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Confira as vinte recomendações da Agência de Pesquisa e Qualidade em Serviços de Saúde americana para evitar erros médicos

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Artigo recente do Instituto de Medicina estima que entre 44 mil a 98 mil pessoas morrem em hospitais dos Estados Unidos, por ano, em conseqüência de erros médicos. Isto significa que mais pessoas morrem em decorrência de erros médicos do que por acidentes de trânsito, câncer1 de mama2 ou AIDS. Saiba como você pode colaborar para evitá-los.

Segundo definição de Júlio Cezar Meirelles Gomes e Genival Veloso França, em sua obra “Erro Médico”, “Erro Médico é a conduta profissional inadequada que supõe uma inobservância técnica, capaz de produzir um dano à vida ou à saúde3 de outrem, caracterizada por imperícia4, imprudência5 ou negligência”. Pode ocorrer em hospitais, clínicas, centros cirúrgicos, consultórios médicos, farmácias ou residências de pacientes e involvem medicamentos, cirurgias, diagnósticos, equipamentos ou exames laboratoriais. Muitos são resultado do complexo sistema de saúde3 atual, mas eles também acontecem quando há um problema de comunicação entre médicos e pacientes.

O governo americano, trabalhando em conjunto com provedores de cuidados em saúde3, liberou uma publicação da Agência de Pesquisa e Qualidade em Serviços de Saúde3 (Agency for Healthcare Research and Quality - AHRQ) que fala como evitar os erros médicos.

O que pode ser feito? Envolva-se com a sua saúde3.

1. O caminho mais importante para ajudar a prevenir erros médicos é ser um membro ativo da equipe que cuida da sua saúde3. Pesquisas mostram que os pacientes mais envolvidos com os cuidados com a sua saúde3 são os que alcançam melhores resultados.

2. Tenha certeza de que seus médicos têm conhecimento de todos os medicamentos que você está usando, inclusive aqueles que não necessitam de prescrição médica para serem comprados, suplementos nutricionais e vitaminas. Pelo menos uma vez ao ano, leve todos esses medicamentos que você usa para o médico que acompanha a sua saúde3.

3. Tenha certeza de que seu médico conhece todas as alergias ou reações adversas a medicamentos que você já apresentou. Isto evita que você use um medicamento que pode te causar mal.

4. Depois que o médico lhe entregar uma prescrição, procure lê-la para ter a certeza de que entendeu o nome do medicamento receitado. Quando você não consegue ler o nome do medicamento, é muito provável que o farmacêutico ou balconista da farmácia também não consiga. Peça ao médico para escrever novamente em letras legíveis.

5. Procure informações sobre os medicamentos de uma maneira que você possa compreender. Pergunte sobre:

  • Indicações da medicação;
  • Como você deve usá-la e por quanto tempo;
  • Quais são os efeitos colaterais6 que podem ser observados e o que fazer se algum deles ocorrer com você;
  • Quais alimentos você deve evitar ingerir ao usar esta medicação;
  • Pergunte se ela interfere em algum medicamento que você já faz uso.

6. Quando tiver na farmácia comprando o medicamento, pergunte:
Esta é a medicação que o meu médico prescreveu? Um estudo do Massachusetts College of Pharmacy and Allied Health Sciences relata que 88% dos erros com medicação envolvem aviamento errado da receita médica ou uso da dose errada.


7. Caso você tenha alguma dúvida após ler a bula do medicamento, pergunte. Por exemplo, pergunte se “quatro doses ao dia” significa “tomar a medicação de 6 em 6 horas” ou “ingerir a medicação quatro vezes durante o tempo em que você está acordado”.

8. Quando se tratar de um medicamento em forma líquida, use apenas o dispositivo que acompanha o frasco do medicamento para medir as doses. Não troque este dispositivo por talheres da sua casa ou por outras seringas. Pergunte como usar corretamente esta ferramenta, em caso de dúvidas.

9. Obtenha informações sobre os efeitos colaterais6 que este remédio pode causar. Sabendo o que pode acontecer, você estará mais preparado para obter ajuda caso eles aconteçam.

10. Quando precisar fazer uma cirurgia, se tiver a opção, escolha o hospital em que várias outras pessoas já tenham feito o mesmo procedimento.

11. Quando estiver em um hospital, não se envergonhe de perguntar aos profissionais que vão cuidar de você se eles lavaram as mãos7. Lavar as mãos7 é muito importante para evitar a disseminação de infecções8 hospitalares. Infelizmente, este ato não é feito com a regularidade que deveria.

12. Quando receber alta hospitalar, procure entender a explicação sobre o tratamento que deve receber e todos os cuidados com alimentação, funções excretoras (urina9 e fezes), retorno às suas atividades rotineiras, incluindo atividades físicas.

13. É raro que a equipe cirúrgica se engane quanto ao local em que será realizada uma cirurgia, mas isso pode acontecer. Procure confirmar com a equipe cirúrgica o local do seu corpo em que será realizado o ato cirúrgico.

14. Saiba que você tem o direito de ter suas dúvidas esclarecidas pelos profissionais de saúde3. Converse com o seu médico.

15. Caso você tenha mais de um problema de saúde3, certifique-se de que o médico que o acompanha informou a toda a equipe sobre esses problemas. Isto é particularmente importante quando você está em um hospital.

16. Peça a um membro de sua família ou a um amigo para acompanhá-lo quando for a um hospital. Mesmo se você achar que não precisa  no momento, você pode precisar dessa ajuda mais tarde.

17. Nem sempre mais é o melhor. É uma boa idéia perguntar em que um procedimento ou tratamento vai auxiliá-lo.

18. Quando fizer um exame, pergunte sobre os resultados.

19. Aprenda sobre sua condição de saúde3 perguntando a médicos e enfermeiros. Procure também outras fontes confiáveis de informação.

20. Pergunte a seu médico se o tratamento que você está recebendo está baseado nas últimas evidências científicas.


Fontes: AHRQ

NEWS.MED.BR, 2008. Confira as vinte recomendações da Agência de Pesquisa e Qualidade em Serviços de Saúde americana para evitar erros médicos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/para-pacientes/22805/confira-as-vinte-recomendacoes-da-agencia-de-pesquisa-e-qualidade-em-servicos-de-saude-americana-para-evitar-erros-medicos.htm>. Acesso em: 7 dez. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Imperícia: Falta de perícia (de competência, de experiência, de habilidade). É a falta de habilidade ou experiência reputada necessária para a realização de certas atividades e cuja ausência, por parte do agente, o faz responsável pelos danos ou ilícitos penais advenientes.
5 Imprudência: Inobservância das precauções necessárias. É uma das causas de imputação de culpa previstas na lei.
6 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
7 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
8 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
9 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
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