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Olimpíadas no Brasil: o que a OMS recomenda aos viajantes que virão aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016?

sexta-feira, 24 de junho de 2016
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Olimpíadas no Brasil: o que a OMS recomenda aos viajantes que virão aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016?

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 serão no Rio de Janeiro, Brasil, entre 5 a 21 de agosto de 2016 e entre 7 a 18 de setembro de 2016, respectivamente. Cinco cidades adicionais irão hospedar jogos do Torneio Olímpico de Futebol - Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Salvador e São Paulo.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) são destinadas a aconselhar as autoridades de saúde e os prestadores de cuidados de saúde sobre práticas e medidas de segurança para os viajantes que visitarão o Brasil.

Antes da partida, os viajantes devem ser aconselhados sobre os riscos de saúde existentes nas áreas que pretendem visitar e a respeito das práticas e medidas preventivas relacionadas, para minimizar a probabilidade de adquirir doenças e de ter acidentes.

Os viajantes para o Brasil devem consultar o conselho de viagem emitido pelas respectivas autoridades nacionais.

As autoridades de saúde do Brasil fornecem conselhos de saúde para os visitantes em seu site em português (ver lista de sites no artigo original). Serviços de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde pública do Brasil (SUS) são gratuitos para todos os indivíduos, incluindo os visitantes.

Doenças evitáveis por vacinação

A consulta médica deve ser agendada o mais cedo possível antes da viagem, pelo menos 4 a 8 semanas antes da partida, a fim de dar tempo suficiente para a conclusão de esquemas de imunização para vacinas de rotina e para vacinas indicadas de acordo com destinos específicos. Mesmo quando a saída é iminente, ainda há tempo para fornecer conselhos e aplicar algumas vacinas.

Vacinas de rotina

Os viajantes devem ser vacinados de acordo com o seu calendário de imunização nacional, que irá variar de um país para outro. Esquemas de imunização de rotina, estabelecidos pelas autoridades nacionais, incluem a vacinação contra a difteria, coqueluche, tétano, poliomielite, sarampo, hepatite B, Haemophilus influenzae tipo b e, em muitos países, doenças adicionais, tais como a rubéola, caxumba, gripe, febre amarela, vírus do papiloma humano (HPV), rotavírus e doenças pneumocócicas.

Desde julho de 2015, o Brasil acabou com a transmissão do sarampo, na sequência de um surto associado a um caso importado. Como o sarampo ainda é endêmico ou circula em muitos países, a vacinação contra o sarampo deve ser atualizada para evitar a importação do vírus ao Brasil. Considerações semelhantes se aplicam para a rubéola, que foi eliminada no Brasil em 2009.

O poliovírus selvagem foi eliminado no Brasil desde 1989. Para evitar a reintrodução da poliomielite no Brasil, os viajantes provenientes de países onde casos de pólio têm ocorrido recentemente devem ser totalmente imunizados.

Para os viajantes em risco de complicações graves de gripe, a vacinação deve ser considerada. A OMS recomenda a vacinação contra a gripe sazonal para as mulheres grávidas, idosos, indivíduos com condições médicas crônicas específicas, crianças de 6 a 59 meses e profissionais de saúde. Note-se que a OMS aconselha mulheres grávidas a não viajar para os Jogos Olímpicos ou para qualquer área onde o vírus Zika está circulando. A cepa do vírus influenza da gripe que circula atualmente no Brasil, A (H1N1) pdm09, está incluída nas vacinas tanto no Hemisfério Norte 2015-2016 quanto no Hemisfério Sul 2016. Espera-se que os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos aconteçam após a temporada de gripe no Rio de Janeiro ter atingido o seu pico em junho e julho; no entanto, há variações regionais e casos ocorrem ao longo do ano no Brasil. Os viajantes em risco devem, idealmente, receber a vacina contra a gripe pelo menos duas semanas antes da partida.

Vacinas relacionadas a viagens

Dependendo do itinerário específico de viagem, vacinas adicionais podem ser consideradas para alguns viajantes. Aos viajantes não vacinados devem ser oferecidas tais vacinas de acordo com suas recomendações nacionais:

Hepatite A: o Brasil é um país de endemicidade intermediária e propenso a surtos de hepatite A.

Hepatite B: é provável que o risco de contrair hepatite B seja baixo, exceto para os viajantes que engajarem-se em comportamentos de alto risco, tais como tatuagens e uso de drogas injetáveis. A vacina contra hepatite B foi introduzida no calendário nacional de imunização no Brasil em 1998.

Febre tifoide: a incidência de febre tifoide no Brasil é maior no Norte e Nordeste, incluindo Amazonas e Manaus, que hospedarão jogos do Torneio Olímpico de Futebol.

Raiva: o risco de infecção por raiva no Rio de Janeiro e nas cinco cidades restantes que hospedarão o Torneio Olímpico de Futebol é desprezível.

Febre amarela: uma única dose da vacina contra a febre amarela é recomendada para todos os viajantes com idade superior a 9 meses que visitarão áreas de risco de transmissão da febre amarela. A vacinação deve ser realizada pelo menos 10 dias antes da partida, confere proteção duradoura e não é recomendada para os viajantes que limitarem a sua estadia para as seguintes cidades-sede das Olimpíadas e Jogos Paraolímpicos: Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A propagação internacional do surto de febre amarela em curso em Angola poderá exigir da OMS o ajuste dessas recomendações.

Doenças transmitidas por mosquitos

Medidas de proteção individuais

Embora o risco de doenças transmitidas por mosquitos seja menor durante o inverno, mesmo assim os viajantes devem tomar medidas de proteção para evitar picadas de mosquitos. Essas incluem:
  • Sempre que possível, usar roupas (de preferência de cor clara) que cubram a maior parte do corpo durante o dia;
  • Usar repelentes que contenham DEET (dietiltoluamida), ou IR 3535 ou icaridina, os quais devem ser aplicados na pele exposta ou nas roupas, utilizados em estrita conformidade com as instruções do rótulo, especialmente em relação à duração da proteção e tempo de reaplicação. Se repelentes e protetores solares são usados juntos, o protetor solar deve ser aplicado em primeiro lugar e o repelente após este;
  • Escolher acomodações sanitárias com água encanada e barreiras físicas, tais como telas em janelas e portas para evitar que os mosquitos entrem nos quartos;
  • Evitar áreas sem água encanada e com saneamento deficiente, que constituem criadouros ideais para os mosquitos.

Arboviroses transmitidas por mosquitos Aedes

Além da febre amarela (ver acima os requisitos de vacinação), as doenças transmitidas por mosquitos da espécie Aedes incluem chikungunya, dengue e doença do vírus Zika.

Leia os artigos sobre "Febre Amarela", "Chikungunya", "Dengue" e "Zika Vírus".

Dengue e chikungunya

Informações detalhadas sobre dengue e chikungunya estão disponíveis nos sites do Ministério da Saúde, OMS e OPAS/AMRO no Brasil (ver lista de websites no artigo original). Não há vacina para chikungunya. A vacinação contra dengue não é recomendada para os viajantes.

Doença do vírus Zika

A infecção pelo vírus Zika geralmente provoca uma doença leve e muitos casos de infecção pelo vírus Zika são assintomáticos. No entanto, na sequência de um surto de vírus Zika no Brasil em 2015 e sua posterior disseminação nas Américas, um aumento incomum em distúrbios neurológicos graves foi visto nos filhos de mulheres grávidas que tinham sido infectadas, incluindo casos de microcefalia e malformações neurológicas congênitas. Casos de síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma forma rara, mas grave de fraqueza muscular, foram observados entre adultos. Com base em um crescente número de pesquisas, há consenso científico de que o vírus Zika seja uma causa de microcefalia e de síndrome de Guillain-Barré. O Zika Vírus é transmitido principalmente por mosquitos, embora a transmissão sexual esteja sendo cada vez mais documentada.

Com base no conhecimento atual sobre a doença do vírus Zika e suas complicações, é recomendado às autoridades nacionais de saúde e aos profissionais de saúde:

  • Fornecer aos viajantes para áreas de transmissão em curso do vírus Zika, incluindo o Brasil, conselhos atuais sobre as medidas adequadas para reduzir o risco de infecção, incluindo a prevenção de picadas de mosquito e pratica de sexo seguro (por exemplo, uso correto e consistente de preservativos); sobre as potenciais consequências e complicações da infecção, especialmente para mulheres que estão grávidas ou planejam uma gravidez; sobre as formas de controle de natalidade “não-barreira” que não irão proteger contra a transmissão sexual da infecção pelo vírus Zika.
  • Aconselhar mulheres grávidas a não viajar para áreas de surtos em curso de vírus Zika, incluindo o Brasil.
  • Aconselhar as mulheres que engravidam inadvertidamente ou descobrem que estão grávidas pouco depois de retornarem do Brasil e/ou de outras áreas com transmissão em curso do vírus Zika que entrem em contato com os seus prestadores de cuidados de saúde.
  • Aconselhar mulheres grávidas cujos parceiros sexuais vivem em ou viajam para áreas com surtos de vírus Zika que garantam práticas sexuais seguras ou se abstenham de sexo durante o período da gravidez.
  • Aconselhar os viajantes sobre a prática de sexo seguro ou abstenção de sexo durante a sua estada no Brasil e/ou em outras áreas com transmissão em curso do vírus Zika e por pelo menos oito semanas após o seu regresso. Se os homens apresentam sintomas de doença do vírus Zika, eles devem adotar práticas sexuais mais seguras ou se abster de sexo por pelo menos seis meses.
  • Aconselhar os viajantes que retornam do Brasil e/ou de outras áreas com transmissão em curso do vírus Zika a não doar sangue durante pelo menos quatro semanas após a partida da área.
  • Aconselhar os profissionais de saúde a estarem alerta para a doença do vírus Zika em viajantes que retornam do Brasil e/ou de outras áreas com transmissão em curso do vírus Zika.
  • As autoridades nacionais devem proporcionar aos profissionais de saúde uma orientação clara sobre como encaminhar os viajantes com suspeita de infecção pelo vírus Zika para receberem um manejo clínico adequado e exames complementares, quando apropriados.
  • O risco de transmissão da malária é insignificante ou inexistente, exceto na região administrativa do Amazonas, correspondente aos estados do Norte do Brasil. Isso inclui a cidade de Manaus, que está hospedando alguns dos jogos do Torneio Olímpico de Futebol.
  • As infecções por Plasmodium falciparum são responsáveis por aproximadamente 15% dos casos de malária no Brasil. Em áreas afetadas pela malária, além da prevenção da picada de mosquito (incluindo o uso de repelentes e dormir sob um mosquiteiro tratado com inseticida), a quimioprofilaxia com atovaquone-proguanil ou doxiciclina ou mefloquina deve ser considerada e selecionada de acordo com os efeitos colaterais relatados e contraindicações. Alternativamente, para viajar para áreas rurais, com baixo risco de infecção por malária, a prevenção da picada de mosquito pode ser combinada ao tratamento de emergência (SBET).
  • Com base na avaliação de risco pelas autoridades sanitárias brasileiras, as diretrizes nacionais não incluem recomendações sobre a quimioprofilaxia da malária. Portanto, o acesso a esses medicamentos, enquanto no Brasil, será limitado e drogas antimaláricas devem ser compradas antes de viajar. Os viajantes que adoecerem com uma febre durante a viagem ao Brasil em uma zona de risco de malária devem procurar atenção médica imediata (ver lista de sites no artigo original para centros de saúde de diagnóstico e tratamento). Os viajantes que adoecerem com uma febre até um ano após a sua viagem devem informar aos seus profissionais de saúde sobre a sua história de viagem. Não há vacinação recomendada para a malária.

Infecções Sexualmente Transmissíveis (exceto infecção pelo vírus Zika)

O risco de infecção por HIV, sífilis, gonorreia, clamídia, herpes, vírus da hepatite B (HBV) e outras infecções sexualmente transmissíveis é limitado principalmente para os viajantes que engajarem-se em comportamentos sexuais de risco, especialmente sexo desprotegido e, particularmente, com profissionais do sexo, entre os homens que fazem sexo com outros homens e com usuários de drogas injetáveis. Portanto, a adoção de práticas de sexo seguro e o uso especificamente correto e consistente do preservativo são recomendados. As autoridades brasileiras lançaram uma campanha de prevenção em relação às doenças sexualmente transmissíveis, AIDS e hepatite (ver lista de sites no artigo original).

Segurança no consumo de água e alimentos

Como infecções gastrointestinais podem ser comuns no Brasil, os profissionais de saúde devem aconselhar os viajantes a tomar precauções para evitar doenças causadas pelo consumo de alimentos e bebidas inseguros. Essas precauções incluem: lavar as mãos frequentemente e sempre antes de manipular e consumir alimentos; certificar-se de que a comida foi bem cozida e permanece em vapor quente antes de ser servida; escolher água potável (por exemplo, água engarrafada ou, em caso de dúvida, a água vigorosamente fervida); evitar quaisquer alimentos não cozidos, além de frutas e verduras que podem ser descascadas; evitar alimentos em buffets, mercados, restaurantes e vendedores de rua, se não forem mantidos quentes ou refrigerados no gelo.

A qualidade das águas de áreas recreativas no Rio de Janeiro, inclusive nos locais de realização de eventos dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, tem sido considerada abaixo do ideal por causa da contaminação por esgotos. Enquanto as ações corretivas estão sendo tomadas, os viajantes devem seguir o conselho emitido pelas autoridades locais competentes (ver lista de sites no artigo original).

Riscos para outras doenças infecciosas

O risco para os viajantes adquirirem infecções transmitidas pelo ar, como a tuberculose e meningite é limitado, a menos que fiquem em espaços fechados e superlotados.

Os viajantes que vão para Belo Horizonte devem estar cientes do risco de contrair febre maculosa brasileira, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que pode resultar do contato com um roedor infectado chamado capivara.

Os viajantes que vão para Salvador devem estar cientes do risco de contrair leptospirose, causada pela bactéria Leptospira, que pode resultar da exposição da pele e das mucosas à água e solos contaminados com a urina de animais infectados. Uma ampla variedade de animais pode “transportar” esta bactéria.

O risco de leishmaniose (cutânea e visceral), esquistossomose, filariose linfática e outras doenças tropicais negligenciadas é geralmente associado a áreas rurais da região nordeste do Brasil.

Veja o documento original e os links sugeridos pela OMS para consultas futuras (que foram descritos no texto acima) em Brazil - Health Advice for Travellers to the 2016 Summer Olympic and Paralympic Games

 

Fonte: World Health Organization (WHO), em 21 de junho de 2016

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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