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Diverticulite: revisão sistemática publicada pelo JAMA

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A diverticulite1 é uma doença comum. Mudanças recentes na compreensão de sua história natural modificaram substancialmente os paradigmas de tratamento desta patologia2.

Com o objetivo de rever a etiologia3 e a história natural da diverticulite1 e as recentes mudanças nas diretrizes de tratamento desta condição, foi realizada uma revisão sistemática publicada pelo periódico The Journal of the American Medical Association (JAMA).

Os pesquisadores procuraram dados no MEDLINE e Cochrane para artigos em língua4 inglesa relativos ao diagnóstico5 e tratamento da diverticulite1, publicados entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de março de 2013. Os termos de pesquisa foram aplicados a quatro tópicos: fisiopatologia6, história natural, tratamento e indicações para a cirurgia. Foram excluídas pequenas séries de casos e artigos baseados em dados acumulados antes de 2000. Oitenta artigos preencheram os critérios para análise.

A fisiopatologia6 da diverticulite1 está associada à alteração da motilidade intestinal, aumento da pressão luminal e um microambiente desordenado no cólon7. Vários estudos examinaram semelhanças histológicas8 com doença inflamatória intestinal e síndrome9 do intestino irritável, mas se concentraram em associações ao invés de causas. A história natural da diverticulite1 não complicada é muitas vezes benigna, por exemplo, em um estudo de coorte10 2.366 de 3.165 pacientes hospitalizados por diverticulite1 aguda e acompanhados por 8,9 anos; apenas 13,3 % dos pacientes tiveram uma recorrência11 e 3,9% tiveram um segundo episódio de recorrência11. Em contraste com o que se pensava anteriormente, o risco de peritonite12 séptica é reduzido e não é aumentado a cada episódio de recorrência11. Os resultados de relatos de pacientes mostram 20% a 35% dos pacientes tratados conservadoramente para dor abdominal crônica em comparação com 5 % a 25 % dos pacientes tratados com cirurgia. Ensaios clínicos13 randomizados e estudos de coorte14 mostraram que os antibióticos e as fibras não são tão benéficos como se pensava anteriormente e que a mesalamina pode ser útil. O tratamento cirúrgico para a doença crônica não é sempre garantia de sucesso.

As conclusões dos estudos recentes demonstram menor papel para uma intervenção agressiva com antibiótico ou cirurgia para tratar a diverticulite1 crônica ou recorrente do que se pensava ser necessário anteriormente.

Fonte: The Journal of the American Medical Association (JAMA), volume 311, número 3, de 15 de janeiro de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Diverticulite: revisão sistemática publicada pelo JAMA. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/517757/diverticulite-revisao-sistematica-publicada-pelo-jama.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.

Complementos

1 Diverticulite: Inflamação aguda da parede de um divertículo colônico. Produz dor no quadrante afetado (em geral o inferior esquerdo), febre, etc.Necessita de tratamento com antibióticos por via endovenosa e raramente o tratamento é cirúrgico.
2 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
3 Etiologia: 1. Ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. 2. Estudo das causas das doenças.
4 Língua:
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
7 Cólon:
8 Histológicas: Relativo à histologia, ou seja, relativo à disciplina biomédica que estuda a estrutura microscópica, composição e função dos tecidos vivos.
9 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
10 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
11 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
12 Peritonite: Inflamação do peritônio. Pode ser produzida pela entrada de bactérias através da perfuração de uma víscera (apendicite, colecistite), como complicação de uma cirurgia abdominal, por ferida penetrante no abdome ou, em algumas ocasiões, sem causa aparente. É uma doença grave que pode levar pacientes à morte.
13 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
14 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
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