Diabetes tipo 1 foi associado a um aumento de três vezes no risco de demência
Um estudo de coorte1 prospectivo2 realizado nos EUA e publicado na revista Neurology revelou que idosos com diabetes tipo 13 ou tipo 2 apresentaram maior risco de demência4.
Em comparação com pessoas sem diabetes5, idosos com diabetes tipo 13 apresentaram um risco quase três vezes maior de desenvolver demência4 por todas as causas durante um período de acompanhamento de 2,4 anos, após ajuste para fatores sociodemográficos. Aqueles com diabetes tipo 26 apresentaram um risco aproximadamente duas vezes maior.
Estima-se que 64,5% dos casos de demência4 em pessoas com diabetes tipo 13 possam ser atribuídos à doença, relataram Jennifer Weuve, da Escola de Saúde7 Pública da Universidade de Boston, e seus colegas.
“Sabemos que o diabetes tipo 26 está associado a um risco aumentado de demência4, mas esta nova pesquisa sugere que, infelizmente, a associação pode ser ainda mais forte para aqueles com diabetes5 tipo 1”, explicou Weuve em um comunicado.
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“Como os avanços na medicina têm prolongado a vida de pessoas com diabetes tipo 13, torna-se cada vez mais importante entender a relação entre o diabetes tipo 13 e o risco de demência”, acrescentou.
“O diabetes tipo 13 não é comum, portanto, essa condição representa uma pequena fração de todos os casos de demência”, destacou Weuve. “Mas, para o número crescente de pessoas com diabetes tipo 13 com mais de 65 anos, essas descobertas ressaltam a urgência9 de entendermos como o diabetes tipo 13 influencia o risco de demência4 e como podemos preveni-la ou retardá-la.”
Há “uma vasta quantidade de evidências acumuladas” que ligam o diabetes5 ao risco de demência4, mas poucos estudos quantificaram o risco no diabetes tipo 13, observaram os pesquisadores.
“Nossos resultados em relação ao diabetes tipo 26 são consistentes com a literatura anterior”, escreveram os pesquisadores. O diabetes tipo 26 está associado ao risco de demência4 por meio de diversos mecanismos, incluindo hiperglicemia10, aumento da deposição de beta-amiloide ou comorbidades11 como síndrome metabólica12, hiperinsulinemia13 ou acidente vascular cerebral14, explicaram.
No diabetes tipo 13, entretanto, episódios de hipoglicemia15 podem impulsionar o risco de demência4 ao causar danos neuronais por meio de alterações no metabolismo16 da glicose17, insuficiência18 de insulina19 ou estresse oxidativo e inflamação20 no hipocampo21.
“Embora o diabetes tipo 26 envolva resistência à insulina22 e hiperglicemia10, o diabetes tipo 13 pode apresentar um conjunto único de riscos, em parte devido à destruição autoimune23 das células24 beta”, observou a equipe de Weuve. “Esses mecanismos devem ser mais bem explorados.”
Confira a seguir o resumo do artigo publicado pela equipe.
Diabetes tipo 13 e incidência25 de demência4
Embora o diabetes mellitus8 (DM) seja um determinante bem estabelecido do risco de demência4, a maioria dos estudos avaliou o diabetes mellitus8 tipo 2 (DM2) ou qualquer tipo de diabetes5. A influência do diabetes mellitus8 tipo 1 (DM1) no risco de demência4 permanece incerta.
Neste estudo avaliou-se, separadamente, as associações de DM1 e DM2 com demência4 incidente26 usando registros eletrônicos de saúde7 (RES) vinculados.
Este estudo de coorte1 prospectivo2 utilizou dados de questionários e RES coletados anteriormente da coorte27 All of Us (AoU), uma amostra de conveniência de adultos dos EUA. Os participantes elegíveis tinham 50 anos ou mais e completaram os questionários iniciais. O recrutamento começou em 2017, com dados disponíveis até outubro de 2023, juntamente com registros anteriores ao recrutamento. O acompanhamento médio desde o início do estudo foi de 2,4 anos.
Desenvolveu-se um algoritmo para distinguir o tipo de diabetes5 com base na contagem de consultas relacionadas ao DM1. Este algoritmo foi validado em relação a duas medidas de referência: tipo de diabetes5 autorrelatado e valores de peptídeo C28.
Usando dados da coorte27 AoU, classificou-se os participantes como tendo nenhum DM, DM1 ou DM2. Apurou-se a incidência25 de demência4 usando códigos da CID-9, CID-10 e Nomenclatura Sistematizada de Medicina nos RES dos participantes. Estimou-se as razões de risco (HRs) e os ICs de 95% para a associação do tipo de diabetes5 com demência4 incidente26 usando modelos de riscos proporcionais de Cox.
Entre 283.772 participantes (idade média [DP] de 64,62 [8,96] anos; 56,7% mulheres), 60,3% se identificaram como brancos não hispânicos e 13,3% como hispânicos/latinos. Os pontos de corte ideais do algoritmo de classificação do DM variaram conforme o padrão de referência: para diabetes5 autorrelatado, ≥1 consulta de DM1 no RES (sensibilidade: 0,59; especificidade: 0,90); para peptídeo C28, ≥3 consultas de DM1 no RES (sensibilidade: 0,76; especificidade: 0,79).
Definindo DM1 como a presença de ≥1 consulta de DM1, 5.442 participantes foram classificados com DM1. Comparados com aqueles sem DM, os participantes com DM1 apresentaram maior incidência25 de demência4 (HR ajustada por fatores sociodemográficos 2,82; IC 95% 2,28-3,48) e aqueles com DM2 também apresentaram risco elevado (HR ajustada por fatores sociodemográficos 2,08; IC 95% 2,87-2,31). Os resultados foram semelhantes entre os estratos de sexo, raça e etnia.
O estudo concluiu que, na coorte27 AoU, o diabetes mellitus8 foi associado a um risco elevado de demência4, com o maior risco entre aqueles com diabetes mellitus8 tipo 1. Esses achados destacam a necessidade de uma melhor compreensão dos mecanismos que ligam o DM1 à demência4.
Veja também sobre "Demência4", "Complicações do diabetes29" e "Como prevenir o declínio cognitivo30".
Fontes:
Neurology, Vol. 106, Nº 7, em abril de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 19 de março de 2026.










