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A exposição a retardadores de chama comuns pode aumentar o risco de carcinoma papilífero da tireoide

quarta-feira, 12 de abril de 2017
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A exposição a retardadores de chama comuns pode aumentar o risco de carcinoma papilífero da tireoide

Alguns retardadores de chama usados ​​em muitos produtos de casa parecem estar associados ao tipo mais comum de câncer de tireoide, o carcinoma papilífero (PTC), de acordo com um novo estudo que foi apresentado na 99ª reunião anual da Sociedade Endócrina, ENDO 2017, na Flórida, Estados Unidos.

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"O câncer de tireoide é o câncer de maior crescimento nos EUA, com a maior parte do aumento de casos novos sendo de carcinoma papilífero", disse a Dra. Julie Ann Sosa, professora de cirurgia e medicina da Duke University School of Medicine, na Carolina do Norte. "Estudos recentes sugerem que fatores ambientais podem, em parte, ser responsáveis ​​por esse aumento."

Muitos estudos em animais demonstraram que várias classes de retardadores de chama atuam como substâncias químicas perturbadoras do sistema endócrino e interferem com a homeostase (função) da tireoide, em parte porque compartilham uma estrutura química similar com os hormônios tireoideanos, disse Sosa. Portanto, ela e seus colegas voltaram sua atenção para esses retardadores de chama para estudar uma possível relação com o PTC."

"Os resultados do nosso estudo sugerem que uma maior exposição a vários retardadores de chama no ambiente doméstico pode estar associada ao diagnóstico e à gravidade do carcinoma papilífero da tireoide, explicando potencialmente parte do aumento observado na incidência de câncer de tireoide", disse Sosa. "Este estudo é novo na medida em que coletamos e analisamos poeira doméstica dos indivíduos como uma medida de exposição a retardadores de chama."

Níveis de retardadores de chamas na poeira doméstica correlacionam-se significativamente com exposições pessoais, ela explicou. Os pesquisadores coletaram amostras de poeira das casas de 140 indivíduos do estudo: 70 com PTC e 70 indivíduos sem evidência de doença tireoidiana ou câncer como indivíduos controle. Os controles foram combinados em características importantes, incluindo idade, sexo, raça/etnia, índice de massa corporal, renda familiar e nível de escolaridade. Como todos os participantes haviam morado em suas casas por uma média de aproximadamente 11 anos, Sosa disse que os pesquisadores poderiam avaliar a exposição média a longo prazo a esses produtos químicos ambientais. Eles também coletaram amostras de sangue dos participantes para analisar biomarcadores de exposição a vários retardadores de chama na classe conhecida como éteres difenílicos polibromados (PBDEs).

O retardador de chama bromado é muitas vezes encontrado em invólucros de eletrônicos, estando presente em objetos comuns, como nas televisões. Estes produtos químicos se acumulam na poeira, podendo então facilmente achar seu caminho para dentro do organismo humano.

Assim como o PTC afeta mais mulheres do que homens, a maioria dos participantes do estudo (79%) eram mulheres, e sua idade média era de 48 anos. Os investigadores relataram que níveis mais elevados na poeira doméstica de dois retardadores de chama estavam associados a uma maior probabilidade de o residente ter PTC. Estes foram o decabromodifenil éter (BDE-209), o PBDE mais utilizado e, em menor grau, o tris (2-cloroetil) fosfato (TCEP), um retardante de chama de organofosfato. Os participantes cujos níveis de BDE-209 na poeira eram altos tinham mais de duas vezes mais chances de ter câncer de tireoide do que aqueles indivíduos com baixas concentrações de BDE-209.

Os participantes com níveis elevados de TCEP na poeira da casa tinham mais de quatro vezes mais chances de terem tumores maiores e mais agressivos que se estendiam além da tireoide, de acordo com o estudo. Em contraste, os participantes com os maiores níveis de poeira de BDE-209 foram 14 vezes mais propensos a serem um paciente com PTC que não tinha uma mutação genética comum (BRAF V600E). Esta mutação tem sido associada ao PTC que tende a se comportar de forma mais agressiva. "Essa diferença", disse Sosa, "pede por mais interrogação".

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Fontes:
Endocrine Society, press release publicado em 01 de abril de 2017.
The Wall Street Journal, entrevista realizada em 10 de abril de 2017.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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