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Dez fatores de risco potencialmente modificáveis são associados a cerca de 90% dos AVCs, segundo dados do estudo INTERSTROKE

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O acidente vascular cerebral1 (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade, especialmente nos países de rendas baixa e média. No estudo INTERSTROKE, com publicação online pelo periódico The Lancet, buscou-se quantificar a importância dos fatores de risco potencialmente modificáveis para o AVC em diferentes regiões do mundo, em populações-chave2, e os principais subtipos patológicos de acidente vascular cerebral1.

Pesquisadores canadenses concluíram um estudo de caso-controle, internacional, em 32 países na Ásia, América, Europa, Austrália, Oriente Médio e África. Os casos foram pacientes com primeiro AVC agudo3 (dentro de cinco dias do início dos sintomas4 e 72 horas de internação). Os controles foram baseados em indivíduos da comunidade ou no hospital, sem história de acidente vascular cerebral1 e que foram pareados aos casos, recrutados na proporção de 1: 1, por idade e sexo. Todos os participantes completaram uma avaliação clínica e forneceram amostras de sangue5 e urina6. O odds ratio (OR) e os riscos atribuíveis à população (PARs) foram calculados, com intervalos de confiança de 99%.

Entre 11 de janeiro de 2007 e 08 de agosto de 2015, 26.919 participantes foram recrutados em 32 países [13.447 casos (10.388 com acidente vascular cerebral1 isquêmico7, 3.059 com hemorragia8 intracerebral) e 13.472 controles]. História prévia de hipertensão9 ou pressão arterial10 igual ou superior a 140/90 mmHg, atividade física regular, relação entre apolipoproteína (apo) B/ApoA1, dieta saudável, relação cintura-quadril, fatores psicossociais, tabagismo atual, doenças cardíacas, consumo de álcool e diabetes mellitus11 foram associados com todos os acidentes vasculares12 cerebrais.

Em conjunto, esses fatores de risco foram responsáveis por 90,7% dos riscos atribuíveis à população para todos os AVCs em todo o mundo (91,5% para acidente vascular cerebral1 isquêmico7 e 87,1% para hemorragia8 intracerebral) e foram consistentes em todas as regiões (variando de 82,7% na África a 97,4% no sudeste da Ásia), sexo (90,6% nos homens e nas mulheres) e faixas etárias (92,2% em pacientes com idade ≤55 anos e 90,0% em pacientes com idade >55 anos). A hipertensão9 foi mais associada à hemorragia8 intracerebral do que aos acidentes vasculares12 cerebrais isquêmicos, enquanto tabagismo, diabetes13, apolipoproteínas e doenças cardíacas foram mais associadas aos acidentes vasculares12 cerebrais isquêmicos (p<0,0001).

Concluiu-se que dez fatores de risco potencialmente modificáveis são coletivamente associados com cerca de 90% dos AVCs em cada grande região do mundo, entre os grupos étnicos, em homens e mulheres e em todas as idades. No entanto, encontrou-se variações regionais importantes para a maioria dos fatores de risco individuais para acidente vascular cerebral1, o que poderia contribuir para variações em todo o mundo em frequência e mix de casos de AVCs.

Saiba mais nos artigos sobre: "Acidente Vascular Cerebral1", "Hipertensão arterial14", "Colesterol15 Alto", "Diabetes Mellitus11", "Atividade física" e "Parar de fumar: como é?"

 

Fonte: The Lancet, publicação online de 15 de julho de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. Dez fatores de risco potencialmente modificáveis são associados a cerca de 90% dos AVCs, segundo dados do estudo INTERSTROKE. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1269678/dez-fatores-de-risco-potencialmente-modificaveis-sao-associados-a-cerca-de-90-dos-avcs-segundo-dados-do-estudo-interstroke.htm>. Acesso em: 20 out. 2019.

Complementos

1 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
2 Populações-chave: Grupos definidos que, devido a comportamentos de alto risco específicos, estão em maior risco para o HIV, independentemente do tipo ou da epidemia no contexto local. Além disso, eles muitas vezes têm problemas jurídicos e sociais relacionados aos seus comportamentos que aumentam sua vulnerabilidade ao HIV.
3 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
6 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
7 Isquêmico: Relativo à ou provocado pela isquemia, que é a diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea, numa parte do organismo, ocasionada por obstrução arterial ou por vasoconstrição.
8 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
9 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
10 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
11 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
12 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
13 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
14 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
15 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
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