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Uso paterno de metformina foi relacionado a defeitos congênitos na prole, com frequência elevada significativa apenas para defeitos genitais em meninos

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Homens que tomam metformina1 eram mais propensos a ter filhos com defeitos congênitos2, segundo um estudo dinamarquês.

Recém-nascidos cujos pais tomaram metformina1 durante o desenvolvimento de espermatozoides3 fertilizantes tiveram uma frequência 40% maior de defeitos congênitos2 em comparação com recém-nascidos cujos pais usaram insulina4, relataram Maarten J. Wensink, MD, PhD, da University of Southern Denmark, e colegas.

O mesmo não aconteceu com filhos de pais que tomaram sulfonilureias5 versus insulina4, apontaram os pesquisadores no estudo publicado no Annals of Internal Medicine.

É importante notar que os pesquisadores descobriram que apenas defeitos congênitos2 genitais – todos os quais ocorreram em meninos – tiveram uma frequência significativamente elevada nos recém-nascidos expostos à metformina1. As frequências de outros tipos de defeitos congênitos2, como digestivos, urinários, cardíacos, cromossômicos, de membros, entre outros, não foram significativamente maiores.

“O fato de que o risco se associa a uma medicação paterna específica durante a janela específica em que o esperma6 que levaria a uma gravidez7 está se desenvolvendo nos surpreendeu”, disse Wensink ao MedPage Today. “Existem artigos sobre peixes e ratos onde a metformina1 afeta o sistema reprodutor masculino, mas tais descobertas podem não ser transmitidas aos humanos, e esses artigos não se concentraram no desenvolvimento do esperma”.

Quanto a algumas notícias tranquilizadoras, o grupo de Wensink descobriu que os pais que utilizaram metformina1 no ano anterior ao desenvolvimento do esperma6 não viram essa taxa mais alta de defeitos congênitos2 entre seus filhos. Da mesma forma, não houve um aumento na frequência de defeitos congênitos2 se os homens usaram metformina1 após o desenvolvimento do esperma6.

Saiba mais sobre "Opções de tratamentos para o diabetes mellitus8" e "Malformações9 fetais".

No artigo publicado, os pesquisadores relatam como o diabetes10 reduz a qualidade do sêmen11 e ocorre cada vez mais durante os anos reprodutivos. Medicamentos para diabetes10, como a metformina1, têm efeitos independentes da glicose12 no sistema reprodutor masculino. Associações com defeitos congênitos2 na prole são desconhecidas.

Nesse contexto, o objetivo do estudo foi avaliar se o risco de defeitos congênitos2 na prole varia com o tratamento farmacológico pré-concepcional de pais com diabetes10.

Foi realizado então um estudo de coorte13 prospectivo14 nacional baseado em registros da Dinamarca de 1997 a 2016. Os participantes incluíram todos os nascidos vivos de mães sem histórico de diabetes10 ou hipertensão15 essencial.

Os filhos foram considerados expostos se o pai preencheu 1 ou mais prescrições de um medicamento para diabetes10 durante o desenvolvimento do esperma6 fertilizante. Sexo e frequências de defeitos congênitos2 maiores foram comparados entre medicamentos, tempos de exposição e irmãos.

De 1.116.779 filhos incluídos, 3,3% tinham 1 ou mais defeitos congênitos2 maiores (referência). A prole exposta à insulina4 (n = 5.298) teve a frequência de defeitos congênitos2 de referência (razão de chances ajustada [aOR], 0,98 [IC 95%, 0,85 a 1,14]).

A prole exposta à metformina1 (n = 1.451) teve uma frequência elevada de defeitos congênitos2 (aOR, 1,40 [IC, 1,08 a 1,82]).

Para filhos expostos à sulfonilureia (n = 647), a aOR foi de 1,34 (IC, 0,94 a 1,92).

Filhos cujos pais preencheram uma prescrição de metformina1 no ano anterior (n = 1.751) ou após (n = 2.484) o desenvolvimento do esperma6 tiveram frequências de defeitos congênitos2 de referência (aORs, 0,88 [IC, 0,59 a 1,31] e 0,92 [IC, 0,68 a 1,26], respectivamente), assim como irmãos não expostos de crianças expostas (3,2%; expostos vs. não expostos OR, 1,54 [IC, 0,94 a 2,53]).

Entre os filhos expostos à metformina1, defeitos congênitos2 genitais, todos em meninos, foram mais comuns (aOR, 3,39 [IC, 1,82 a 6,30]), enquanto a proporção de filhos masculinos foi menor (49,4% vs. 51,4%, P = 0,073).

As informações sobre o estado da doença subjacente eram limitadas.

O estudo concluiu que o tratamento paterno com metformina1 antes da concepção16 está associado a defeitos congênitos2 maiores, particularmente defeitos congênitos2 genitais em meninos. Mais pesquisas devem replicar essas descobertas e esclarecer a causa.

Leia sobre "Diabetes Mellitus8" e "Espermograma: quando um homem deve fazer".

 

Fontes:
Annals of Internal Medicine, publicação em 29 de março de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 28 de março de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Uso paterno de metformina foi relacionado a defeitos congênitos na prole, com frequência elevada significativa apenas para defeitos genitais em meninos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1413425/uso-paterno-de-metformina-foi-relacionado-a-defeitos-congenitos-na-prole-com-frequencia-elevada-significativa-apenas-para-defeitos-genitais-em-meninos.htm>. Acesso em: 4 dez. 2022.

Complementos

1 Metformina: Medicamento para uso oral no tratamento do diabetes tipo 2. Reduz a glicemia por reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado e ajudando o corpo a responder melhor à insulina produzida pelo pâncreas. Pertence à classe das biguanidas.
2 Defeitos congênitos: Problemas ou condições que estão presentes ao nascimento.
3 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
4 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
5 Sulfoniluréias: Classe de medicamentos orais para tratar o diabetes tipo 2 que reduz a glicemia por ajudar o pâncreas a fabricar mais insulina e o organismo a usar melhor a insulina produzida.
6 Esperma: Esperma ou sêmen. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O esperma é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
7 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
8 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
9 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
10 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
11 Sêmen: Sêmen ou esperma. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O sêmen é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
12 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
13 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
14 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
15 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
16 Concepção: O início da gravidez.
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