrências10 do câncer2 de mama3 ocorreram a uma taxa constante ao longo do período de estudo de 5 a 20 anos. O risco de recorrência8 distante foi fortemente correlacionado ao estado TN original do tumor4. Entre os pacientes com doença no estágio T1, o risco de recorrência8 distante foi de 13% sem comprometimento nodal (T1N0), 20% com um a três linfonodos5 envolvidos (T1N1-3) e 34% com quatro a nove linfonodos5 envolvidos (T1N4-9). Entre aqueles com doença no estágio T2, os riscos foram de 19% com T2N0, 26% com T2N1-3 e 41% com T2N4-9.

O risco de morte por câncer2 de mama3 foi similarmente dependente do estagiamento TN, mas o risco de câncer2 de mama3 contralateral não foi. Dado o estado TN, os fatores de grau de tumor4 (disponível em 43.590 pacientes) e status de Ki-67 (disponível em 7.692 pacientes), que estão fortemente correlacionados uns aos outros, eram apenas um valor preditivo moderado e independente para recorrência8 distante, mas o status quanto ao receptor de progesterona (em 54.115 pacientes) e ao receptor do fator de crescimento epidérmico humano tipo 2 (HER2) (em 15.418 pacientes em ensaios sem uso de trastuzumab) não foi preditivo.

Durante o período de estudo de 5 a 20 anos, o risco absoluto de recorrência8 distante entre pacientes com câncer2 de mama3 T1N0 foi de 10% para doença de baixo grau, 13% para doença de grau moderado e 17% para doença de alto grau; os riscos correspondentes de qualquer recorrência8 ou câncer2 de mama3 contralateral foram 17%, 22% e 26%, respectivamente.

Concluiu-se que após 5 anos de terapia endócrina adjuvante, as recorrências10 de câncer2 de mama3 continuaram a ocorrer de forma constante ao longo do período de estudo de 5 a 20 anos. O risco de recorrência8 distante foi fortemente correlacionado ao estado TN original do tumor4, com riscos variando de 10 a 41%, dependendo do estado TN e grau tumoral.

Esta pesquisa foi financiada pela Cancer2 Research UK e outros colaboradores.

Leia também: "Ebook: informações e cuidados sobre o câncer2 de mama3" e "Câncer2 de mama3: como se preparar para uma consulta médica?"

 

Fonte: The New England Journal of Medicine (NEJM), volume 377, número 19, de 9 de novembro de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Risco em 20 anos de recidiva do câncer de mama após interrupção da terapia endócrina aos 5 anos, publicado pelo NEJM. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1306778/risco-em-20-anos-de-recidiva-do-cancer-de-mama-apos-interrupcao-da-terapia-endocrina-aos-5-anos-publicado-pelo-nejm.htm>. Acesso em: 1 jun. 2020.

Complementos

1 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
2 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
3 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
4 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
5 Linfonodos: Gânglios ou nodos linfáticos.
6 Linfonodo: Gânglio ou nodo linfático.
7 Metástase: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
8 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
9 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
10 Recorrências: 1. Retornos, repetições. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
Gostou do artigo? Compartilhe!