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Suplementação de melatonina pode ajudar crianças com dermatite atópica e distúrbios do sono

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Perturbações durante o sono são comuns em crianças com dermatite1 atópica (DA), mas falta manejo clínico eficaz para este problema. Níveis de melatonina noturna reduzidos já foram associados a perturbações do sono e ao aumento da gravidade da doença em crianças com DA. A melatonina também tem propriedades anti-inflamatórias e ação na indução do sono e, portanto, pode ser útil para o tratamento da DA.

Um ensaio clínico randomizado2, publicado pelo periódico JAMA Pedicatrics, avaliou a eficácia da suplementação3 de melatonina para melhorar os distúrbios do sono e a gravidade da doença em crianças com dermatite1 atópica.

O estudo clínico randomizado2 usando um desenho duplo-cego, cruzado, controlado por placebo4, estudou 73 crianças e adolescentes, com um a 18 anos, com DA diagnosticada por médico envolvendo pelo menos 5% da superfície total do corpo. O estudo foi realizado no departamento de pediatria de um grande hospital terciário, em Taiwan, desde 1° de agosto de 2012 até 31 de janeiro de 2013. Quarenta e oito crianças foram randomizadas 1:1 para usar melatonina ou placebo4, trinta e oito (79%) completaram o período de crossover do estudo. O final do acompanhamento ocorreu em 13 de abril de 2013 e os dados foram analisados de 27 de janeiro a 25 de abril de 2014. As análises foram baseadas na intenção de tratar.

As intervenções foram o uso de melatonina (3 mg/dia) ou placebo4, durante 4 semanas, seguidas por um período de washout de duas semanas e, em seguida, cruzamento para o tratamento alternativo, durante quatro semanas.

O desfecho primário foi a gravidade da DA avaliada através do índice de pontuação Scoring Atopic Dermatitis (SCORAD), com escores variando de 0 a 103 e maiores escores indicativos de sintomas5 piores. Os desfechos secundários incluíram variáveis do sono medidas pela actigrafia6, mudança subjetiva do sono e da dermatite1, as variáveis do sono medidas pela polissonografia7, os níveis urinários noturnos de 6-sulfatoximelatonina e níveis séricos de IgE.

Após o tratamento com melatonina entre as 48 crianças incluídas no estudo, o índice SCORAD diminuiu em 9,1 em comparação com placebo4 (P<0,001). Além disso, a latência8 de sono foi encurtada em 21,4 minutos após o tratamento com melatonina em comparação com o placebo4 (P=0,02). A melhora no índice SCORAD não se correlacionou significativamente com a mudança na latência8 do sono (P=0,85). Nenhum paciente retirou-se do estudo devido a eventos adversos e nenhum evento adverso foi relatado durante o estudo.

A suplementação3 de melatonina é uma maneira segura e eficaz para melhorar a latência8 do sono e diminuir a gravidade da doença em crianças com dermatite1 atópica.

Fonte: JAMA Pediatrics, publicação online, de 16 de novembro de 2015

NEWS.MED.BR, 2015. Suplementação de melatonina pode ajudar crianças com dermatite atópica e distúrbios do sono. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/812124/suplementacao-de-melatonina-pode-ajudar-criancas-com-dermatite-atopica-e-disturbios-do-sono.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.

Complementos

1 Dermatite: Inflamação das camadas superficiais da pele, que pode apresentar-se de formas variadas (dermatite seborreica, dermatite de contato...) e é produzida pela agressão direta de microorganismos, substância tóxica ou por uma resposta imunológica inadequada (alergias, doenças auto-imunes).
2 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
3 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
4 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Actigrafia: Ela estima parâmetros do sono, tais como tempo total de sono, início e fim do sono, tempo de vigília após início do sono, eficiência e latência do sono. Como é uma estimativa, não é considerada padrão ouro para analisar o sono.
7 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
8 Latência: 1. Estado, caráter daquilo que se acha latente, oculto. 2. Por extensão de sentido, é o período durante o qual algo se elabora, antes de assumir existência efetiva. 3. Em medicina, é o intervalo entre o começo de um estímulo e o início de uma reação associada a este estímulo; tempo de reação. 4. Em psicanálise, é o período (dos quatro ou cinco anos até o início da adolescência) durante o qual o interesse sexual é sublimado; período de latência.
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