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A maioria dos cânceres não é causada pelo estilo de vida, mas quatro em cada dez poderiam ser prevenidos, segundo estudo da OMS

quinta-feira, 12 de março de 2026
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A maioria dos cânceres não é causada pelo estilo de vida, mas quatro em cada dez poderiam ser prevenidos, segundo estudo da OMS

Quase 40% dos novos casos de câncer no mundo são potencialmente evitáveis, de acordo com uma das primeiras investigações desse tipo, que analisou dezenas de tipos de câncer em quase 200 países.

O estudo, publicado na revista Nature Medicine, constatou que, em 2022, aproximadamente sete milhões de diagnósticos de câncer estavam ligados a fatores de risco modificáveis – aqueles que podem ser alterados, controlados ou gerenciados para reduzir a probabilidade de desenvolver a doença. No geral, o tabagismo foi o principal fator contribuinte para os casos de câncer no mundo, seguido por infecções e consumo de álcool.

As descobertas sugerem que evitar esses fatores de risco é “uma das maneiras mais eficazes de potencialmente reduzir a carga futura do câncer”, afirma a coautora do estudo, Hanna Fink, epidemiologista do câncer na Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer da Organização Mundial da Saúde, em Lyon, França.

O câncer continua sendo uma das principais causas de doenças e mortes em todo o mundo, e espera-se que os casos aumentem nas próximas décadas se as tendências atuais persistirem. Estudos anteriores estimaram que cerca de 44% das mortes por câncer no mundo podem ser atribuídas a causas evitáveis ou controláveis. As estimativas de prevenção têm se concentrado principalmente no número de mortes, em vez de casos, e investigaram, em sua maioria, um único fator de risco, afirma Fink.

Leia sobre "Câncer - informações importantes" e "Como evitar o câncer".

Para preencher essa lacuna, Fink e seus colegas examinaram dados globais de casos de 2022 para 36 tipos diferentes de câncer em 185 países. O estudo incluiu 30 fatores de risco modificáveis que são causas bem estabelecidas de câncer, como tabagismo, consumo de álcool e infecções.

Os pesquisadores combinaram essas informações com dados de 2012 que registraram a exposição das pessoas a cada fator de risco. Fink e seus colegas estimaram, então, a proporção de casos diretamente relacionados a cada fator de risco.

Em 2022, houve um total de 18,7 milhões de novos casos de câncer em todo o mundo. Aproximadamente 37% (ou 7,1 milhões) desses casos poderiam ser atribuídos a causas evitáveis. Globalmente, o tabagismo foi o principal fator contribuinte, representando cerca de 15% dos casos evitáveis. Em seguida, vieram as infecções (10%) e o consumo de álcool (3%). Os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero representaram quase metade de todos os casos de câncer evitáveis.

Cerca de 30% dos 9,2 milhões de novos casos em mulheres eram evitáveis. Mais de 11% desses casos estavam associados a infecções, como as causadas pelo papilomavírus humano (HPV), a principal causa de câncer de colo do útero. A maioria desses casos ocorreu em regiões de baixa e média renda, como a África Subsaariana, onde as taxas de câncer de colo do útero são mais altas. Enquanto isso, o tabagismo foi a principal causa de câncer entre as mulheres em regiões de alta renda, incluindo a América do Norte e a maior parte da Europa.

Nos homens, cerca de 45% dos novos casos era evitáveis. Globalmente, o tabagismo foi o maior fator de risco para os homens, representando quase um quarto dos 4,3 milhões de casos de câncer evitáveis. A doença continuou sendo a principal causa de câncer em homens que vivem tanto em regiões de baixa quanto de alta renda. Infecções ficaram em segundo lugar, ocorrendo principalmente em partes da África, Ásia e América do Sul, seguidas pelo consumo de álcool.

O estudo é um “excelente trabalho” que sinaliza a necessidade de redobrar os esforços no controle do câncer, afirma David Whiteman, epidemiologista médico do Instituto de Pesquisa Médica QIMR Berghofer, em Brisbane, Austrália. Ele acrescenta que o conjunto de dados abrangente facilitará aos pesquisadores a realização de comparações confiáveis entre regiões.

Fink espera que as descobertas sejam usadas para desenvolver estratégias de prevenção do câncer com base nos principais fatores de risco em diferentes regiões para homens e mulheres. “Não se trata de uma abordagem única para todos”, diz ela.

Saiba mais sobre "Câncer de pulmão", "Câncer de estômago" e "Câncer do colo do útero".

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Carga global e regional de câncer atribuível a fatores de risco modificáveis para orientar a prevenção

O câncer continua sendo uma das principais causas de morbidade em todo o mundo, em grande parte atribuível a fatores de risco modificáveis. Neste estudo, estimou-se a carga global e nacional de câncer em 2022 atribuível a 30 desses fatores, incluindo tabagismo, consumo de álcool, índice de massa corporal elevado, atividade física insuficiente, tabaco sem fumaça e noz de areca, amamentação inadequada, poluição do ar, radiação ultravioleta, 9 agentes infecciosos e 13 exposições ocupacionais, para orientar os esforços de prevenção.

Usando dados do GLOBOCAN para 36 tipos de câncer em 185 países, aplicou-se dados de prevalência de cerca de 2012 para refletir a latência entre exposição e câncer e estimou-se as frações atribuíveis à população (FAP) baseadas em Levin ou Miettinen, ou estimativas diretas quando aplicável. As FAP combinadas, que consideram as exposições sobrepostas, foram derivadas por tipo de câncer, sexo, país e região.

Em 2022, estimou-se que 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos casos de câncer (37,8%) foram atribuíveis a 30 fatores de risco modificáveis – 2,7 milhões (29,7%) em mulheres e 4,3 milhões (45,4%) em homens. A proporção de cânceres evitáveis variou de 24,6% a 38,2% em mulheres e de 28,1% a 57,2% em homens, considerando as diferentes regiões.

Tabagismo (15,1%), infecções (10,2%) e consumo de álcool (3,2%) foram os principais contribuintes para a carga de câncer. Os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero representaram quase metade dos cânceres evitáveis.

O fortalecimento dos esforços para reduzir a exposição a fatores modificáveis continua sendo fundamental para a prevenção global do câncer.

Veja também: "Limitar o consumo de álcool reduz o risco de câncer" e "Tabagismo - como as pessoas se viciam e mantêm o vício no tabaco".

 

Fontes:
Nature Medicine, publicação em 03 de fevereiro de 2026.
Nature, notícia publicada em 03 de fevereiro de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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