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Terapia para câncer ósseo inesperadamente torna tumores menos dolorosos

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O câncer1 que se espalha para os ossos pode ser fatal e também tende a ser doloroso. Agora, um medicamento parece abordar ambos os problemas, interrompendo a interação entre nervos e tumores, sugerindo que essa abordagem pode proporcionar uma forma mais confortável de terapia contra o câncer1.

De acordo com o estudo publicado na revista Science Advances, realizado em camundongos, o medicamento mata células2 cancerígenas perfurando-as e traz o benefício adicional de reduzir o crescimento de nervos sensíveis à dor ao redor dos tumores.

“Isso destaca um paradigma novo e empolgante, no qual uma única terapia contra o câncer1 pode melhorar a mortalidade3 e a qualidade de vida ao mesmo tempo”, diz William Hwang, da Universidade de Harvard, que não participou da nova pesquisa.

Entre 65% e 80% das pessoas com câncer1 de mama4 ou de próstata5 que se espalhou para locais distantes do corpo acabam desenvolvendo câncer1 nos ossos. À medida que esses tumores ósseos crescem, eles tendem a estimular os nervos sensíveis à dor próximos.

A radioterapia6, na qual raios-X são disparados contra os tumores, e a quimioterapia7, que tem como alvo células2 em rápida divisão com medicamentos potentes, são comumente usadas para reduzir esses crescimentos ósseos. Mas a dor muitas vezes persiste porque as células2 cancerígenas remanescentes continuam interagindo com os nervos.

Além disso, as terapias convencionais frequentemente danificam o tecido8 saudável, levando ao uso prolongado de analgésicos9 como opioides, que apresentam risco de dependência, afirma Jiajia Xiang, da Universidade de Zhejiang, na China.

Leia sobre "Tumores ósseos", "Osteossarcoma" e "Câncer1 de mama4: tumores metastáticos localizados nos ossos".

Agora, Xiang e seus colegas desenvolveram uma “nanoterapia” composta por minúsculas cápsulas de gordura10 contendo DNA que codifica a proteína gasdermina B, que mata as células2 perfurando-as. O medicamento foi projetado para produzir gasdermina B apenas em células2 cancerígenas e não em células2 saudáveis, com base na ideia de que as células2 tumorais podem ser distinguidas de outras células2 por apresentarem níveis mais elevados de certas moléculas chamadas espécies reativas de oxigênio. As cápsulas também contêm uma substância química chamada OPSA, que estimula a resposta imunológica natural do corpo contra o câncer1.

Para testar o medicamento, os pesquisadores injetaram células2 de câncer1 de mama4 em uma das patas de vários camundongos. Após as células2 cancerígenas se transformarem em tumores ósseos, cada camundongo recebeu a nanoterapia completa, uma forma mais simples da nanoterapia contendo OPSA, mas não o gene da gasdermina B, ou uma solução salina de controle. Todos os tratamentos foram injetados na cauda em dias alternados, durante cinco dias.

Duas semanas depois, os tumores no grupo da nanoterapia completa estavam, em média, 94% menores do que os do grupo de controle, enquanto esse número era de cerca de 50% no grupo da nanoterapia mais simples. Após mais algumas semanas, todos os camundongos que receberam a nanoterapia completa estavam vivos, enquanto apenas 60% dos camundongos no grupo da nanoterapia mais simples sobreviveram e apenas 20% dos camundongos do grupo de controle. Como esperado, a terapia matou diretamente as células2 tumorais e provocou uma resposta imune antitumoral, afirma Xiang.

Mas a equipe também observou que os camundongos que receberam qualquer uma das formas de nanoterapia usaram seus membros cancerosos substancialmente mais do que os do grupo de controle, com o grupo da nanoterapia completa apresentando benefícios maiores. Isso sugeriu que a nanoterapia poderia reduzir a dor associada a tumores ósseos. Quando os pesquisadores analisaram amostras de tumores coletadas dos camundongos, ficaram surpresos ao descobrir que ambos os tratamentos de nanoterapia reduziram a densidade de células nervosas11, ou neurônios12, dentro dos crescimentos cancerígenos.

A nanoterapia parece fazer isso aumentando a capacidade das células2 cancerígenas de absorver íons13 de cálcio, que os nervos precisam para crescer e transmitir sinais14 de dor para o cérebro15. “A ideia é que as células2 cancerígenas essencialmente atuam como uma esponja para todo o cálcio local, e isso esgota o cálcio disponível para os neurônios12 sensoriais próximos”, diz Hwang. Mais pesquisas são necessárias para desvendar exatamente como a nanoterapia pode estar alterando a absorção de cálcio nas células2 cancerígenas, o que poderia revelar maneiras de atingir essa via potencial de forma mais eficaz, diz Hwang.

Em outro experimento, a equipe descobriu que os nervos ao redor do tumor16 na verdade o ajudavam a crescer, sugerindo que os efeitos relacionados aos nervos não apenas aliviavam a dor, mas também retardavam o crescimento dos tumores, embora não esteja claro em que medida, diz Xiang.

Em conjunto, as descobertas apoiam a crescente ideia de que atacar o sistema nervoso17 pode transformar o tratamento do câncer1, afirma Hwang. Mas, em geral, é mais fácil tratar o câncer1 em camundongos do que em humanos, em parte devido às diferenças na resposta imune antitumoral dos roedores e dos humanos, explica ele. Xiang espera iniciar os testes em humanos dentro de cinco a dez anos.

Veja também sobre "Sistema imunológico18", "Neuropatias" e "Metástases19".

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Nanoterapia ativada por oxidação aumenta a imunidade20 tumoral e interrompe a comunicação entre tumor16 e nervo para combater metástases19 ósseas e dor oncológica

A metástase21 óssea continua sendo um desafio formidável em oncologia devido à tríade interdependente de imunossupressão22, dor neuropática23 e destruição osteolítica. Os tratamentos atuais não conseguem abordar holisticamente esses eixos fisiopatológicos.

Neste estudo, desenvolveu-se uma nanoplataforma lipossomal responsiva a espécies reativas de oxigênio (ROS) (LipoNCs@pGSDMB) que co-administra um agonista24 polimérico do estimulador de genes de interferon (STING) e um plasmídeo de gasdermina B (GSDMB) para dupla modulação neuroimune.

Após ativação seletiva no tumor16 em nichos ósseos metastáticos, essa nanoterapia induz a preparação imunológica (priming) mediada por STING e a piroptose mediada por GSDMB, desencadeando respostas antitumorais potentes.

De forma crucial, a LipoNCs@pGSDMB restaura a expressão de canais de cálcio dependentes de voltagem em células2 tumorais, um biomarcador prognóstico25 identificado por meio de análise multiômica de espécimes clínicas, bloqueando assim a neurossinalização dependente de cálcio e interrompendo a comunicação cruzada (cross-talk) pró-metastática entre tumor16 e nervos.

Em modelos de metástase21 óssea de câncer1 de mama4, essa abordagem alcança 94% de supressão tumoral, resolução completa da dor e restauração óssea eficiente.

Ao convergir a engenharia de nanomateriais responsivos à oxidação, a imunomodulação e a reprogramação de circuitos neurais, este trabalho estabelece uma plataforma de neuroimunoterapia inovadora que desmantela o nicho metastático autorreforçador, ao mesmo tempo que aborda suas sequelas26 debilitantes.

 

Fontes:
Science Advances, Vol. 12, Nº 4, em 23 de janeiro de 2026.
New Scientist, notícia publicada em 23 de janeiro de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Terapia para câncer ósseo inesperadamente torna tumores menos dolorosos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1499465/terapia-para-cancer-osseo-inesperadamente-torna-tumores-menos-dolorosos.htm>. Acesso em: 8 jul. 2026.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
5 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
6 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
7 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
8 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
9 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
10 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
11 Células Nervosas: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO.
12 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
13 Íons: Átomos ou grupos atômicos eletricamente carregados.
14 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
15 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
16 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
17 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
18 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
19 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
20 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
21 Metástase: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
22 Imunossupressão: Supressão das reações imunitárias do organismo, induzida por medicamentos (corticosteroides, ciclosporina A, etc.) ou agentes imunoterápicos (anticorpos monoclonais, por exemplo); que é utilizada em alergias, doenças autoimunes, etc. A imunossupressão é impropriamente tomada por alguns como sinônimo de imunodepressão.
23 Neuropática: Referente à neuropatia, que é doença do sistema nervoso.
24 Agonista: 1. Em farmacologia, agonista refere-se às ações ou aos estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 2. Lutador. Na Grécia antiga, pessoa que se dedicava à ginástica para fortalecer o físico ou como preparação para o serviço militar.
25 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
26 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.

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