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A maioria dos cânceres não é causada pelo estilo de vida, mas quatro em cada dez poderiam ser prevenidos, segundo estudo da OMS

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Quase 40% dos novos casos de câncer1 no mundo são potencialmente evitáveis, de acordo com uma das primeiras investigações desse tipo, que analisou dezenas de tipos de câncer1 em quase 200 países.

O estudo, publicado na revista Nature Medicine, constatou que, em 2022, aproximadamente sete milhões de diagnósticos de câncer1 estavam ligados a fatores de risco modificáveis – aqueles que podem ser alterados, controlados ou gerenciados para reduzir a probabilidade de desenvolver a doença. No geral, o tabagismo foi o principal fator contribuinte para os casos de câncer1 no mundo, seguido por infecções2 e consumo de álcool.

As descobertas sugerem que evitar esses fatores de risco é “uma das maneiras mais eficazes de potencialmente reduzir a carga futura do câncer”, afirma a coautora do estudo, Hanna Fink, epidemiologista do câncer1 na Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer1 da Organização Mundial da Saúde3, em Lyon, França.

O câncer1 continua sendo uma das principais causas de doenças e mortes em todo o mundo, e espera-se que os casos aumentem nas próximas décadas se as tendências atuais persistirem. Estudos anteriores estimaram que cerca de 44% das mortes por câncer1 no mundo podem ser atribuídas a causas evitáveis ou controláveis. As estimativas de prevenção têm se concentrado principalmente no número de mortes, em vez de casos, e investigaram, em sua maioria, um único fator de risco4, afirma Fink.

Leia sobre "Câncer1 - informações importantes" e "Como evitar o câncer1".

Para preencher essa lacuna, Fink e seus colegas examinaram dados globais de casos de 2022 para 36 tipos diferentes de câncer1 em 185 países. O estudo incluiu 30 fatores de risco modificáveis que são causas bem estabelecidas de câncer1, como tabagismo, consumo de álcool e infecções2.

Os pesquisadores combinaram essas informações com dados de 2012 que registraram a exposição das pessoas a cada fator de risco4. Fink e seus colegas estimaram, então, a proporção de casos diretamente relacionados a cada fator de risco4.

Em 2022, houve um total de 18,7 milhões de novos casos de câncer1 em todo o mundo. Aproximadamente 37% (ou 7,1 milhões) desses casos poderiam ser atribuídos a causas evitáveis. Globalmente, o tabagismo foi o principal fator contribuinte, representando cerca de 15% dos casos evitáveis. Em seguida, vieram as infecções2 (10%) e o consumo de álcool (3%). Os cânceres de pulmão5, estômago6 e colo do útero7 representaram quase metade de todos os casos de câncer1 evitáveis.

Cerca de 30% dos 9,2 milhões de novos casos em mulheres eram evitáveis. Mais de 11% desses casos estavam associados a infecções2, como as causadas pelo papilomavírus humano (HPV), a principal causa de câncer1 de colo do útero7. A maioria desses casos ocorreu em regiões de baixa e média renda, como a África Subsaariana, onde as taxas de câncer1 de colo do útero7 são mais altas. Enquanto isso, o tabagismo foi a principal causa de câncer1 entre as mulheres em regiões de alta renda, incluindo a América do Norte e a maior parte da Europa.

Nos homens, cerca de 45% dos novos casos era evitáveis. Globalmente, o tabagismo foi o maior fator de risco4 para os homens, representando quase um quarto dos 4,3 milhões de casos de câncer1 evitáveis. A doença continuou sendo a principal causa de câncer1 em homens que vivem tanto em regiões de baixa quanto de alta renda. Infecções2 ficaram em segundo lugar, ocorrendo principalmente em partes da África, Ásia e América do Sul, seguidas pelo consumo de álcool.

O estudo é um “excelente trabalho” que sinaliza a necessidade de redobrar os esforços no controle do câncer1, afirma David Whiteman, epidemiologista médico do Instituto de Pesquisa Médica QIMR Berghofer, em Brisbane, Austrália. Ele acrescenta que o conjunto de dados abrangente facilitará aos pesquisadores a realização de comparações confiáveis entre regiões.

Fink espera que as descobertas sejam usadas para desenvolver estratégias de prevenção do câncer1 com base nos principais fatores de risco em diferentes regiões para homens e mulheres. “Não se trata de uma abordagem única para todos”, diz ela.

Saiba mais sobre "Câncer1 de pulmão5", "Câncer1 de estômago6" e "Câncer1 do colo do útero7".

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Carga global e regional de câncer1 atribuível a fatores de risco modificáveis para orientar a prevenção

O câncer1 continua sendo uma das principais causas de morbidade8 em todo o mundo, em grande parte atribuível a fatores de risco modificáveis. Neste estudo, estimou-se a carga global e nacional de câncer1 em 2022 atribuível a 30 desses fatores, incluindo tabagismo, consumo de álcool, índice de massa corporal9 elevado, atividade física insuficiente, tabaco sem fumaça e noz de areca, amamentação10 inadequada, poluição do ar, radiação ultravioleta, 9 agentes infecciosos e 13 exposições ocupacionais, para orientar os esforços de prevenção.

Usando dados do GLOBOCAN para 36 tipos de câncer1 em 185 países, aplicou-se dados de prevalência11 de cerca de 2012 para refletir a latência12 entre exposição e câncer1 e estimou-se as frações atribuíveis à população (FAP) baseadas em Levin ou Miettinen, ou estimativas diretas quando aplicável. As FAP combinadas, que consideram as exposições sobrepostas, foram derivadas por tipo de câncer1, sexo, país e região.

Em 2022, estimou-se que 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos casos de câncer1 (37,8%) foram atribuíveis a 30 fatores de risco modificáveis – 2,7 milhões (29,7%) em mulheres e 4,3 milhões (45,4%) em homens. A proporção de cânceres evitáveis variou de 24,6% a 38,2% em mulheres e de 28,1% a 57,2% em homens, considerando as diferentes regiões.

Tabagismo (15,1%), infecções2 (10,2%) e consumo de álcool (3,2%) foram os principais contribuintes para a carga de câncer1. Os cânceres de pulmão5, estômago6 e colo do útero7 representaram quase metade dos cânceres evitáveis.

O fortalecimento dos esforços para reduzir a exposição a fatores modificáveis continua sendo fundamental para a prevenção global do câncer1.

Veja também: "Limitar o consumo de álcool reduz o risco de câncer1" e "Tabagismo - como as pessoas se viciam e mantêm o vício no tabaco".

 

Fontes:
Nature Medicine, publicação em 03 de fevereiro de 2026.
Nature, notícia publicada em 03 de fevereiro de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. A maioria dos cânceres não é causada pelo estilo de vida, mas quatro em cada dez poderiam ser prevenidos, segundo estudo da OMS. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1500975/a-maioria-dos-canceres-nao-e-causada-pelo-estilo-de-vida-mas-quatro-em-cada-dez-poderiam-ser-prevenidos-segundo-estudo-da-oms.htm>. Acesso em: 12 mar. 2026.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
5 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
6 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
7 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
8 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
9 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
10 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
11 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
12 Latência: 1. Estado, caráter daquilo que se acha latente, oculto. 2. Por extensão de sentido, é o período durante o qual algo se elabora, antes de assumir existência efetiva. 3. Em medicina, é o intervalo entre o começo de um estímulo e o início de uma reação associada a este estímulo; tempo de reação. 4. Em psicanálise, é o período (dos quatro ou cinco anos até o início da adolescência) durante o qual o interesse sexual é sublimado; período de latência.
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