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Causas de morte na adolescência: adolescentes atendidos por uso de drogas, álcool ou lesões relacionadas à violência devem ser encaminhados a um profissional de saúde mental

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A admissão hospitalar de emergência1 por lesões2 relacionadas a danos auto-infligidos, ao uso de drogas ou álcool ou a lesões2 violentas afetam 4% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos. O risco de morte na década após a alta hospitalar é duas vezes maior em adolescentes que sofrem este tipo de violência do que por lesões2 relacionadas a acidentes.

Saiba mais sobre "Crises da adolescência", "Maconha", "Alcoolismo" e "Dependência da cocaína".

O estudo de coorte3 retrospectivo4, realizado em Londres, comparou os riscos de morte em cinco grupos causais (suicídio, danos relacionados com drogas ou álcool, homicídio, acidentes e outras causas de morte) até 10 anos depois da alta hospitalar após adversidade (lesões2 auto-infligidas, lesões2 relacionadas com drogas ou com álcool ou ferimentos violentos) ou danos relacionados a acidentes (para os quais não houve adversidades registradas).

Foram incluídos crianças e adolescentes (de 10 a 19 anos) admitidos na emergência1 por lesões2 relacionadas a adversidades ou a acidentes, entre 1º de abril de 1997 e 31 de março de 2012. Foram excluídos os adolescentes que não tiveram o sexo registrado, morreram durante a admissão na emergência1, não tinham data de alta válida ou foram admitidos com ferimentos não relacionados nem a adversidades, nem a acidentes.

Identificou-se as admissões por lesões2 relacionadas a adversidades ou a acidentes no National Health Service, na Inglaterra, com a Classificação Internacional de Doenças-10 (CID-10), nos dados do Hospital Episode Statistics, ligado ao Office for National Statistics Mortality Data for England, para estabelecer a causa específica dos riscos de morte entre o primeiro dia e 10 anos após a alta hospitalar e para comparar os riscos entre lesões2 relacionadas a adversidades e a acidentes, após ajustes para faixa etária, estado socioeconômico e condições crônicas.

Foram identificados 1.080.368 adolescentes (36,0% meninas, 63,9% meninos e 0,1% adolescentes que não registraram sexo). Destes adolescentes, foram excluídos 10,4% meninas, 8,1% meninos e todos os 885 sem sexo registrado. Dos 333.009 (30,8%) adolescentes admitidos com lesão5 relacionada a adversidades (54,6% meninas e 45,4% meninos) e 649.818 (60,2%) admitidos com acidente (25,6% meninas e 74,4% meninos), 4.782 (0,5%) morreram nos 10 anos após a alta (27,4% meninas e 72,6% meninos).

Os adolescentes liberados após a lesão5 relacionada a adversidade apresentaram maiores riscos de suicídio (proporção ajustada de sub-perigo 4,54 [IC 95% 3,25-6,36] para meninas e 3,15 [2,73-3,63] para meninos) e de morte relacionada à droga ou ao álcool (4,71 [3,28-6,76] para meninas e 3,53 [3,04-4,09] para meninos), na década após alta, do que depois de uma lesão5 relacionada a acidente.

Não houve provas suficientes de que as meninas que tiveram alta após lesão5 relacionada a adversidade aumentaram os riscos de óbitos acidentais em comparação com as que foram liberadas após lesões2 relacionadas a acidentes (proporção ajustada de sub-perigo 1,21 [IC 95% 0, 90-1,63]), mas houve evidência de que esse risco foi aumentado para meninos (1,26 [1,09-1,47]).

Houve evidência de riscos diminuídos de outras causas de morte em meninas (0,64 [0,53-0,77]), mas não em meninos (0,99 [0,84-1,17]). Os riscos de suicídio aumentaram após a lesão5 auto-infligida (proporção de sub-perigo ajustada 5,11 [IC 95% 3,61-7,23] para meninas e 6,20 [5,27-7,30] para meninos), droga (4,55 [3,23-6,39] para meninas e 4,51 [3,89-5,24] para meninos) e lesão5 violenta em meninos (1,43 [ 1,15-1,78]) versus lesão5 relacionada a acidentes. No entanto, o aumento do risco de suicídio em meninas após lesão5 violenta versus lesão5 relacionada a acidentes não foi significativamente aumentado (proporção ajustada de sub-perigo 1,48 [IC 95% 0,73-2,98]).

Após cada tipo de lesão5 índice, os riscos de suicídio e os riscos de morte relacionados à droga ou ao álcool foram aumentados em magnitudes semelhantes.

Os riscos de suicídio aumentaram significativamente após todos os tipos de lesões2 relacionadas a adversidades, exceto para meninas que sofreram ferimentos violentos. Os riscos de morte relacionada à droga ou ao álcool aumentaram em uma magnitude similar. A prática atual para reduzir os riscos de danos após lesão5 auto-infligida deve ser estendida a lesões2 relacionadas a drogas ou ao álcool e lesões2 violentas na adolescência. A prevenção deve abordar os riscos substanciais de morte relacionada à droga ou ao álcool, juntamente com os riscos de suicídio.

Veja também sobre "Depressões", "Suicídio" e "Os adolescentes e o mundo virtual".

 

Fonte: The Lancert, de 25 de maio de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Causas de morte na adolescência: adolescentes atendidos por uso de drogas, álcool ou lesões relacionadas à violência devem ser encaminhados a um profissional de saúde mental. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1301533/causas-de-morte-na-adolescencia-adolescentes-atendidos-por-uso-de-drogas-alcool-ou-lesoes-relacionadas-a-violencia-devem-ser-encaminhados-a-um-profissional-de-saude-mental.htm>. Acesso em: 24 jun. 2019.

Complementos

1 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
2 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
3 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
4 Retrospectivo: Relativo a fatos passados, que se volta para o passado.
5 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
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