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Suplementação com vitamina D pode prevenir infecções agudas do trato respiratório: revisão sistemática e meta-análise publicada no BMJ

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Com o objetivo de avaliar o efeito global da suplementação1 de vitamina2 D sobre o risco de infecção3 aguda do trato respiratório e identificar fatores que modificam esse efeito, foi realizada uma revisão sistemática e metanálise de dados de participantes individuais (IPDs) provenientes de ensaios clínicos4 randomizados.

As fontes de dados utilizadas foram Medline, Embase, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Web of Science, ClinicalTrials.gov e o registro International Standard Randomised Controlled Trials Number desde a criação até dezembro de 2015.

Saiba mais sobre "Deficiência de vitamina2 D".

Foram elegíveis para inclusão os ensaios aleatorizados, duplamente cegos, controlados com placebo5, de suplementação1 com vitamina2 D3 ou vitamina2 D2, se tivessem sido aprovados por um comitê de ética em investigação e se os dados relativos à incidência6 de infecção3 respiratória aguda fossem recolhidos prospectivamente e pré-especificados como resultado de eficácia.

Foram identificados 25 ensaios clínicos4 randomizados elegíveis (total de 11.321 participantes, com idade entre 0 e 95 anos). Os IPDs foram obtidos para 10.933 (96,6%) participantes. A suplementação1 com vitamina2 D reduziu o risco de infecção3 aguda do trato respiratório entre todos os participantes (razão de chances ajustada 0,88, intervalo de confiança de 95% 0,81 a 0,96; P para heterogeneidade <0,001).

Na análise de subgrupos, foram observados efeitos protetores naqueles que receberam diariamente ou semanalmente vitamina2 D sem doses de bolus7 adicionais (odds ratio ajustado de 0,81; 0,72 a 0,91), mas não naqueles que receberam uma ou mais doses de bolus7 (razão de chances ajustada de 0,97; 0,86 a 1,10; P para interação = 0,05). Entre os que receberam diariamente ou semanalmente vitamina2 D, os efeitos protetores foram mais fortes naqueles com níveis basais de 25-hidroxivitamina D<25 nmol/L (odds ratio ajustado de 0,30; 0,17 a 0,53) do que aqueles com níveis basais de 25-hidroxivitamina D≥25 nmol/L (odds ratio ajustado 0,75; 0,60 a 0,95, P para interação = 0,006).

A vitamina2 D não influenciou a proporção de participantes com pelo menos um evento adverso grave (odds ratio ajustado de 0,98; 0,80 a 1,20, P=0,83). O corpo de evidências que contribuiu para essas análises foi avaliado como sendo de alta qualidade.

A suplementação1 de vitamina2 D é segura e protege contra a infecção3 aguda do trato respiratório. Os pacientes que eram muito deficientes em vitamina2 D e aqueles que não recebiam doses em bolus7 tiveram maior benefício.

Veja também sobre "Pneumonia8", "Sinusite9", "Resfriado comum ou nasofaringite" e "Otites10".

 

Fonte: BMJ, de 15 de fevereiro de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. Suplementação com vitamina D pode prevenir infecções agudas do trato respiratório: revisão sistemática e meta-análise publicada no BMJ. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1288888/suplementacao-com-vitamina-d-pode-prevenir-infeccoes-agudas-do-trato-respiratorio-revisao-sistematica-e-meta-analise-publicada-no-bmj.htm>. Acesso em: 17 jul. 2019.

Complementos

1 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
2 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
3 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
5 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
6 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
7 Bolus: Uma quantidade extra de insulina usada para reduzir um aumento inesperado da glicemia, freqüentemente relacionada a uma refeição rápida.
8 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
9 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
10 Otites: Toda infecção do ouvido é chamada de otite.
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