Monkeypox, a varíola dos macacos, se tornou uma emergência de saúde global, afirmou OMS
A Organização Mundial da Saúde1 (OMS) declarou a varíola dos macacos uma emergência2 de saúde1 global. No anúncio feito em 23 de julho, a agência afirmou que a propagação da infecção3 viral constitui uma “emergência de saúde1 pública de interesse internacional”, seu nível mais alto de alerta, colocando-a a par da pandemia4 de coronavírus em andamento e dos esforços globais para erradicar a poliomielite5.
A decisão segue mais de 18.000 casos relatados de varíola em 78 países este ano. Segundo o relatório atualizado da OMS, desde 1º de janeiro de 2022, casos de varíola dos macacos foram relatados à OMS em 78 Estados Membros em todas as 6 regiões da OMS.
Em 26 de julho de 2022, um total de 18.081 casos confirmados laboratorialmente e 73 casos prováveis, incluindo 5 mortes, foram relatados à OMS. Desde 13 de maio de 2022, uma alta proporção desses casos foi relatada em países sem transmissão de varíola dos macacos previamente documentada. Esta é a primeira vez que casos e cadeias de transmissão sustentadas são relatados em países sem vínculos epidemiológicos diretos ou imediatos com áreas da África Ocidental ou Central.
Com exceção das áreas de países da África Ocidental e Central, o surto em curso de varíola dos macacos continua a afetar principalmente homens que fazem sexo com homens (HSH) que relataram relações sexuais recentes com um ou vários parceiros. No momento, não há sinal6 sugerindo transmissão sustentada além dessas redes.
A confirmação de um caso de varíola, em um país, é considerada um surto. O aparecimento inesperado da varíola em várias regiões na ausência inicial de ligações epidemiológicas com áreas da África Ocidental e Central sugere que pode ter havido transmissão não detectada por algum tempo.
A OMS avalia o risco global como moderado. Regionalmente, a OMS avalia o risco na Região Europeia como alto e como moderado na Região Africana, Região das Américas, Região do Mediterrâneo Oriental e Região do Sudeste Asiático. O risco na região do Pacífico Ocidental é avaliado como baixo-moderado.
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O Comitê de Emergência2 do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) sobre o surto multinacional de varíola dos macacos realizou sua segunda reunião em 21 de julho de 2022. Tendo considerado as opiniões dos membros e conselheiros do comitê, bem como outros fatores alinhados com o Regulamento Sanitário Internacional (2005), o diretor-geral da OMS declarou este surto uma emergência2 de saúde1 pública de interesse internacional e emitiu recomendações temporárias em relação ao surto.
Mas o painel da OMS estava dividido sobre declarar a varíola dos macacos uma emergência2 global, com o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus atuando como desempate. Alguns membros do painel argumentaram que a doença não é tão grave e que os números de casos não parecem estar aumentando exponencialmente, enquanto outros contestaram que os números de casos confirmados provavelmente são subestimados e que a doença requer uma resposta internacional coordenada.
A varíola dos macacos pode afetar qualquer pessoa, mas até agora a grande maioria dos casos ocorreu em homens que fazem sexo com homens, de acordo com a OMS. A agência informou que 99% dos casos ocorreram nesse grupo no Reino Unido, EUA, Canadá e Espanha, os países que forneceram mais dados à OMS. É mais provável que ocorra em pessoas que tiveram múltiplos parceiros sexuais recentemente.
Acredita-se que uma maneira pela qual a Monkeypox se espalhe seja através do contato pele7 a pele7, incluindo sexo, mas até este ano não havia indicação de que essa forma de transmissão fosse particularmente proeminente.
Um estudo publicado no NEJM, que analisou casos de varíola em 16 países, descobriu que apenas 0,8% dos casos foram provavelmente causados por contato próximo não sexual. O estudo também descobriu que 13% das pessoas necessitaram de hospitalização.
No surto atual, houve cinco mortes confirmadas pela doença na África até agora, segundo a OMS, embora haja suspeita de mais dezenas. Não houve mortes relatadas em outros lugares.
Os sintomas8 da varíola do macaco incluem febre9, dores de cabeça10, fadiga11 e erupção12 cutânea13. As erupções geralmente se desenvolvem primeiro no rosto e depois em outras partes do corpo. A OMS relata que o Reino Unido também planeja listar a inflamação14 do revestimento do reto15 como um sintoma16.
Designar a varíola dos macacos como uma emergência2 global significa que o surto é sem precedentes, afeta vários países e requer uma resposta internacional coordenada, disse Hugh Adler, da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, no Reino Unido, em comunicado ao Science Media Centre do Reino Unido.
“Chamar isso de emergência2 de saúde1 pública de interesse internacional adiciona peso político e urgência17 a essa situação”, disse ele. “Isso garante que esse surto possa ser priorizado.”
Os países que já sofrem de casos de varíola foram instruídos pela OMS a conscientizar as pessoas em maior risco e aumentar seus esforços para identificar e isolar pessoas com a doença. Esses locais também devem intensificar os programas de vacinação, disseram-lhes.
No Brasil já foram contabilizados 592 casos, a maioria em São Paulo – mas especialistas acreditam que o vírus18 esteja mais espalhado, em meio às dificuldades de teste e diagnóstico19. A doença já foi identificada pela ciência desde 1958, mas agora médicos e pesquisadores tentam entender as causas da velocidade do novo surto e debatem a melhor forma para conter essa ameaça sem aumentar o estigma sobre os grupos mais vulneráveis ao vírus18. Entre as estratégias, eles defendem campanhas de orientação focadas e vacinas.
Imvanex, também conhecida como Jynneos nos EUA, é uma vacina20 contra a varíola humana (smallpox) que também demonstrou ser eficaz contra a varíola dos macacos. Ela foi aprovada para uso na varíola dos macacos na União Europeia recentemente e também já está em uso nos EUA, com as doses sendo oferecidas às pessoas com maior risco de contrair a doença.
Por ora, a aquisição de vacinas contra a varíola dos macacos não é uma realidade para o Brasil e nem para a maioria dos países em que a doença já foi encontrada.
O fato de a doença estar atualmente concentrada em um grupo específico de pessoas e de já existir uma vacina20 sugere que o surto pode ser interrompido, disse o diretor-geral da OMS. “Com as ferramentas que temos agora, podemos interromper a transmissão e controlar esse surto”, disse ele.
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Fontes:
World Health Organization, relatório atualizado em 28 de julho de 2022.
New Scientist, notícia publicada em 25 de julho de 2022.