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Mais de um terço dos casos de demência podem ser evitados com mudança de estilo de vida, publicado pelo The Lancet

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O relatório, apresentado na Alzheimer1's Association International Conference (AAIC) 2017 e publicado simultaneamente no periódico The Lancet, foi compilado por 24 especialistas internacionais no campo da demência2, os quais revisaram a literatura disponível na área e realizaram uma nova meta-análise, incluindo alguns fatores de risco não considerados em análises similares anteriores.

Eles descobriram que nove fatores de estilo de vida são responsáveis por 35% do ônus causado pela demência2. Esses fatores incluem não completar o ensino secundário, hipertensão arterial3, obesidade4, perda da audição na meia idade, tabagismo, depressão, inatividade física, isolamento social e diabetes5 na vida adulta.

A médica e autora principal do estudo, Dra. Gill Livingston, da University College London, diz que foram considerados apenas fatores de risco para os quais havia dados suficientes para tirar conclusões significativas, então provavelmente foram subestimados dados relativos à importância do estilo de vida e suas relações com a demência2, mas certamente o que foi reunido nesta publicação já é uma ampla contribuição. O relatório também aborda intervenções e estratégias de cuidados para pacientes6 com demência2 e comprometimento cognitivo7.

Foram apresentadas recomendações para clínicos sobre o que eles podem fazer em termos de tratamento e foram descritos caminhos de tratamento que são altamente baseados em evidências.

Atuar agora na prevenção, intervenção e cuidados sobre demência2 melhorará significativamente a vida de indivíduos com demência2 e de seus familiares e, ao fazê-lo, isso transformará o futuro da sociedade.

Quais são os 10 pontos principais do relatório?

  1. O número de pessoas com demência2 está aumentando globalmente, embora a incidência8 em alguns países tenha diminuído.
  2. Seja ambicioso quanto à prevenção. As recomendações incluem o tratamento ativo da hipertensão arterial3; melhorar e prolongar a educação infantil; estimular e adotar práticas regulares de atividades físicas; estimular o engajamento social, reduzir o tabagismo; melhorar o manejo da perda auditiva; prevenir e tratar a depressão, o diabetes mellitus9 e a obesidade4.
  3. Trate os sintomas10 cognitivos11. Para maximizar a cognição12, pessoas com doença de Alzheimer13 ou demência2 com corpos de Lewy devem ser tratadas com inibidores da colinesterase em todas as etapas, ou memantina para demência2 grave. Os inibidores da colinesterase não são eficazes no comprometimento cognitivo7 leve.
  4. Individualize os cuidados para pessoas com demência2. O bom cuidado da demência2 deve ser adaptado às necessidades, preferências e prioridades individuais e culturais e deve incorporar suporte para os cuidadores familiares.
  5. Cuidados aos cuidadores familiares. Os cuidadores familiares de pessoas com demência2 estão em alto risco de depressão. A disponibilização de intervenções eficazes para reduzir o risco de depressão e tratar os sintomas10 é muito importante.
  6. Planejamento futuro. Pessoas com demência2 e suas famílias valorizam as discussões sobre o futuro e as decisões necessárias a serem tomadas e sobre possíveis advogados para ajudar na tomada dessas decisões. Os clínicos devem estar preparados para avaliar a capacidade de seus pacientes para tomar diferentes tipos de decisões no momento do diagnóstico14.
  7. Proteção às pessoas com demência2. Esses pacientes exigem proteção contra auto-negligência15, vulnerabilidade (incluindo o aproveitamento inescrupuloso de sua condição e abuso sexual), gerenciamento de seu dinheiro, condução ou uso de armas. A avaliação e gestão de riscos em todas as fases da doença são essenciais, mas devem ser equilibradas em relação ao direito da pessoa à autonomia.
  8. Gerenciamento dos sintomas10 neuropsiquiátricos, como agitação, instabilidade do humor ou psicose16. O tratamento geralmente deve ser psicológico, social e ambiental, com gerenciamento farmacológico reservado para indivíduos com sintomas10 mais graves.
  9. Consideração sobre o fim da vida. Um terço das pessoas mais velhas morrem com demência2, por isso é essencial que os profissionais que trabalham em cuidados de fim de vida considerem se os pacientes com demência2 são ou não capazes de tomar decisões sobre seus cuidados e tratamento ou sobre saber ou não expressar suas necessidades e desejos.
  10. As intervenções tecnológicas têm o potencial de melhorar a assistência técnica, mas não devem substituir o contato social e o apoio da família.

Porcentagem de contribuição dos nove fatores de estilo de vida na demência2:

Contribuição do Fator de Risco17 %
Perda auditiva na meia idade 9
Educação na primeira infância 8
Cigarro na vida adulta 5
Depressão na vida adulta 4
Inatividade física  3
Isolamento social 2
Hipertensão18 na meia idade 2
Diabetes mellitus9 em adultos 1
Obesidade4 na meia idade 1
Veja o relatório completo em: "Gill Livingston: transforming dementia, prevention and care".

Fonte: The Lancet, publicação online de 19 de julho de 2017

 

 

NEWS.MED.BR, 2017. Mais de um terço dos casos de demência podem ser evitados com mudança de estilo de vida, publicado pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1300853/mais-de-um-terco-dos-casos-de-demencia-podem-ser-evitados-com-mudanca-de-estilo-de-vida-publicado-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 13 dez. 2018.

Complementos

1 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
2 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
3 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
4 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
5 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
6 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
7 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
8 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
9 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
12 Cognição: É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, percepção, classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas.
13 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
14 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
15 Negligência: Falta de cuidado; incúria. Falta de apuro, de atenção; desleixo, desmazelo. Falta de interesse, de motivação; indiferença, preguiça. Inobservância e descuido na execução de ato.
16 Psicose: Grupo de doenças psiquiátricas caracterizadas pela incapacidade de avaliar corretamente a realidade. A pessoa psicótica reestrutura sua concepção de realidade em torno de uma idéia delirante, sem ter consciência de sua doença.
17 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
18 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
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