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Uso de álcool e risco de grave comprometimento cognitivo: um estudo de coorte publicado pelo The American Journal of Geriatric Psychiatry

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Para avaliar os efeitos de uma história de transtornos causados pelo uso de álcool (TUAs) sobre o risco de déficit cognitivo1 e déficit grave de memória na vida adulta foi realizado um estudo de coorte2 prospectivo3, com dezenove anos de acompanhamento, publicado pelo The American Journal of Geriatric Psychiatry.

Estudou-se a associação entre a história de TUAs e o início do declínio cognitivo1 e do déficit grave de memória em 6542 adultos de meia idade, nascidos entre 1931 e 1941, que participaram do Health and Retirement Study, um estudo prospectivo3 de uma coorte4 nacionalmente representativa dos EUA. Os participantes foram avaliados no início do estudo em 1992 e as avaliações cognitivas de acompanhamento foram realizadas a cada dois anos, de 1996 a 2010. A história de TUAs foi identificada através do questionário CAGE com três itens modificados. Os resultados cognitivos5 foram avaliados utilizando os 35 itens modificados do Telephone Interview for Cognitive Status (mTICS) no último acompanhamento, com grave comprometimento cognitivo1 incidente6 definido como um escore ≤ 8 e grave comprometimento da memória incidente6 definido como uma pontuação ≤ 1 em uma subescala de memória com 20 itens.

Durante os dezenove anos de acompanhamento, noventa participantes tiveram grave comprometimento cognitivo1 e 74 participantes apresentaram perda de memória grave. A história de TUAs mais que dobrou a chance de apresentar perda de memória grave. A associação com grave comprometimento cognitivo1 não foi estatisticamente significativa.

Concluiu-se que nos adultos de meia-idade estudados, com história de TUAs, a chance de desenvolver perda de memória grave futuramente aumentou. Estes resultados reforçam a necessidade de se considerar a relação entre o consumo de álcool e as alterações cognitivas numa perspectiva multifatorial durante o tempo de vida.

Fonte: The American Journal of Geriatric Psychiatry, publicação online de 9 de junho de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Uso de álcool e risco de grave comprometimento cognitivo: um estudo de coorte publicado pelo The American Journal of Geriatric Psychiatry. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/557897/uso-de-alcool-e-risco-de-grave-comprometimento-cognitivo-um-estudo-de-coorte-publicado-pelo-the-american-journal-of-geriatric-psychiatry.htm>. Acesso em: 16 set. 2019.

Complementos

1 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
2 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
3 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
4 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
5 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
6 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
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