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Depressão e pensamentos suicidas podem estar relacionados ao uso de maconha, segundo artigo publicado pelo The Lancet

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O uso precoce e frequente de cannabis está associado a uma maior probabilidade de transtorno depressivo maior (TDM), bem como a pensamentos e comportamentos suicidas.

O presente estudo identificou associações entre diferentes aspectos do uso de cannabis, TDM e pensamentos e comportamentos suicidas e examinou se estas associações persistiram após serem contabilizados os fatores predisponentes, incluindo a responsabilidade genética e o ambiente familiar, compartilhados por gêmeos idênticos que são discordantes quanto à exposição à cannabis.

Qualquer associação residual nestes pares idênticos pode ser indicativa de vias individuais específicas que possam ser de natureza causal.

Saiba mais sobre "Depressão maior", "Maconha" e "Suicídio".

Foi realizada uma análise de regressão logística do uso de cannabis a partir de dados retrospectivos em pares de gêmeos do mesmo sexo (masculino ou feminino), obtidos de 3 estudos que recrutaram gêmeos do Australian Twin Registry, 1992-93 (amostra 1), 1996-2000 (amostra 2) e 2005-09 (amostra 3).

Foram estudadas as associações entre o uso precoce e o uso frequente de cannabis e TDM, ideação suicida (frequente e persistente), plano suicida e tentativa de suicídio na amostra completa, bem como em pares de gêmeos monozigóticos e dizigóticos que eram discordantes para cada medida de envolvimento com cannabis em um único momento. Associações monozigóticas significativas foram adicionalmente ajustadas para covariáveis, como uso de álcool precocemente ou uso de nicotina, humor disfórico ou anedônico precoce, transtorno de conduta e abuso sexual infantil. As interações entre cada medida de cannabis e sexo, amostra ou efeitos de estudo e categoria de ano de nascimento também foram examinadas como covariáveis.

Em 13.986 gêmeos (6.181 monozigóticos e 7.805 dizigóticos), o consumo de cannabis variou de 1.345 (30,4%) de 4.432 pessoas na amostra 1 a 2.275 (69,0%) de 3.299 na amostra 3. A idade média do primeiro uso de cannabis variou de 17,9 anos na amostra 3 a 21,1 anos na amostra 1, e o uso frequente (≥100 vezes) foi relatado em 214 (15,9%) de 1.345 usuários na amostra 1 e 499 (21,9%) de 2.275 na amostra 3.

A prevalência1 de ideação suicida variou de 1.102 (24,9%) de 4.432 pessoas na amostra 1 a 1.644 (26,3%) de 6.255 pessoas na amostra 2 e 865 (26,2%) de 3.299 pessoas na amostra 3.

A prevalência1 de TDM variou de 901 (20,3%) na amostra 1 a 1.773 (28,3%) na amostra 2.

O gêmeo monozigótico2 que usou cannabis com frequência foi mais provável de relatar TDM (odds ratio 1,98; IC 95% 1,11-3,53) e ideação suicida (2,47; 1,19-5,10) em comparação com o gêmeo idêntico que usou cannabis menosfrequentemente, mesmo depois do ajuste para covariáveis.

Para o uso precoce da cannabis, a estimativa do ponto monozigótico2 não foi significativa, mas poderia ser equiparada à significativa estimativa dizigótica, sugerindo uma possível associação com ideação suicida.

A maior probabilidade de TDM e ideação suicida em usuários frequentes de cannabis não pode ser atribuída apenas a fatores predisponentes comuns.

 

Fonte: The Lancet, em 24 de julho de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Depressão e pensamentos suicidas podem estar relacionados ao uso de maconha, segundo artigo publicado pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1301278/depressao-e-pensamentos-suicidas-podem-estar-relacionados-ao-uso-de-maconha-segundo-artigo-publicado-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 23 mai. 2019.

Complementos

1 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
2 Monozigótico: Gêmeos monozigóticos (MZ) ocorrem quando um único zigoto sofre desenvolvimento irregular, dando origem a dois indivíduos que são considerados idênticos do ponto de vista genético, pois possuem o mesmo patrimônio genético, visto que são oriundos de uma única célula-ovo ou zigoto. Os gêmeos MZ são do mesmo sexo e, frequentemente, são denominados gêmeos idênticos, apesar dessa denominação não ser muito apropriada, visto que a identidade, aqui, se refere ao genótipo e não ao fenótipo. Há casos em que os pares MZ apresentam grandes diferenças fenotípicas.
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