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Variabilidade de longo prazo de HbA1c foi associada ao desenvolvimento de retinopatia diabética em indivíduos com diabetes tipo 2

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A retinopatia diabética1 (RD) é a principal causa de cegueira em adultos que vivem em países desenvolvidos. A RD é uma complicação microvascular que ocorre em cerca de 35% dos indivíduos com diabetes2.

Hiperglicemia3 crônica e diabetes2 de longa duração estão entre os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento e progressão da RD; portanto, reduzir os níveis de glicose4 no sangue5 em indivíduos com diabetes2 é crucial.

Medicamentos diabéticos desenvolvidos recentemente ajudaram no controle dos níveis de glicose4 no sangue5 dos indivíduos; no entanto, ao contrário do que se esperava, alguns estudos relataram recentemente taxas de mortalidade6 mais altas em um grupo de controle de glicose4 intensiva. Acredita-se que a hipoglicemia7 e a hiperglicemia3 após a hipoglicemia7 sejam a principal causa da maior taxa de mortalidade6 nesse grupo.

Saiba mais sobre "Retinopatia diabética1", "Como medir os níveis de glicose4 no sangue5" e "Prevenção do diabetes2 e suas complicações".

Assim, a importância da variabilidade glicêmica nas complicações do diabetes8 está ganhando atenção, e os efeitos da variabilidade glicêmica na associação com nefropatia9 diabética e eventos cardiovasculares em indivíduos com diabetes tipo 110 e diabetes tipo 211 têm sido relatados.

Vários estudos relataram também que a variabilidade glicêmica está associada ao desenvolvimento e progressão da RD em indivíduos com diabetes tipo 110. No entanto, a relação entre a variabilidade glicêmica e a RD em indivíduos com diabetes tipo 211 ainda não foi esclarecida.

Este estudo, publicado pela revista Scientific Reports, teve como objetivo investigar se a variabilidade de HbA1c12 em longo prazo está associada ao desenvolvimento e progressão da retinopatia diabética1 em indivíduos com diabetes tipo 211.

Foram revisados retrospectivamente 434 indivíduos com diabetes2 tipo 2 sem RD que se submeteram a exames regulares de RD. Foram revisados os resultados de fundo de olho13, coletou-se os níveis de HbA1c12 e calculou-se o coeficiente de variação e a variabilidade real média do nível de HbA1c12 de cada sujeito.

A RD se desenvolveu em 55 indivíduos e progrediu para RD não proliferativa moderada ou pior RD em 23 indivíduos.

Na análise de regressão de riscos proporcionais de Cox, a variabilidade real média de HbA1c12, mas não o coeficiente de variação de HbA1c12, foi significativamente associada ao desenvolvimento de RD.

No entanto, a associação entre a variabilidade de HbA1c12 e a taxa de progressão de RD para RD moderada não proliferativa ou pior RD não foi significativa.

O valor de diferença de HbA1c12 entre consultas no exame consecutivo previu bem o desenvolvimento de RD e uma triagem mais cuidadosa para RD é necessária para aqueles com uma mudança de valor absoluto de 2,05%, um aumento absoluto de 1,75% e uma diminuição absoluta de 1,45% nos níveis de HbA1c12 em exames consecutivos.

Esses resultados indicam que a variabilidade da glicose4 em longo prazo medida pela variabilidade real média da HbA1c12 pode ser um fator de risco14 independente para o desenvolvimento de retinopatia diabética1, além do nível médio de HbA1c12 em indivíduos com diabetes2.

Leia sobre "Hemoglobina glicosilada15", "O que afeta o comportamento da glicemia16" e "Como reconhecer e evitar a hipoglicemia7".

 

Fonte: Scientific Reports, publicação em 26 de fevereiro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Variabilidade de longo prazo de HbA1c foi associada ao desenvolvimento de retinopatia diabética em indivíduos com diabetes tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1390045/variabilidade-de-longo-prazo-de-hba1c-foi-associada-ao-desenvolvimento-de-retinopatia-diabetica-em-individuos-com-diabetes-tipo-2.htm>. Acesso em: 14 abr. 2021.

Complementos

1 Retinopatia diabética: Dano causado aos pequenos vasos da retina dos diabéticos. Pode levar à perda da visão. Retinopatia não proliferativa ou retinopatia background Caracterizada por alterações intra-retinianas associadas ao aumento da permeabilidade capilar e à oclusão vascular que pode ou não ocorrer. São encontrados microaneurismas, edema macular e exsudatos duros (extravasamento de lipoproteínas). Também chamada de retinopatia simples.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Hiperglicemia: Excesso de glicose no sangue. Hiperglicemia de jejum é o nível de glicose acima dos níveis considerados normais após jejum de 8 horas. Hiperglicemia pós-prandial acima de níveis considerados normais após 1 ou 2 horas após alimentação.
4 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
5 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
6 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
7 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
8 Complicações do diabetes: São os efeitos prejudiciais do diabetes no organismo, tais como: danos aos olhos, coração, vasos sangüíneos, sistema nervoso, dentes e gengivas, pés, pele e rins. Os estudos mostram que aqueles que mantêm os níveis de glicose do sangue, a pressão arterial e o colesterol próximos aos níveis normais podem ajudar a impedir ou postergar estes problemas.
9 Nefropatia: Lesão ou doença do rim.
10 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
11 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
12 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
13 Fundo de olho: Fundoscopia, oftalmoscopia ou exame de fundo de olho é o exame em que se visualizam as estruturas do segmento posterior do olho (cabeça do nervo óptico, retina, vasos retinianos e coroide), dando atenção especialmente a região central da retina, denominada mácula. O principal aparelho utilizado pelo clínico para realização do exame de fundo de olho é o oftalmoscópio direto. O oftalmologista usa o oftalmoscópio indireto e a lâmpada de fenda.
14 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
15 Hemoglobina glicosilada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
16 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
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