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Extrato de jabuticaba previne pré-diabetes e esteatose hepática em camundongos alimentados com alto teor de gordura

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Estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp teve o objetivo de investigar o efeito do extrato de jabuticaba no fígado1 e no metabolismo2 de camundongos envelhecidos e alimentados com uma dieta de alto teor de gordura3.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados no Journal of Functional Foods e mostram que o extrato de jabuticaba possui alto teor fenólico e atividade antioxidante, melhora a sensibilidade à insulina4, reduz o colesterol5 total e LDL6 e melhora o colesterol5 HDL7 e também reduz a esteatose hepática8 e a inflamação9. Assim, constatou-se que ele foi capaz de prevenir a pré-diabetes10 e o aumento do acúmulo de gordura3 no fígado1.

Saiba mais sobre "Como reduzir o colesterol5", "Colesterol5 LDL6", "Colesterol5 HDL7" e "Esteatose hepática8".

Camundongos FVB machos foram distribuídos da seguinte forma, para avaliar os efeitos dose-dependentes do extrato de casca de jabuticaba:

  • YG (jovem; 3 meses de idade)
  • AG (envelhecido; 11 meses)
  • HfAG (envelhecido + dieta hiperlipídica)
  • JAGI (envelhecido + 2,9gPJE/Kg)
  • JAGII (envelhecido + 5,8gPJE/Kg)
  • HfJAGI (envelhecido + dieta hiperlipídica + 2,9gPJE/Kg)
  • HfJAGII (envelhecido + dieta hiperlipídica + 5,8gPJE/Kg)

O extrato patenteado de casca de jabuticaba (PJE) mostrou uma atividade antioxidante potente e alto teor de compostos bioativos. Ambas as doses de PJE impediram o ganho de peso, a dislipidemia e a hiperglicemia11, reduziram o nível de COX-2 e melhoraram os níveis de colesterol5 HDL7, de substrato do receptor insulínico 1 (pIRS-1) e de receptor ativado por proliferadores de peroxissoma gama (PPARγ) em camundongos envelhecidos e alimentados com alto teor de gordura3.

Apenas o HfJAGII apresentou menor nível de TNFα, resistência à insulina12 e intolerância à glicose13 em relação ao HfAG. Considerando o envelhecimento, o PJE preveniu dislipidemia e hiperglicemia11, reduziu o TNFα, além de aumentar os níveis de pIRS-1 e PPARγ e restaurar a estrutura hepática14 em camundongos idosos.

Assim, a capacidade de modulação anti-inflamatória, hipoglicêmica e lipídica do PJE preveniu a pré-diabetes10 e a doença hepática14 gordurosa não alcoólica (DHGNA) neste modelo, sendo indicado como terapia potencial para prevenir distúrbios hepáticos e metabólicos associados à obesidade15, diabetes16 e ao envelhecimento.

Veja também sobre "Obesidade15", "Diabetes mellitus17" e "Envelhecimento saudável".

 

Fonte: Journal of Functional Foods, volume 47, em agosto de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Extrato de jabuticaba previne pré-diabetes e esteatose hepática em camundongos alimentados com alto teor de gordura. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1343023/extrato-de-jabuticaba-previne-pre-diabetes-e-esteatose-hepatica-em-camundongos-alimentados-com-alto-teor-de-gordura.htm>. Acesso em: 22 ago. 2019.

Complementos

1 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
2 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
3 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
4 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
5 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
6 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
7 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
8 Esteatose hepática: Esteatose hepática ou “fígado gorduroso“ é o acúmulo de gorduras nas células do fígado.
9 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
10 Pré-diabetes: Condição em que um teste de glicose, feito após 8 a 12 horas de jejum, mostra um nível de glicose mais alto que o normal mas não tão alto para um diagnóstico de diabetes. A medida está entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. A maioria das pessoas com pré-diabetes têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.
11 Hiperglicemia: Excesso de glicose no sangue. Hiperglicemia de jejum é o nível de glicose acima dos níveis considerados normais após jejum de 8 horas. Hiperglicemia pós-prandial acima de níveis considerados normais após 1 ou 2 horas após alimentação.
12 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
13 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
14 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
15 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
16 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
17 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
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