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Uso precoce de ácido tranexâmico pode evitar mortes de mulheres com hemorragia no pós-parto

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A hemorragia1 pós-parto é a principal causa de morte materna em todo o mundo. A administração precoce de ácido tranexâmico reduz as mortes por sangramento em pacientes com trauma. Neste trabalho, objetivou-se avaliar os efeitos da administração precoce de ácido tranexâmico na mortalidade2, na necessidade de realizar uma histerectomia3 e em outros desfechos relevantes em mulheres com hemorragia1 no período pós-parto.

Foram recrutadas mulheres com 16 anos ou mais, com diagnóstico4 clínico de hemorragia1 pós-parto, após parto vaginal ou cesariana, em 193 hospitais de 21 países. Aleatoriamente, as mulheres foram designadas a receber ou um grama5 de ácido tranexâmico intravenoso ou um placebo6 correspondente, além dos cuidados habituais. Se o sangramento continuasse após 30 minutos ou fosse interrompido, mas reiniciado dentro de 24 horas da primeira dose, uma segunda dose de um grama5 de ácido tranexâmico ou placebo6 poderia ser administrada.

Saiba mais sobre "Parto vaginal", "Cesárea", "Trabalho de parto" e "Histerectomia3".

As pacientes foram designadas por seleção de um pacote de tratamento numerado, em uma caixa contendo oito embalagens numeradas que eram idênticas. Os participantes, cuidadores e aqueles que avaliaram os resultados foram mascarados à alocação. Inicialmente, planejou-se inscrever 15.000 mulheres com um desfecho primário composto de morte por todas as causas ou histerectomia3 dentro de 42 dias após o parto.

No entanto, durante o ensaio tornou-se evidente que a decisão de conduzir uma histerectomia3 era muitas vezes feita ao mesmo tempo que a randomização. Embora o ácido tranexâmico possa influenciar o risco de morte nesses casos, não poderia afetar o risco de histerectomia3. Por conseguinte, aumentou-se o tamanho da amostra de 15.000 para 20.000 mulheres, a fim de estimar o efeito do ácido tranexâmico sobre o risco de morte por hemorragia1 pós-parto. Todas as análises foram feitas numa base de intenção de tratar.

Entre março de 2010 e abril de 2016, 20.060 mulheres foram inscritas e distribuídas aleatoriamente para receber ácido tranexâmico (n=10.051) ou placebo6 (n=10.009), das quais 10.036 e 9.985, respectivamente, foram incluídas no estudo de análise.

A morte por hemorragia1 foi significativamente reduzida nas mulheres que receberam ácido tranexâmico, especialmente em mulheres atendidas em até 3 horas após o parto. Todas as outras causas de morte não diferiram significativamente por grupo.

A histerectomia3 não foi reduzida com o ácido tranexâmico. O desfecho primário composto da morte por todas as causas ou histerectomia3 não foi reduzido com o ácido tranexâmico. Os eventos adversos (incluindo eventos tromboembólicos) não diferiram significativamente no grupo tratado com ácido tranexâmico versus placebo6.

O ácido tranexâmico reduz a morte devido ao sangramento em mulheres com hemorragia1 pós-parto sem efeitos adversos. Quando utilizado como tratamento para a hemorragia1 pós-parto, o ácido tranexâmico deve ser administrado o mais rapidamente possível após o início da hemorragia1.

Veja também sobre "Ruptura uterina", "Sangramentos durante a primeira metade da gravidez7" e "Sangramentos na segunda metade da gravidez7".

 

Fonte: The Lancet, publicação online de 26 de abril de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Uso precoce de ácido tranexâmico pode evitar mortes de mulheres com hemorragia no pós-parto. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1296378/uso-precoce-de-acido-tranexamico-pode-evitar-mortes-de-mulheres-com-hemorragia-no-pos-parto.htm>. Acesso em: 7 ago. 2020.

Complementos

1 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
2 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
3 Histerectomia: Cirurgia através da qual se extrai o útero. Pode ser realizada mediante a presença de tumores ou hemorragias incontroláveis por outras formas. Quando se acrescenta à retirada dos ovários e trompas de Falópio (tubas uterinas) a esta cirurgia, denomina-se anexo-histerectomia.
4 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
5 Grama: 1. Designação comum a diversas ervas da família das gramíneas que formam forrações espontâneas ou que são cultivadas para criar gramados em jardins e parques ou como forrageiras, em pastagens; relva. 2. Unidade de medida de massa no sistema c.g.s., equivalente a 0,001 kg . Símbolo: g.
6 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
7 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
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