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Novo estudo publicado na Nature revela como o cérebro organiza informações sobre odores

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O córtex organiza as informações sensoriais para permitir a discriminação e a generalização. Como as representações sistemáticas do espaço de odor químico ainda não foram descritas no córtex olfativo, ainda não está claro como as relações de odor são codificadas para colocar odores quimicamente distintos, mas similares, como limão e laranja, em categorias perceptivas, como cítricos.

Neste estudo publicado pela revista Nature, ao fornecer odores com estruturas moleculares cuidadosamente selecionadas e analisar a atividade neural em camundongos acordados, a equipe mostrou que as representações neuronais do olfato no córtex refletem semelhanças químicas entre os odores, permitindo que os aromas sejam colocados em categorias pelo cérebro1. Além disso, essas representações podem ser religadas por experiências sensoriais.

Os resultados sugerem um mecanismo neurobiológico que pode explicar por que os indivíduos têm experiências comuns, mas altamente personalizadas, com o olfato.

Combinando quimioinformática e imagem multifotônica em camundongos, os pesquisadores mostraram que o córtex piriforme e suas entradas sensoriais do bulbo2 olfativo representam relações de odor químico através de padrões de atividade correlacionados. No entanto, os códigos de odor cortical diferem daqueles do bulbo2: o córtex agrupa mais fortemente as representações de odores relacionados, reescreve seletivamente as relações de odor em pares e combina melhor com a percepção de odor.

A transformação bulbo2-em-córtex depende da rede associativa originada no córtex piriforme e pode ser remodelada pela experiência passiva de odores. Assim, o córtex constrói ativamente uma representação estruturada do espaço de odores químicos que destaca as relações de odores; essa representação é semelhante entre os indivíduos, mas permanece plástica, sugerindo um meio pelo qual o sistema olfativo pode atribuir sinais3 de odor relacionados a percepções comuns e ainda personalizadas.

Os resultados do estudo demonstram pela primeira vez como o cérebro1 codifica as relações entre os odores. Em comparação com os córtices visual e auditivo relativamente bem compreendidos, ainda não está claro como o córtex olfativo converte informações sobre a química do odor na percepção do olfato.

Identificar como o córtex olfativo mapeia odores semelhantes agora fornece novas ideias que informam os esforços para entender e potencialmente controlar o sentido do olfato, de acordo com os autores.

Leia também sobre "Anosmia", "Cacosmia" e "Polipose nasal".

 

Fontes:
Nature, publicação em 01 de julho de 2020.
Harvard News & Research, notícia publicada em 02 de julho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Novo estudo publicado na Nature revela como o cérebro organiza informações sobre odores. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1373453/novo-estudo-publicado-na-nature-revela-como-o-cerebro-organiza-informacoes-sobre-odores.htm>. Acesso em: 5 ago. 2020.

Complementos

1 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
2 Bulbo: Porção inferior do TRONCO ENCEFÁLICO. É inferior à PONTE e anterior ao CEREBELO. A medula oblonga serve como estação de retransmissão entre o encéfalo e o cordão espinhal, e contém centros que regulam as atividades respiratória, vasomotora, cardíaca e reflexa.
3 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
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