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Ideação suicida ou tentativa de suicídio em adultos com síndrome de Asperger: um estudo clínico de coorte publicado pelo The Lancet Psychiatry

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A síndrome1 de Asperger na idade adulta é frequentemente associada à depressão, mas poucos estudos têm explorado a ideação suicida e as tentativas ou planos de suicídio autorrelatados neste grupo clínico ao longo de suas vidas. O objetivo do presente trabalho, publicado pelo The Lancet Psychiatry, foi avaliar esta prevalência2 em uma coorte3 clínica de pacientes no Reino Unido.

Em um estudo de coorte4, foi realizada uma análise retrospectiva de dados de pesquisa de adultos recém-diagnosticados com a síndrome1 de Asperger em uma clínica de diagnóstico5 especializado, entre 23 de janeiro de 2004 e 8 de julho de 2013, na Inglaterra. Os pacientes responderam a um questionário de autorrelato antes da avaliação clínica, registrando sua experiência de vida em relação à depressão, ideação suicida, planos ou tentativas de suicídio, juntamente com medidas de autorrelato de traços autistas e empatia. Comparou-se a taxa de ideação suicida na amostra estudada às taxas publicadas de ideação suicida na população em geral e em outros grupos clínicos. Também se avaliou a associação entre depressão, traços autistas, empatia e probabilidade de ideação suicida e planos ou tentativas de suicídio.

374 adultos (256 homens e 118 mulheres) foram diagnosticados com a síndrome1 de Asperger no período do estudo. 243 (66%) dos 367 entrevistados autorrelataram ideação suicida, 127 (35%) dos 365 entrevistados autorrelataram planos ou tentativas de suicídio e 116 (31%) dos 368 entrevistados autorrelataram depressão. Os adultos com a síndrome1 de Asperger eram significativamente mais propensos a relatar ideação suicida do que os indivíduos de uma amostra da população geral do Reino Unido (odds ratio 9,6 [IC 95% 7,6-11,9], p<0,0001), pessoas com uma, duas ou mais doenças clínicas (p<0,0001) ou pessoas com doença psicótica (p=0,019). Em comparação com as pessoas diagnosticadas com a síndrome1 de Asperger sem depressão, aquelas com síndrome1 de Asperger e com depressão tinham mais chances de relatar ideação suicida (p<0,0001) e planos ou tentativas suicidas (p<0,0001).

Os resultados deste estudo corroboram os relatos de aumento das taxas de ideação suicida em adultos com síndrome1 de Asperger e a depressão como um importante fator de risco6 potencial para o suicídio em adultos com esta síndrome1. Já que os adultos com a síndrome1 de Asperger muitas vezes têm muitos fatores de risco para a depressão secundária (por exemplo, o isolamento ou a exclusão social e o desemprego), estas conclusões reforçam a necessidade de um planejamento adequado de serviço e o apoio para reduzir o risco de suicídio neste grupo clínico.

Fonte: The Lancet Psychiatry, publicação online, de 25 de junho de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Ideação suicida ou tentativa de suicídio em adultos com síndrome de Asperger: um estudo clínico de coorte publicado pelo The Lancet Psychiatry. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/549682/ideacao-suicida-ou-tentativa-de-suicidio-em-adultos-com-sindrome-de-asperger-um-estudo-clinico-de-coorte-publicado-pelo-the-lancet-psychiatry.htm>. Acesso em: 24 jun. 2019.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
3 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
4 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
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