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Células senescentes danificam o corpo ao longo da vida

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O envelhecimento foi considerado inevitável por muito tempo, mas o tratamento para preveni-lo é cada vez mais considerado viável. De particular interesse para esses tratamentos são as células1 “senescentes” que se acumulam com a idade – células1 que pararam de se dividir e, em vez disso, se tornam aparentemente dormentes, em um estado de crescimento interrompido.

Mas tem sido um desafio isolar células1 senescentes2, impedindo os pesquisadores de entender completamente seu comportamento ao longo da vida.

Saiba mais sobre "O processo de envelhecimento" e "Envelhecimento saudável".

Agora, essas células1 em um estado de crescimento interrompido, chamado senescência, foram caracterizadas no músculo esquelético3 de camundongos. As células1 senescentes2 promovem a inflamação4 e bloqueiam a regeneração e, portanto, podem induzir alterações prejudiciais no músculo envelhecido.

No estudo publicado na revista Nature, pesquisadores apresentam uma abordagem para isolar células1 senescentes2 de camundongos. Suas análises subsequentes revelam que as células1 causam inflamação4, impedindo a regeneração do músculo esquelético3 mesmo em animais jovens (um cenário em que as células1 eram consideradas benéficas).

O trabalho reforça a ideia de que a remoção de células1 senescentes2 pode ajudar a combater o envelhecimento.

No artigo, um atlas5 da senescência revela um nicho inflamado semelhante a nichos envelhecidos que prejudica a regeneração muscular.

A regeneração tecidual requer coordenação entre células-tronco6 residentes e células1 de nicho locais. No estudo, identificou-se que as células1 senescentes2 são componentes integrais do nicho regenerativo do músculo esquelético3 que reprimem a regeneração em todas as fases da vida.

A limitação técnica da escassez de células1 senescentes2 foi superada pela combinação de transcriptômica de célula7 única e um protocolo de triagem de enriquecimento de células1 senescentes2.

Foram identificados e isolados diferentes tipos de células1 senescentes2 de músculos8 danificados de camundongos jovens e velhos. Análises mais profundas de via, transcriptoma e cromatina9 revelaram a conservação de traços de identidade celular, bem como duas marcas universais de senescência (inflamação4 e fibrose10) em células1 de qualquer tipo, tempo de regeneração e estágio de envelhecimento.

As células1 senescentes2 criam um nicho inflamado semelhante ao envelhecido que reflete a inflamação4 associada ao envelhecimento (inflammageing) e interrompe a proliferação e a regeneração das células-tronco6.

Reduzir a carga de células1 senescentes2 ou reduzir seu secretoma inflamatório por meio da neutralização de CD36 acelera a regeneração em camundongos jovens e velhos. Em contraste, o transplante de células1 senescentes2 retarda a regeneração.

Esses resultados fornecem uma técnica para isolar células1 senescentes2 in vivo, definir um modelo de senescência para o músculo e descobrir interações funcionais improdutivas entre células1 senescentes2 e células-tronco6 em nichos regenerativos que podem ser superados.

Como as células1 senescentes2 também se acumulam nos músculos8 humanos, essas descobertas abrem caminhos potenciais para melhorar o reparo muscular ao longo da vida.

Leia sobre "Células-tronco6: conceito, tipos e uso na Medicina" e "O que é inflamação4".

 

Fonte: Nature, publicação em 21 de dezembro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2023. Células senescentes danificam o corpo ao longo da vida. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1431905/celulas-senescentes-danificam-o-corpo-ao-longo-da-vida.htm>. Acesso em: 26 jan. 2023.

Complementos

1 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
2 Senescentes: Que está em processo de envelhecimento.
3 Músculo Esquelético: Subtipo de músculo estriado fixado por TENDÕES ao ESQUELETO. Os músculos esqueléticos são inervados e seu movimento pode ser conscientemente controlado. Também são chamados de músculos voluntários.
4 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
5 Atlas:
6 Células-tronco: São células primárias encontradas em todos os organismos multicelulares que retêm a habilidade de se renovar por meio da divisão celular mitótica e podem se diferenciar em uma vasta gama de tipos de células especializadas.
7 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
8 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
9 Cromatina: Também conhecida como cariotina. É a substância constituinte do cromossomo da célula eucarionte e composta de ADN, ARN e proteínas.
10 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
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