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Intervenções para prevenir e reduzir a síndrome de burnout entre médicos: uma revisão sistemática publicada pelo The Lancet

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A síndrome1 de burnout ou síndrome1 do esgotamento profissional atingiu níveis epidêmicos entre médicos, como documentado em estudos com médicos em treinamento e médicos praticantes. As consequências são efeitos negativos no cuidado com os pacientes, no profissionalismo, na segurança e nos cuidados médicos individuais, bem como a viabilidade dos sistemas de saúde2. Uma compreensão mais completa sobre a qualidade e as conclusões disponíveis na literatura sobre abordagens para prevenir e reduzir a síndrome1 de burnout entre esses profissionais da saúde2 faz-se necessária.

Nesta revisão sistemática e meta-análise, com publicação online pelo periódico The Lancet, foram avaliados estudos dos bancos de dados MEDLINE, Embase, PsycINFO, Scopus, Web of Science e do Education Resources Information Center, desde o início até 15 de janeiro de 2016, sobre intervenções para prevenir e reduzir a síndrome1 de burnout entre médicos, incluindo estudos de braço único de comparação pré-pós. Foram excluídos os estudos com estudantes de medicina e com profissionais de saúde2 não médicos. Os resultados foram mudanças no esgotamento geral, pontuação de exaustão emocional (e alta exaustão emocional) e pontuação de despersonalização (e alta despersonalização). Foram usados modelos de efeitos aleatórios para calcular as diferenças estimadas na média agrupada para mudanças em cada resultado.

Foram identificados 2617 artigos, dos quais 15 estudos randomizados, incluindo 716 médicos e 37 estudos de coorte3 incluindo 2914 médicos que preencheram os critérios de inclusão. A síndrome1 de burnout diminuiu de 54% para 44% (diferença de 10% [IC 95% 5-14]; p<0,0001; I2=15%; 14 estudos), a pontuação de exaustão emocional diminuiu de 23,82 pontos para 21,17 pontos (2,65 pontos [1,67-3,64]; p<0,0001; I2=82%; 40 estudos) e a pontuação de despersonalização diminuiu de 9,05 para 8,41 (0,64 pontos [0,15-1,14]; p=0,01; I2=58%; 36 estudos). A alta exaustão emocional diminuiu de 38% para 24% (14% [11-18]; P<0,0001; I2=0%; 21 estudos) e a de alta despersonalização diminuiu de 38% para 34% (4% [0-8]; p=0,04; I2=0%; 16 estudos).

A literatura indica que ambas as estratégias, estratégia com foco no indivíduo e estratégias estruturais ou organizacionais, podem resultar em reduções clinicamente significativas do burnout entre médicos. Mais pesquisas são necessárias para estabelecer quais intervenções são mais eficazes em populações específicas, assim como determinar qual é a melhor maneira de combinar soluções individuais e organizacionais para proporcionar ainda mais melhorias no bem-estar médico do que os alcançados apenas com soluções individuais.

Leia também "O que saber sobre a síndrome1 de burnout?"

 

Fonte: The Lancet, publicação online, de 28 de setembro de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. Intervenções para prevenir e reduzir a síndrome de burnout entre médicos: uma revisão sistemática publicada pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1277053/intervencoes-para-prevenir-e-reduzir-a-sindrome-de-burnout-entre-medicos-uma-revisao-sistematica-publicada-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 24 jan. 2020.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
3 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
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