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Pâncreas artificial pode regular automaticamente os níveis de açúcar no sangue em crianças com diabetes tipo 1 melhor do que a terapia padrão atual

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Um pâncreas1 artificial feito de um aplicativo de celular conectado sem fio a um sensor de glicose2 implantado e uma bomba de insulina3 pode monitorar e controlar os níveis de açúcar4 no sangue5 de crianças pequenas com diabetes tipo 16 de forma mais eficaz do que a terapia padrão atual.

O diabetes tipo 16 é causado pela destruição das células7 do pâncreas1 que normalmente produzem insulina8, um hormônio9 que regula os níveis de glicose2 no sangue5. A falta de regulação da glicose2 no sangue5 pode ser fatal.

O tratamento de crianças pequenas com essa forma de diabetes10 pode ser especialmente desafiador porque elas têm padrões de alimentação e exercícios menos previsíveis e, portanto, necessidades de insulina8 mais variáveis, diz Julia Ware, da Universidade de Cambridge.

O tratamento padrão para crianças pequenas com diabetes tipo 16 é chamado de terapia com bomba aumentada por sensor, que usa um sensor para rastrear os níveis de glicose2 no sangue5 e exige que os cuidadores insiram manualmente a quantidade de insulina8 a ser liberada, tanto na hora das refeições quanto quando a criança não está comendo.

Para simplificar esse processo, Ware e seus colegas desenvolveram um aplicativo chamado CamAPS FX, que se conecta a um sensor de glicose2 sob a pele11 e uma bomba de insulina3 que alimenta uma camada de gordura12 no abdômen. Um algoritmo calcula automaticamente a quantidade de insulina8 que deve ser administrada com base nos níveis de glicose2 medidos. Antes das refeições, as doses extras de insulina8 ainda devem ser inseridas manualmente.

Saiba mais sobre "Diabetes Mellitus13", "Bomba de insulina3 - vantagens e desvantagens" e "Opções de tratamentos para o diabetes10".

Agora, os pesquisadores compararam seu pâncreas1 artificial com funcionamento por aplicativo com a terapia padrão de bomba aumentada por sensor em 74 crianças de um a sete anos.

Os pesquisadores descobriram que, em média, as crianças passavam cerca de três quartos do dia dentro da faixa-alvo de açúcar4 no sangue5 ao usar o pâncreas1 artificial – cerca de 2 horas a mais por dia em comparação com a terapia padrão.

As crianças também passavam menos de um quarto de cada dia com níveis elevados de açúcar4 no sangue5, o que se chama de hiperglicemia14, ao usar o pâncreas1 artificial. Isso foi quase 10% menos tempo do que sob a terapia padrão. Enquanto isso, as crianças experimentaram baixos níveis de glicose2, ou hipoglicemia15, por um período semelhante a cada dia com qualquer tratamento. “Os benefícios foram ainda maiores do que esperávamos”, diz Ware.

“Os pais descreveram o pâncreas1 artificial como uma mudança de vida, pois significou que eles podiam relaxar e passar menos tempo se preocupando com os níveis de açúcar4 no sangue5 de seus filhos, principalmente à noite”, diz ela.

Os pesquisadores publicaram um ensaio randomizado16 no The New England Journal of Medicine, avaliando o controle de circuito fechado em crianças muito pequenas com diabetes tipo 16.

O artigo contextualiza que a possível vantagem da terapia híbrida17 em circuito fechado (ou seja, pâncreas1 artificial) sobre a terapia com bomba aumentada por sensor em crianças muito pequenas com diabetes tipo 16 não é clara.

No multicêntrico, randomizado16 e cruzado, foram recrutadas crianças de 1 a 7 anos de idade com diabetes tipo 16 que estavam recebendo terapia com bomba de insulina3 em sete centros na Áustria, Alemanha, Luxemburgo e Reino Unido.

Os participantes receberam tratamento em dois períodos de 16 semanas, em ordem aleatória, em que o sistema de circuito fechado foi comparado com a terapia de bomba aumentada por sensor (controle).

O desfecho primário foi a diferença entre os tratamentos na porcentagem de tempo em que a medição de glicose2 do sensor estava no intervalo alvo (70 a 180 mg por decilitro) durante cada período de 16 semanas. A análise foi conduzida de acordo com o princípio da intenção de tratar.

Os principais desfechos secundários incluíram a porcentagem de tempo gasto em um estado hiperglicêmico (nível de glicose2 >180 mg por decilitro), o nível de hemoglobina glicada18, o nível médio de glicose2 do sensor e a porcentagem de tempo gasto em um estado hipoglicêmico (nível de glicose2 <70 mg por decilitro). A segurança foi avaliada.

Um total de 74 participantes foram randomizados. A idade média (±DP) dos participantes foi de 5,6±1,6 anos e o nível basal de hemoglobina glicada18 foi de 7,3±0,7%.

A porcentagem de tempo com o nível de glicose2 na faixa alvo foi 8,7 pontos percentuais (intervalo de confiança [IC] de 95%, 7,4 a 9,9) maior durante o período com o circuito fechado do que durante o período de controle (P <0,001).

A diferença média ajustada (circuito fechado menos controle) na porcentagem de tempo gasto em estado hiperglicêmico foi de -8,5 pontos percentuais (IC 95%, -9,9 a -7,1); a diferença no nível de hemoglobina glicada18 foi de -0,4 pontos percentuais (IC 95%, -0,5 a -0,3); e a diferença no nível médio de glicose2 do sensor foi -12,3 mg por decilitro (IC 95%, -14,8 a -9,8) (P <0,001 para todas as comparações). O tempo gasto em estado hipoglicêmico foi semelhante nos dois tratamentos (P = 0,74).

O tempo médio gasto no modo de circuito fechado foi de 95% (intervalo interquartil, 92 a 97) durante o período com circuito fechado de 16 semanas. Um evento adverso sério de hipoglicemia15 grave ocorreu durante o período de circuito fechado. Ocorreu um evento adverso grave que foi considerado não relacionado ao tratamento.

O estudo concluiu que um sistema híbrido19 de circuito fechado melhorou significativamente o controle glicêmico em crianças muito pequenas com diabetes10 tipo 1, sem aumentar o tempo gasto em hipoglicemia15.

Leia sobre "Crise hiperglicêmica", "Como reconhecer e evitar a hipoglicemia15" e "Como medir os níveis de glicose2 no sangue5".

 

Fontes:
The New England Journal of Medicine, publicação em 20 de janeiro de 2022.
New Scientist, notícia publicada em 20 de janeiro de 2022.

 

Crédito da imagem: Universidade de Cambridge.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Pâncreas artificial pode regular automaticamente os níveis de açúcar no sangue em crianças com diabetes tipo 1 melhor do que a terapia padrão atual. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1409180/pancreas-artificial-pode-regular-automaticamente-os-niveis-de-acucar-no-sangue-em-criancas-com-diabetes-tipo-1-melhor-do-que-a-terapia-padrao-atual.htm>. Acesso em: 1 dez. 2022.

Complementos

1 Pâncreas: Órgão nodular (no ABDOME) que abriga GLÂNDULAS ENDÓCRINAS e GLÂNDULAS EXÓCRINAS. A pequena porção endócrina é composta pelas ILHOTAS DE LANGERHANS, que secretam vários hormônios na corrente sangüínea. A grande porção exócrina (PÂNCREAS EXÓCRINO) é uma glândula acinar composta, que secreta várias enzimas digestivas no sistema de ductos pancreáticos (que desemboca no DUODENO).
2 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
3 Bomba de insulina: Pequena bomba implantada no corpo para liberar insulina de maneira contínua ao longo do dia. A liberação de insulina é comandada pelo usuário da bomba, através de um controle remoto. Podem ser liberados bolus de insulina (várias unidades ao mesmo tempo) nas refeições ou quando os níveis de glicose estão altos, baseados na programação feita pelo usuário.
4 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
5 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
6 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
7 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
8 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
9 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
10 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
11 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
12 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
13 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
14 Hiperglicemia: Excesso de glicose no sangue. Hiperglicemia de jejum é o nível de glicose acima dos níveis considerados normais após jejum de 8 horas. Hiperglicemia pós-prandial acima de níveis considerados normais após 1 ou 2 horas após alimentação.
15 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
16 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
17 Híbrida: Em genética, diz-se do organismo formado pelo cruzamento de dois progenitores de raças, linhagens, variedades, espécies ou gêneros diferentes e que frequentemente é estéril. O hibridismo, natural ou manipulado, é comum entre as plantas, mas o exemplo mais conhecido é o burro ou mula, cruza entre o cavalo e a jumenta ou entre a égua e o jumento. Em linguística, diz-se da palavra formada por elementos tomados de línguas diferentes, como bicicleta: bi (latim), cicle (grego), eta (do italiano etta). Em sentido figurado, que ou o que é composto de elementos diferentes, heteróclitos, disparatados.
18 Hemoglobina glicada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
19 Híbrido: Em genética, diz-se do organismo formado pelo cruzamento de dois progenitores de raças, linhagens, variedades, espécies ou gêneros diferentes e que frequentemente é estéril. O hibridismo, natural ou manipulado, é comum entre as plantas, mas o exemplo mais conhecido é o burro ou mula, cruza entre o cavalo e a jumenta ou entre a égua e o jumento. Em linguística, diz-se da palavra formada por elementos tomados de línguas diferentes, como bicicleta: bi (latim), cicle (grego), eta (do italiano etta). Em sentido figurado, que ou o que é composto de elementos diferentes, heteróclitos, disparatados.
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