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Ianalumabe subcutâneo foi eficaz em diminuir a atividade da doença em pacientes com síndrome de Sjögren primária

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A síndrome1 de Sjögren é uma doença autoimune2 caracterizada por boca3 e olhos4 secos, características sistêmicas e redução da qualidade de vida. Não existem tratamentos modificadores da doença.

Um novo produto biológico, o ianalumabe (VAY736), com dois modos de suprimir as células5 B, já havia demonstrado eficácia preliminar. Este ensaio de determinação de dose, publicado no The Lancet, teve como objetivo avaliar a segurança e eficácia de diferentes doses subcutâneas de ianalumabe em pacientes com síndrome1 de Sjögren primária moderada a grave.

Saiba mais sobre "Síndrome1 de Sjogren: como ela é" e "Síndrome1 de Sjogren: por que ela leva à diminuição de lágrima e saliva".

O VAY736A2201 foi um estudo randomizado6, paralelo, duplo-cego, controlado por placebo7, de determinação de dosagem, de fase 2b, realizado em 56 centros em 19 países. Pacientes com idade de 18 a 75 anos com síndrome1 de Sjögren primária com atividade da doença moderada a grave (Índice de Atividade da Doença da Síndrome1 de Sjögren [ESSDAI] da Aliança Europeia de Associações de Reumatologia [EULAR] ≥6) e gravidade dos sintomas8 (pontuação do Índice Relatado pelo Paciente da Síndrome1 de Sjögren da EULAR ≥5) eram elegíveis.

Os participantes foram designados aleatoriamente (1:1:1:1) para receber placebo7 subcutâneo9 ou ianalumabe (5 mg, 50 mg ou 300 mg) a cada 4 semanas por 24 semanas usando um sistema de randomização online seguro. A randomização foi estratificada pela pontuação ESSDAI no início do estudo (≥10 ou <10). O pessoal do estudo e os pacientes foram mascarados para a atribuição de tratamento.

O desfecho primário foi a mudança na pontuação ESSDAI desde o início até 24 semanas em todos os pacientes designados aleatoriamente. A mudança relacionada à dose na atividade da doença (ESSDAI) desde a linha de base na semana 24 foi avaliada por procedimento de comparação múltipla com análise de modelagem. A segurança foi medida em todos os pacientes que receberam pelo menos uma dose do medicamento do estudo.

Entre 27 de junho de 2017 e 06 de dezembro de 2018, 293 pacientes foram selecionados, 190 dos quais foram atribuídos aleatoriamente (placebo7 n = 49, ianalumabe 5 mg n = 47, ianalumabe 50 mg n = 47, ianalumabe 300 mg n = 47).

Respostas à dose estatisticamente significativas foram observadas para a atividade geral da doença (pontuação ESSDAI) em quatro dos cinco modelos de resposta à dose testados (p <0,025 em quatro modelos, p = 0,060 em um modelo).

A pontuação ESSDAI diminuiu desde a linha de base em todos os grupos de ianalumabe, com a alteração máxima da pontuação ESSDAI desde a linha de base observada no grupo de 300 mg de ianalumabe: alteração média de quadrados mínimos ajustada por placebo7 desde a linha de base -1,92 pontos (IC 95% -4,15 a 0,32; p = 0,092).

Ocorreram quatro eventos adversos graves em três pacientes considerados relacionados ao tratamento (pneumonia10 [n = 1] e gastroenterite11 [n = 1] no grupo de placebo7; apendicite12 mais abscesso13 tubo-ovariano na mesma paciente no grupo de ianalumabe 50 mg).

O estudo atingiu seu objetivo principal, mostrando uma diminuição relacionada à dose na atividade da doença, conforme medido pelo ESSDAI na semana 24. No geral, o ianalumabe foi bem tolerado e seguro, sem aumento de infecções14.

Até onde se sabe, este é o primeiro grande ensaio clínico randomizado15 e controlado na síndrome1 de Sjögren primária que atingiu seu desfecho primário, e seus resultados significam que há potencial para mais estudos desse mecanismo no futuro.

Leia sobre "Doenças autoimunes16" e "Manifestações oculares de doenças sistêmicas".

 

Fonte: The Lancet, publicação em 30 de novembro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Ianalumabe subcutâneo foi eficaz em diminuir a atividade da doença em pacientes com síndrome de Sjögren primária. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1407010/ianalumabe-subcutaneo-foi-eficaz-em-diminuir-a-atividade-da-doenca-em-pacientes-com-sindrome-de-sj-ouml-gren-primaria.htm>. Acesso em: 8 ago. 2022.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Autoimune: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
3 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
4 Olhos:
5 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
6 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
7 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
8 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Subcutâneo: Feito ou situado sob a pele. Hipodérmico.
10 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
11 Gastroenterite: Inflamação do estômago e intestino delgado caracterizada por náuseas, vômitos, diarréia e dores abdominais. É produzida pela ingestão de vírus, bactérias ou suas toxinas, ou agressão da mucosa intestinal por diversos mecanismos.
12 Apendicite: Inflamação do apêndice cecal. Manifesta-se por abdome agudo, e requer tratamento cirúrgico. Sua complicação mais freqüente é a peritonite aguda.
13 Abscesso: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
14 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
15 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
16 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
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