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Alto consumo de proteína está ligado ao aumento do câncer, diabetes e mortalidade em pessoas com até 65 anos, mas não nos mais idosos; em artigo da Cell Metabolism

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Pesquisa publicada pela revista Cell Metabolism mostra que o alto consumo de proteína está ligado ao aumento dos casos de câncer1, diabetes mellitus2 e da mortalidade3 geral em pessoas de até 65 anos; mas pode ser protetor para idosos com idade mais avançada.

As proteínas4 de origem vegetal estão associadas à menor mortalidade3 do que as proteínas4 de origem animal.

O estudo analisou dados de mais de 6.000 americanos com mais de 50 anos, acompanhados por 18 anos. Ratos e humanos com deficiências no receptor do hormônio5 do crescimento/IGF-1 (GHR-IGF-1) exibem grandes reduções em doenças relacionadas à idade. A restrição proteica reduz a atividade de GHR-IGF-1, por isso foram examinadas as relações entre a ingestão de proteína e a mortalidade3.

Os participantes com idades compreendidas entre 50 e 65 anos que relataram alta ingestão de proteína tiveram um aumento de 75% na mortalidade3 geral e um aumento de quatro vezes no risco de morte por câncer1 durante os 18 anos em que foram acompanhados. Estas associações ou foram abolidas ou atenuadas se as proteínas4 eram derivadas de vegetais. Por outro lado, o alto consumo de proteínas4 foi associado à redução do câncer1 e da mortalidade3 geral em entrevistados com mais de 65 anos, mas observou-se um aumento de cinco vezes na mortalidade3 por diabetes6 em todas as idades.

Para os indivíduos com 66 anos ou mais velhos, o consumo mais elevado de proteína foi associado à maior sobrevida7. Gerontologistas dizem que isto faz sentido, porque a capacidade de absorver proteína parece diminuir com o envelhecimento, necessitando talvez de um maior consumo.

Estudos com ratos confirmaram o efeito da alta ingestão de proteínas4 e da sinalização do GHR-IGF-1 sobre a incidência8 e progressão de tumores de mama9 e melanoma10 e também os efeitos prejudiciais de uma dieta pobre em proteínas4 nos mais idosos. Estes resultados sugerem que a baixa ingestão de proteína durante a meia idade (50-65 anos) seguida do consumo moderado a alto de proteína em adultos com idade superior a 65 anos podem aumentar a longevidade.

Fonte: Metabolism, volume 19, número 3, de 4 de março de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Alto consumo de proteína está ligado ao aumento do câncer, diabetes e mortalidade em pessoas com até 65 anos, mas não nos mais idosos; em artigo da Cell Metabolism. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/528829/alto-consumo-de-proteina-esta-ligado-ao-aumento-do-cancer-diabetes-e-mortalidade-em-pessoas-com-ate-65-anos-mas-nao-nos-mais-idosos-em-artigo-da-cell-metabolism.htm>. Acesso em: 18 nov. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
5 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
6 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
7 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
8 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
9 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
10 Melanoma: Neoplasia maligna que deriva dos melanócitos (as células responsáveis pela produção do principal pigmento cutâneo). Mais freqüente em pessoas de pele clara e exposta ao sol.Podem derivar de manchas prévias que mudam de cor ou sangram por traumatismos mínimos, ou instalar-se em pele previamente sã.
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